quinta-feira, 23 de julho de 2009

Um dia incomum no futuro

Acordei cedo naquela quarta-feira, que sucedera uma noite chuvosa. O céu estava estranho. Uma mescla de cinza-chuva com um amarelo tímido e de um laranja pôr-do-sol; aquilo me intrigava. Levantei-me devagar da minha cama incrivelmente não bagunçada, apesar dos pisões que dei no colchão na noite anterior, quando insistia no mesmo pesadelo: era devorado pela minha própria casa. Ao lembrar disso, olhei novamente para a cama e percebi que a claridade do sol tímido entre as nuvens, que refletia em meus lençóis, havia desaparecido, do nada. Esfreguei meus olhos para ver se realmente não estava ficando louco. Aquele sumiço das cores realmente era real. As cores claras sumiram de cima dos meus lençóis, dando espaço a uma escuridão, estranha demais para nove horas da manhã, como pude constatar no meu relógio de cabeceira. Ainda sem acreditar, fui até o banheiro,lavei meu rosto, dando ênfase aos meus olhos lacrimejantes, escovei os dentes e volteipara meu quarto. Nem me preocupei em olhar no espelho. Mas, ao pôr meus pés no quarto, percebi, com clareza, que havia algo errado ali. Não havia ninguém em casa, pois não escutava ruído algum, nem os chatos pigarreios do papai, nem os gritos da mamãe com minha irmã mais nova. Não havia vestígio de vida ali. O céu escurecia cada vez mais, deixando-me com uma ponta de nervosismo misturado com medo. Logo, corri pela casa para constatar se não havia mesmo ninguém em casa. Não havia absolutamente nada. O desespero começou a tomar, pouco a pouco, conta de mim e eu não sabia nem tinha ideia de como controlá-lo. Sem sucesso em minhas buscas, corri para fora de casa, como em meu pesadelo. Ela sem vida, sem cor; minha casa estava estranha. De repente, senti passos perto de mim e uma ventania incrivelmente forte cortou o silêncio na rua da minha casa, que sempre era movimentada. Pairando no lugar do sol, percebi o motivo imenso de minha angústia e desespero: havia um buraco negro, imenso, tomando o espaço do sol. Sem nem conseguir gritar, parei em frente à caixa de correio e vi o jornal do dia anterior pendendo sob a portinhola que dava acesso ao interior da caixa. Um homicídio era a manchete, mas concentrei-me na data, que me fez ficar parado: era 19 de junho de 2030. Observei minhas mãos, meus pés, meu corpo. Tudo havia mudado, afinal, eu estava com 36 anos! Ou eu não percebi o tempo passar ou ele passou de uma só vez. Minha vizinha cortou meus pensamentos, gritando com uma garotinha no colo :

- "É o fim do mundo! É o fim do mundo!"

Paralisei. Fim do mundo?! Será que o homem não havia conseguido frear seus atos à tempo? A natureza se rebelara, já sabia que isso iria acontecer. Desmatamento, queimadas, camada de ozônio, derretimento das geleiras... Tudo se encaixava! E eu não quis acreditar quando disseram-me, aos meus 15 anos, que um dia o mundo sofreria as consequências dos atos do ser humando, que se diz racional! Tudo por decorrência de nossos atos! Nossos, e de mais ninguém.
Quando parei com meus pensamentos inúteis, constatei que o buraco estava mais próximo de mim e que me faltava oxigênio. Morreria de um jeito ou de outro. Os ventos chegavam a cortar de tão fortes que estavam. Só pude ver pessoas voando com a força da tempestade e sumindo na escuridão do buraco. Quando vi minha vizinha com sua garotinha, gritando ao ser sugada pelo buraco, senti que seria minha vez de partir. Senti o vento forte e cortante me puxar para dentro daquele ralo imenso, num breu só, posicionado no lugar do sol. E desfaleci. Fui apenas mais um que viveu até o fim dos tempos. Mais um humano que contribuiu para que tudo isso acontecesse e fosse acelerado o processo.
Naquela quarta-feira, 20 de junho de 2030, seria o meu fim.
E nada mais.






*Imaginem se isso acontecesse de verdade! Você dormir com 15 anos e acordar com 36, e dar de cara com um buraco negro pronto para te levar para a morte! Temos que fazer a nossa parte para que isso não venha a acontecer, pois isso pode sim vir a se concretizar! Ajudem o mundo, façam diferente!

**Texto para o Blorkutando - 43º Semana: E Se Fosse Verdade?

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