quinta-feira, 17 de junho de 2010

Amor perfeito? Não mesmo!

Quando pus meus pés naquela feira de inventores, quase meus olhos saltam das órbitas. Máquinas para todos os gostos, fumaças verdes, inúmeros tubos de ensaio e pessoas, no mínimo, bizarras. Não dei atenção para estas que esbarravam em mim e murmuravam algo como um xingamento em japonês. Fixei meus olhos mesmo foi numa engenhoca parecida com uma geladeira tríplex, cheia de botões e luzes fosforescentes, que tinha acabado de entrar em funcionamento. Lembrava um pouco aquelas marias-fumaça que meu avô costumava comandar na época dele. Havia dois adolescentes que não deviam ter mais do que dezessete anos ao lado da máquina, esperando apreensivos e ansiosos pelo resultado do que sairia da 'geladeira'. Não me recordo de ter contado o tempo, mas acho que por volta de cinco minutos depois, uma mulher loira, alta, com seus um metro e oitenta de altura e um rosto angelical saía de dentro da engenhoca, perfeitamente bem e como se tivesse sido totalmente moldada. Um dos rapazes, o que aparentava ser mais velho, pegou na mão da loira, que prontamente segurou a sua suavemente e saiu dali com ele, como se já se conhecessem há anos - o que ficou claro que não era verdade, pois o acompanhante do adolescente arregalou os olhos com tal surpresa em suas expressões que foi inevitável pensar que a loira fosse uma estranha a ser desvendada. A curiosidade me invadiu por completo e quis descobrir do que se tratava aquela máquina e nada, nada daquilo fazia sentido. Existiam botões com legendas do tipo "cor da pele e dos olhos", "tamanho" e "temperamento". No exato momento em que desejei alguém para me ajudar a descobrir o que era aquela invenção, um homem baixo e sorridente chegou até mim, se apresentou como inventor da engenhoca e explicou, detalhadamente, o que era a Máquina do Amor Perfeito. Fiquei com um pé atrás, claro, como é que eu iria confiar numa máquina que faz pessoas?! No entanto, acabei me deixando seduzir pela proposta tentadora que o inventor fez a mim de experimentá-la. As palavras precisas e convincentes dele me fizeram ceder e idealizar - e concretizar, claro - a mulher perfeita pra mim. Minhas antigas namoradas nada tinham de perfeitas, ou até eram muito imperfeitas. E agora, eu podia fazer tudo diferente! Lembrei daquele bocão lindo da Angelina Jolie, dos olhos da Megan Fox, do nariz da Ashley Greene e do corpo da Jeniffer Aniston. Mais alguns retoques básicos e ela estava mentalmente pronta. Vou confessar que achei meio idiota acreditar que fosse mesmo sair aquela mulher que eu imaginei daquela 'geladeira' tríplex fria e cheia de luzinhas. Contei desta vez quanto tempo demorou pro meu "amor perfeito" ficar pronto: quatro minutos e quarenta e três segundos. E ela veio, exatamente, como eu havia imaginado: perfeita.

E talvez tenha sido este o único defeito dela.

Parecia que havia algo de errado com aquele projeto de anjo parado ali na minha frente. Era demais, era incrível, era o sonho de qualquer homem. Mas acabei percebendo que aquela máquina não criava o amor perfeito, ela apenas moldava a pessoa padrão para nós. Meu amor, aquela que eu amava mesmo, era a Clara, a garota estranha e psicodélica que morava no apartamento ao lado do meu. E ela, por sinal, não tinha sido gerada por meios materiais, como geladeiras tríplex que faziam pessoas. Aliás, a Clara foi gerada por um meio natural, que meus criadores também utilizaram.

Desculpei-me com a mulher que idealizei e com o rapaz que manobrava a Máquina do Amor Perfeito (para alegria do acompanhante do garoto que ficou com a loira lá no começo, que ficou com o sonho de todo homem que montei) e parti dali, mais convencido do que nunca de que não se fabrica o amor: ele simplesmente acontece. Mesmo que aconteça entre pessoas estranhas, como eu e a Clara, minha vizinha psicodélica do 503.



Pauta para o Blorkutando - 90ª Semana : Máquina do Amor Perfeito.

***

Foi, gente, eu falei que iria postar mais. Porém, minha semana continuou conturbada como a passada e acabei perdendo meus textos escritos no tempo de ócio! Procurei e não encontrei! Inclusive acabei de improvisar este para o Blorkutando, ficou bom? Ajudem-me comentando, achei que os comentários diminuíram bastante! Deem uma força pro Tiêgo, coitado! Hahaha

Assim que eu conseguir mais tempo, eu posto. Amanhã, ou depois, quem sabe? Não posso mais prever nada, minha vida vive retardada - rimou! -.


Pra vocês que me amam,


@tiegoalencar.

[PS/UPDATE: Gente, desculpem os erros de ortografia! É que digitei na pressa e só agora consegui reler o texto, mas tudo está consertado! E só pra vocês saberem, a real intenção do texto era dar ênfase à máquina! Mas não só à ela, mas como à importância do sentimento verdadeiro, como a Natália Souza disse. Explicado o porquê de tanta 'geladeira tríplex' no texto, James?]

5 pseudocomentaram:

@Jota disse...

Só achei que você deveria ter dado menos enfâse na máquina e mais naquilo que ela poderia trazer (:

Mariana Amorim disse...

O amor perfeito não existe. Acho que é apenas um desejo do coração e nada mais.

Natalia Souza disse...

Amei Tih . Afinal o amor não é beleza e sim sentimentos *-*

●๋• тнαi иαรciмєитσ disse...

Gostei da reflexão que você inseriu no fim do texto. De vez em quando parece qeu esperamos realmente uma pessoa perfeita para as nossas vidas, mas quando o amor acontece, e ele sempre acontece, nos surpreende demais. E vemos que até os defeitos fazem o todo ser melhor.
Boa sorte no BK

:]

A!!ªN disse...

boa tiêgo.

descordo com a mariana, o amor perfeito existe sim, ou se não eu estaria todos esses anos buscando enganado!!

abraço e boa sorte tiêgo