domingo, 13 de março de 2011

Todos amam Vitória, parte 2

- GUTO? – exclamei, um pouco surpresa e feliz demais do que deveria ter parecido, pra quem estava decidida há um segundo atrás.

Ele me olhou, sorriu daquele jeito que só ele sabe sorrir e disse, fazendo cada parte do meu corpo estremecer ao pronunciar aquelas palavras:


- Você não devia estar surpresa. Eu havia dito a você que nunca duvidasse da minha palavra, não disse? – ele parou de bater os pés impacientemente, levantou-se do sofá e caminhou até minha direção. Não vou dizer que quis fugir dali porque eu não queria; meu desejo era abraçá-lo, beijá-lo ali mesmo, sem pudor nem nada.

Mas eu tenho uma coisa muito legal chamada bom senso, que me impediu instantaneamente de fazer algo involuntário porque um, eu estava em casa e dois, eu não ia morrer de remorso horas depois me sentindo uma piriguete por tê-lo atacado.


- Não, Guto, a gente já conversou tudo o que tinha pra conversar. E você não tem o direito de vir até aqui pra…


- Pra isso? – ele me interrompeu, calando minha boca com seus lábios. Mais uma vez me sentia como se fosse cair no chão, tamanho era o jeito como o ele me beijava. Fiquei furiosa, mas não reuni forças o suficiente para me afastar dele. Para minha surpresa, depois de morder meus lábios como da primeira vez em que havíamos ficado, ele me soltou e antes que eu pudesse reagir de alguma forma, Gustavo simplesmente disse:


-  E não pense, depois disso, que eu vou desistir de você tão fácil – e caminhou até a porta.

Lógico que quis matar aquele garoto. Ele não podia ter ido até a minha casa às dez horas da manhã só pra me beijar e sair assim, como quem não fez nada. Que idiota que eu sou! Nunca tinha me sentido tão fraca assim, eu deveria ter sido mais dura! Não adiantou de nada lembrar do bom senso se o físico… bem, se o físico parecia tão mais irresistível. Aquela enxurrada de pensamentos ia tomar conta de mim se minha mãe não aparecesse para me despertar do devaneio.


- O bonitão sempre te deixa assim? Devo proibir algo entre vocês?


Fui pega desprevinida com as palavras de mamãe. Ela sempre foi liberal comigo a respeito de namoros e tudo, mas ela nunca parecia me empurrar para os caras que eu parecia me interessar, o que estava acontecendo naquele instante. Senti na voz dela o apreço pelo Guto. E eu decididamente detestei aquilo.


- Quer que eu seja bem sincera, mãe? Nunca mais quero ver esse idiota na minha vida! – disse, sem transparecer um pingo de indecisão.


Só que minha mãe sabia como me desarmar.


- Não foi o que pareceu quando você correspondeu ao beijo dele com tanta… receptividade, digamos assim – disse ela, completando com um risinho adolescente. Quis me enterrar naquele instante.


- A senhora viu? – perguntei, pasma.


- Claro que sim, sua boba. E não pense que não gostei. O rapaz me pareceu uma boa pessoa, deu pra perceber pela conversa dele. E eu não preciso nem pensar muito pra perceber a sua indecisão entre ele e outro cara. É isso, não é?


Eu simplesmente me detesto. Sou óbvia demais!


- É isso. E se a senhora não se importa, vou me deitar na cama e só acordar na próxima reencarnação, quem sabe isso não resolva todos os meus problemas – disse impassível, me retirando da sala sem dar chance para minha mãe responder. Eu me detestava quando tinha que fazer isso, mas a mania da minha mãe de querer ser adolescente às vezes me irritava. Não que eu não achasse o máximo, mas nessas horas eu preferia sofrer sozinha. Sim, eu sou masoquista.


Subi as escadas de volta para o quarto, enquanto ainda tentava absorver o que o Guto tinha feito comigo. Aquele cara não me merecia. O Rodrigo sim era perfeito pra mim. Mas porque era tão fácil assim do Guto mexer comigo? O que eu precisaria fazer para ele deixar de ser tão insuportável e irresistível?

Joguei-me na cama querendo muito uma luz. Minha cabeça precisava ser iluminada com algo que clareasse, não que deixasse só visíveis as coisas. Porque eu tinha que estar apaixonado por irmãos? E porque eles tinham tanto que fazer meu tipo?


Eu na certa passaria o resto da manhã e do dia lindo que fazia lá fora pensando nessas interrogações, mas eu tenho a sorte de contar com a Pri pra animar minha vida. Meu celular vibrou nos bolsos e era ela, me convidando por SMS para ir à uma festa na casa de um amigo nosso, o Luís. É, bem que eu estava precisando me animar… Era o que eu precisava, de uma festa para esquecer aquilo tudo. Era isso. Ao invés de me martirizar com a situação Rodrigo-Gustavo, acabei me deixando levar pelo lado menininha e planejei todos os meus passos para aquela noite.


* * *

Pri passou pontualmente às nove para me pegar. Eu já estava mais do que animada para a festa e entrei totalmente sem neuras naquele carro para ir ào aniversário do Luís. Não teria Rodrigo muito menos Gustavo para me impedir de ser feliz. E eu não ia perder meu tempo pensando neles com uma festa daquele nível para eu me divertir. O estilo balada do lugar me surpreendeu quando entrei naquela casa, devidamente equipada para o momento. Já estava apinhado de gente e só de sentir a vibração daquele lugar já me senti um tanto melhor. Decididamente era tudo o que precisava.

Eu e Pri estávamos no melhor da dança quando aquele cheiro, aquele perfume me preencheu. Mais uma vez, me senti inválida. Eu não ia lutar contra aquilo de novo. Aquele cheiro era irresistível, simplesmente. Guto me agarrara por trás e a Pri, ao invés de me proteger daquela tentação, acabou dando espaço para que ele se aproximasse de mim. Infelizmente. Eu conhecia o cheiro dele, mas eu tinha esperança de que não era ele. Pelo menos eu tinha, até ele me puxar contra ele e mais uma vez me extasiar com seu beijo.

O que eu não contava era que Rodrigo assistia à cena, totalmente arrasado.

2 pseudocomentaram:

Tori. disse...

Oh my.

Rúvila Magalhães disse...

Ah, preciso ler a primeira parte haha.
Também queria ter criatividade para escrever uma história de várias partes...

beijos