quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Amar, sem medo de ser feliz!

Damien tinha medo do que Adam iria lhe falar.
Os sorrisos de sempre, as palavras ditas em silêncio e a amizade de quase doze anos vinham em flashes na mente de Damien todas as vezes em que ele pensava no melhor amigo. A vida parecia sem graça com aquele Adam, diferente do que Damien estava acostumado a ter por perto.

Quando a luz do sol sumia timidamente por entre as árvores, Damien tinha o estranho hábito de sorrir para o nada. Aliás, ele sorria para tudo. O pôr-do-sol apenas o deixava feliz, pela sensação boa de que mais um dia havia se passado. Mas aquele, em si, demorara demais a passar. A ausência de Adam na vida de Damien era uma ideia quase impossível de se aceitar. Os dois tinham uma ligação anormal. E essa ligação fora rompida por seis dias, por seis longos dias, até a ligação de Adam confirmando o encontro no carvalho mais velho da praça. Damien sentia como se alguém tivesse lhe falado que o mundo ia acabar no outro dia. E Adam parecia ainda mais nervoso que o amigo. Era ele quem iria falar tudo o que estava preso na garganta, esperando a hora e o momento certo de falar.


Hora e momento estes que haviam acabado de chegar.

Damien queria que aquele momento não fosse tão tenso quanto estivesse parecendo. O medo, o receio do que Adam iria falar tomavam conta de seus pensamentos. Mas parece que ter escutado novamente a voz do cara que fazia seus dias mais felizes lhe fez esquecer subitamente todo e qualquer pensamento ruim que pudesse impedir um reencontro no mínimo bom entre os dois. De repente, a passagem escura que dava acesso à uma das pontes imensas de Nova York pareceu ainda mais negra.

- Oi, Damien - começou Adam, ainda com os olhos fundos e com a mesma aparência de abatido que Damien cansou de ver por toda a semana no colégio. - Eu precisava reunir toda a coragem do mundo antes de vir falar com você.

- Eu tenho medo. Muito medo do que você vai falar pra mim depois de quase uma semana sem nem olhar na minha cara - retrucou Damien, revoltado.

- Não vou precisar falar nada. Você já devia saber que eu amo você, Damien - completou Adam sem rodeios, puxando Damien para perto de si e prendendo a respiração devido à pressão contra seu corpo. - E esses dias só me fizeram entender que a minha vida não é absolutamente nada sem você. E desculpa por ter falado tanto assim. - concluiu, ainda com a respiração presa.

- Não precisava mesmo ter dito nada - continuou Damien. - Bastava ter feito isso - e puxou o rosto de Adam contra o seu. Os lábios se conectaram de tal forma que era como se aquilo já estivesse predestinado há muito tempo para acontecer. Um beijo intenso, marcado pela tensão e pelo desejo. Adam queria, queria muito ficar junto de Damien, mas um medo bobo o fez rejeitar o sentimento que crescia a cada dia mais e mais dentro de si.

Ainda bem que existe o amor recíproco.

Ao se desligar de Damien, Adam voltou a sorrir como antes. O mesmo sorriso que Adam dava quando o amigo chegava perto dele, o mesmo sorriso das idas nos brinquedos mais aterrorizantes do parque de diversões, o mesmo sorriso das manhãs no colégio. Um sorriso fez tudo mudar ali. Os garotos nã precisaram pronunciar nem mais uma palavra.

Porque o silêncio na escuridão da passagem que dava acesso à uma das maiores pontes de Nova York falava por si só.

Era um silêncio de felicidade.

***

Taí um desafio pra mim: escrever um conto gay. Eu não tenho sensibilidade o suficiente pra contar um romance gay, me acostumei com os relacionamento hétero nas palavras. Mas foi o que consegui fazer, aliás, me diverti escrevendo! Adoro os desafios na escrita, me fazem querer escrever mais e mais! Sugiro a vocês que se desafiem também ao escrever, tentem postar algo que nunca tinham escrito antes! Vale a pena!
Amanhã volto pra contar mais de mim, tem pauta pro Blorkutando e muito mais. Agora, tô correndo contra o tempo!

Com pressa e muito sono, beijos beijos,


3 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

Ahh fiquei anciosa pra saber que momento é esse,e o que irá acontecer!rs
Mas entendo tais problemas técnicos,rs

Beijos!

Jeniffer Yara disse...

Ah tá aí a continuação! E que bela continuação!Ficou bom o conto gay,é diferente não é?Tentar fazer um desafio,foi pra mim também quando fiz o texto com discurso direto lá no blog,mas é recompensador o esforço do desafio quando ele fica pronto e é elogiado *.*

Beijos

nostalgia_tedio disse...

Caraca! Pude sentir a emoção das personagens através de suas palavras... Meus parabéns!