terça-feira, 20 de março de 2012

Pseudopsicologia #05

Oi, gente! Todos bem?
Hoje é um dia especial por dois motivos ainda mais especiais: o primeiro deles, é porque hoje é dia do blogueiro! Parabéns a toda a massa blogueira (em especial os blogueiros bons, risos) que está todo dia (toda semana, todo mês...) firme e forte mantendo seus fiéis instrumentos de expressão atualizados! Acho super digno que todos tenhamos um dia só para nós! Todos blogam em comemoração! E antes que eu perca o foco falando do dia do blogueiro, hoje também é um dia especial porque tem aquela seção linda que a gente ama no blog e que hoje veio carregada de polêmica e bafão: Pseudopsicologia! Todos prontos para mais uma daquelas histórias? Ajudem-me a aconselhar o M., nosso "necessitado" de hoje, nos comentários! Acomodem-se nas poltronas/cama/sofá/cadeira/chão, preparem a emoção e vem comigo!


Leitor
 lindo says: " Tiêgo, amigo, tudo bem com você? Meu nome é M. e eu li seu blog por recomendação de uma amiga que você conhece da blogosfera e simplesmente adorei seu blog. Pode parecer clichê que eu comece esse e-mail como todos os outros, mas acho que essa é a melhor maneira de começar a te contar meu problema. Nenhum dos meus amigos passou pelo o que eu passei e depois de ler um texto seu no O Quanto Quiser falando sobre, achei que você poderia me ajudar. Bom, faz um tempinho já que eu me descobri gay e não fiz questão que ninguém soubesse por enquanto porque acho que não é necessário ninguém saber agora. Até acho que minha família desconfie, mas eu nunca fui extravagante nem nada e nem pretendo, pois não me identifico com gays assim. Pois bem, desde que descobri isso, parece que minha mãe  descobriu junto porque vive me empurrando pra igreja a todo custo, quer que eu vá mesmo quando não estou bem fisicamente e pensa que eu gosto disso. Eu sou evangélico e eu me sentia a vontade nessa religião, mas agora, com tanta pressão, simplesmente não consigo mais pisar naquela igreja sem sentir nojo do que aqueles supostos "pregadores" do amor de Deus fazem: repudiar e deixar claro que não aceitam homossexuais. Meus pais queriam que eu namorasse uma garota da igreja e eu dei o fora nela assim que eles tentaram nos aproximar porque ela não era nem do tipo que atrai um homem, mas eles a achavam santa e casta, então servia pra mim. Resumindo: semana retrasada descobri que um menino da minha igreja também é gay e ele se revelou completamente apaixonado por mim! Como eu nunca tinha ficado com um menino, achei que a oportunidade seria boa, e nos beijamos. O que eu não esperava é que tinha alguém ali, naquele exato momento, registrando tudo. No outro dia, recebi uma carta de alguém com foto minha junto com o W. (o menino com quem fiquei) e me ameaçando, dizendo que não vai permitir que eu continue pecando deste jeito e que vai contar a todo mundo da igreja quem eu sou de verdade. Eu tenho muito medo da reação dos meus pais quando souberem da minha homossexualidade e sinceramente preciso de um apoio que me encoraje a falar! O W. me diz que só conta se eu contar e eu fico numa sinuca de bico! Essa situação toda está me deixando maluco! Me ajuda!"

O pseudopsicólogo says:  Olá, M. Saiba que seu e-mail me deixou surpreso pela quantidade de    informação e não sei nem por onde começar! Então vamos por partes: acho que religião é uma coisa muito relativa. Pode ser que você precise ir à um templo se ajoelhar e pedir perdão, ou pode você simplesmente tirar uns minutinhos do seu dia para agradecer e pedir a Deus ou ao que você crer o que você estiver necessitado. Então você deveria, primeiramente, se perguntar onde fica melhor: em um lugar onde você se vê forçado ou onde você se sente bem e à vontade consigo próprio? Eu, por exemplo, deixei de ir à igreja frequentemente não por querer, mas por não achar que ali tenha tudo o que eu precise para manter saudável minha vida espiritual. Eu me aceito como sou e é isso que importa, não o que os seus companheiros da igreja vão dizer. Sobre o W., vocês deveriam resolver esta situação juntos. Se ele se diz mesmo apaixonado por você, vai lhe ajudar a enfrentar seus medos e, ao que tudo indica, a pessoa que tirou a foto de vocês juntos é da sua igreja e, consequentemente, próxima aos parentes dos dois. Eu se fosse você não duvidaria nem um pouco da capacidade de alguém que fez isso - vai que é um daqueles fanáticos religiosos? Eu preferiria mil vezes que meus pais soubessem pela minha boca que sou gay do que pela boca de um maluco fanático que quer me revelar para algo do qual eu não estou preparado. Digo isso com convicção porque sei que seus pais são as pessoas que mais te amam nesse mundo e não é possível que eles possam te rejeitar quando você mais precisar deles. Não se abra com mais ninguém antes disso. Reflita acima de tudo e não tenha medo de se questionar, de se perguntar se você tem mesmo a certeza do que quer fazer. O mesmo se aplica ao W. Vocês estão sendo vítimas de algo baixo e sem noção e tem que resolver isso de forma que quem inventou essa presepada fique com a cara na poeira achando que você e W. ficaram mal ao contarem sobre suas sexualidades. E como você está sendo vítima de uma chantagem, é bom que explique isso também aos seus pais porque  não é fácil ser forçado a falar algo que você ainda não queria dizer. Já me vi em situação parecida, inclusive, e garanto que o melhor que fiz foi falar. Além de me aliviar, fez com que eu me sentisse mais completo e muito mais confiante em mim mesmo. Portanto, antes de toda e qualquer decisão sua, esteja de bem consigo próprio. Só assim você consegue ser feliz: sendo sincero consigo para poder ser com o mundo.

