sábado, 10 de julho de 2010

Aventura no museu, parte um.



Eram quase sete da noite quando aterrissei no aeroporto internacional de Paris. A turbulência do avião somada ao cansaço em demasia que o tempo da viagem havia arrebatado meu corpo não impediu que minha promessa feita antes de me despedir de meus pais no Brasil fose cumprida. Como minhas malas haviam ido junto com a dos outros intercambistas, não me importei com o peso extra delas. Apenas pedi permissão ao instrutor para ir até o Museu do Louvre, o ilustre Museu do Louvre, onde provavelmente estaria a solução das minhas dúvidas.

Parei um táxi logo na saída do aeroporto e instruí o motorista em meu francês polido a me deixar em frente ao museu, mesmo estando um pouco tarde para o horário de visitas. Rapidamente chegamos lá e paguei o senhor de idade, que dirigia muito melhor do que qualquer outro jovem de atualmente dirige, em euros. Desci e, já consciente de que eu estava mesmo em Paris, atravessei a rua calma e me direcionei até o portão do museu. Se não foram quinze guardas imensos que vieram ao meu encontro, eu não sei. Só percebi quando toquei na imensa portarra de ferro e aço bruto e vários guardas gritavam em um francês rápido e alto para mim, o que pareciam xingamentos nada delicados. Dei meia volta e fiquei apoiado num imenso pinheiro que se posicionava ao lado de mais dois, em frente aos portões do museu. Articulei um modo de saber como entrar ali, o único local onde encontraria a resposta que eu precisava para meu quebra-cabeças. O frio tomava conta das ruas como o sol toma conta da praia no Rio de Janeiro e meu corpo se arrepiava aos poucos, me deixando com medo. Mas não consegui desistir do meu objetivo e fechei os olhos, tentando mais uma vez adentrar aquele recinto.

Esqueci de falar, mas eu tenho um dom. Eu consigo me materializar e desmaterializar quando quero. Só que às vezes isso pode me custar caro.
E muito caro.

Assim que evitei o frio, concentrei-me na seção onde estavam os quadros mais sombrios de todo o museu. Aquela seção, em particular, me fazia ter arrepios, pois eu já estive ali muitas vezes (em meus pesadelos) e agora eu ia ficar de frente com o que me dava esses arrepios. E como eu só podia me materializar próximo ao meu objetivo, tive que aguardar como nunca esta viagem à Paris.

E como aguardei.

A seção sombria, como eu a chamava, apareceu em minha mente como num flash. Estava fresca em minha memória, assim como eu me lembrava de escovar os dentes todas as noites antes de dormir. E assim que ela apareceu, invadindo qualquer outro pensamento que viesse tentar atrapalhar minha concentração, senti o estalo que atingia minha coluna vertebral toda vez que eu me materializava e desmaterializava.

E aí eu sumi, bem na cara dos guardas, que não viram absolutamente nada.

Reapareci em frente ao quadro daquela mulher que se retorcia debaixo da mesa. Como se tivessem me puxado pelos cabelos, minha cabeça rodava e doía bastante. Tive que me sentar num dos bancos próximo à pintura para tentar reorganizar as ideias na cabeça. Tudo bem que parecia idiota de minha parte, com o pouquíssimo tempo que eu tinha pra procurar o que me afligia os sonhos e aqueles guardas monstruosos vigiando cada passo ali no museu, mas realmente doía muito se desmaterializar. Por isso eu detestava ter que fazê-lo, era apenas nos casos mais extremos que eu me atrevia a tanto.

Ao percorrer aqueles metros de quadros e mais quadros, esculturas e mais esculturas, senti um choque no cérebro. Parecia que eu havia encontrado o lugar onde deveria proceder para exorcizar aquelas sombras que me faziam acordar suando em plena madrugada. Procurei algo que me confirmasse que aquele era o local exato para continuar a agir, quando um par de mãos tocou meu ombro e um homem trovejou, como se já conhecesse aquela voz há anos, mesmo sem conhecer seu dono pessoalmente:

- Pelo visto você ainda tem muito o que aprender.

Conrad Stevens havia me encontrado, mais uma vez.

3 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

Ahh que mara!Quem é esse cara que falou aquilo pro personagem princiapl ?E como ele se materializa e desmaterializa?Ahh e os sonhos,me identifiquei por que ás vezes tenho sonhos estranhos,haha

Tá mara o conto *-* Continuação já!o/ haha

Bjs!

Italo Stauffenberg disse...

Aeroporto Charles de Gaulle mon chéri!

Bafana!

^^

JUMPER?

que irado!

ótimo texto, Paris é tudo.

Yasmin c.k. disse...

Fiquei curiosa, viajar até a Paris para ir direto a um museu e com todo esse mistério sombrio, que será esse cara do final? Senti sua falta nesta edição que passou do Bk. :)