quinta-feira, 14 de julho de 2011

Bota a cabecinha no meu ombro e chora…

Tem horas que a gente não quer saber de papo: o mundo está caindo sobre nossas costas, o chão está prestes a ceder e você não tem com quem contar. Esses dias de cão só faltam nos destruir por completo. Agora, uma pergunta: o que você faz quando esses complexos demoram a passar? Se tranca no quarto e esperneia amaldiçoando o mundo pela sua falta de sorte? Grita? Sai brigando com todo mundo que vê pela frente? Come bombas calóricas sem medo do dia seguinte? Sei não se alguma das opções que sugeri serve para a resposta de cada um, mas de uma coisa eu sei: desabafar é uma bela válvula de escape pra essas horas.

Quando eu era um pouquinho mais novo (já me sinto um tio falando assim, mas enfim) e tinha esses complexos de “meu pai do céu me salva desse inferno”, costumava pegar o espelhão do armário que tinha no meu quarto e conversava, horas e horas com meu reflexo – quem sabe ele poderia me entender? Só que naquele tempo eu realmente não possuía amigos para falar assim, abertamente. O máximo que eu poderia ter das minhas amizades eram convites para jogar vôlei na rua da minha casa ou então brincar de pique-esconde. Durante um bom tempo, o espelho foi meu melhor amigo. E antes que alguém me pergunte, eu não me sentia um panaca por estar falando comigo mesmo, não. Inclusive isso me ajudou diversas vezes! Entretanto, com o passar do tempo, fui amadurecendo e descobrindo que existia muito mais gente com os mesminhos problemas que eu e melhor, dispostos a explaná-los para alguém. Era o que eu precisava para começar a discutir meus sentimentos com outras pessoas. E assim foi acontecendo; os amigos que eu fazia tinham seus complexos, desabafavam comigo e viceversa. Era uma espécie de terapia: eu tinha necessidade de falar tanto quanto de ouvir alguém. Eu sempre notei que é mais fácil as pessoas se abrirem comigo do que eu com elas, mas não que isso afetasse algo no momento das conversas que tínhamos. De tanto escutar problemas e mais problemas e dar conselhos e mais conselhos, já ouvi milhares de vezes que deveria cursar psicologia. Principalmente porque eu me entendia e me aceitava do mesmo jeito que meus amigos aceitavam e entendiam. Bem, eu nunca pensei nessa carreira, mas vamos ver mais tarde se a voz da galera tinha alguma razão.

Se desabafar com alguém for muito complicado pra você, faça como eu: pegue um espelho, tranque a porta do quarto e seja feliz conversando consigo mesmo. É a melhor maneira que temos de nos conhecer melhor e de aceitar quem somos melhor. Porque afinal de contas, para ouvir e falar com o próximo, você precisa estar resoluto consigo mesmo. E isso, caros amigos, só se consegue tendo muitas e longas conversas internas – ou seja, pegue seu espelho e comece já a praticar.

 

Pauta para o Blorkutando – 146ª Semana : Pauta Livre #02 

 

[PS: tá angustiado? Tem alguma coisa te afligindo a ponto de tirar sua concentração e pior, não tem ninguém com quem falar sobre? Não, não ligue pro disque-oração, me mande um e-mail-desabafo para tiegoramon@gmail.com que eu te ajudo conforme eu puder. Não precisa se identificar e eu garanto que vai fazer você se sentir bem melhor.]

1 pseudocomentaram:

Kétemy disse...

Primeiro de tudo: vivo falando sozinha, pensando cá com meus botões.. haha. Também não me sinto estranha. É bom, sabe? Cúmplice de mim.
O que não quer dizer que supra a necessidade de desabafar com outro alguém ;) Muito reconfortante quando você conversa com quem sabe entender, aconselhar, tem aquelas palavras de ânimo, que te encorajam a prosseguir. Ou mesmo alguém que saiba simplesmente ouvir. E dar aquele abraço que dispensa palavras. Sou assim, tenho amigos assim. Lindos. E sou grata à Deus por isso. Aliás, conversar com Ele também é ótimo.
Em contrapartida, nada mais frustrante que deparar com pessoas que se interessam com o que está acontecendo com você, mas com intuito de saciar a curiosidade. Só. E por vezes fofocar depois. Além daqueles, é claro, que julgam ou menosprezam seus problemas, "não é nada". É simplesmente frustrante. A fórmula perfeita pra nos deixar ainda mais pra baixo, né não?
Enfim.
O interessante, Ti, é que nem nos conhecemos pessoalmente. Mas nas vezes em que conversamos e eu, mesmo sem me aprofundar muito, comentava sobre coisas que tavam acontecendo, lá vinha você com os conselhos - muito divertidos por sinal - me botando pra cima. Sempre achei isso fascinante ;)
Por hoje é só.
Obrigada, baby ;*