***
Tem algum problema escabroso te afligindo ou alguém com fotos comprometedoras suas morrendo de fazer chantagem contigo e você já está naquele nível de desespero que não pode contar pra mais ninguém? Me manda um e-mail que eu te ajudo! É só contar sua história e enviá-la para tiegoramon@gmail.com que eu te ajudo como eu puder. Se seu problema for mesmo daqueles escandalosos, manterei seu sigilo e o publicarei no blog, para que os leitores também te ajudem! Um beijão e até a próxima!

***

UPDATE, POVO: ontem recebi um e-mail do M. contando ainda mais bapho! Vem, gente!
"Oi, Tiêgo! Voltei. Não achava que fosse tão rápido, mas as circunstâncias me obrigaram. Os pais do W., de algum jeito, descobriram que ele é gay e a mãe aceitou numa boa, enquanto o pai até saiu de casa pra não ter que olhar na cara dele. Fiquei com ainda mais medo de contar para os meus pais, mas vendo a situação dele, vi que era a hora de falar e eu não me segurei. Chamei W. e a mãe dele para ir junto comigo me dar força para contar pros meus pais que eu sou gay. Reunimos os dois e contei que era gay e que o W., que eles já conheciam, era meu namorado. A mãe dele quis intervir logo em seguida, quando meu pai gritou um "o quê?!", mas ele se levantou e depois se sentou, enquanto minha mãe me abraçou e perguntou o que estava acontecendo, se eu não estava enganado nem nada. Ela em momento algum mostrou repulsa e isso quase me fez chorar, mas tive que contar as lágrimas porque ainda tive que contar como tudo aconteceu pra ela. Contei inclusive das chantagens que estava recebendo e foi então que meu pai baixou a guarda e disse que ia caçar quem estivesse por trás disso, que eu sendo gay ou não ia continuar sendo filho dele, pediu desculpas pela reação mas que ia ter que aprender a conviver com isso. Meu pai não é tão religioso quanto minha mãe, mas isso não influenciou em absolutamente nada. Eles só me pediram pra continuar sendo quem eu era, o motivo de orgulho deles. A mãe do W. e ele não se aguentaram e choraram junto com a mamãe. Depois disso tudo, tive ainda mais certeza de quem eu sou e te digo com todas as letras: agora eu sou feliz! MUITO OBRIGADO MESMO pelo conselho e por ter publicado no seu blog o problema, me ajudou muito! Sou muito grato à você por isso! Continuarei lendo seu blog, sou seu fã! hahahaha Abraços!

3 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

Que BAPHO.Como você diz Ti. ahsu' Mas enfim, ao M., não sou boa em conselhos, acho que o Ti escreveu tudo o que eu também penso sobre os assuntos(o W., a religião e a chantagem).Antes de tudo, saiba se o que essa pessoa diz ter feito é verdade, pode ser um blefe né. E se for verdade, acho que precisas mesmo falar para sua família sobre você, antes que outro fale, é bem pior saber essas coisas pela boca dos outros, acredite, eu tive uma experiência parecida, não em relação a escolha sexual,mas em relação a algo errado que eu tinha feito.rs No mais, se o W. diz que só fala se você falar, acho que ele irá te apoiar se você resolver falar a verdade pra sua família né. E sobre a questão da religião, também acho que deves pensar o que quer da sua vida, podes muito bem ainda acreditar em Deus/Jesus, orar/rezar todos os dias sendo você mesmo, gay ou não, Deus vê seres humanos, não rótulos ;}

Beijos ><

Vanessa disse...

Que situação difícil. Que angústia, viu? Mas eu acho que o M. deveria contar logo aos pais! Também acho que será melhor que saibam pelo M. Acho que o M. e o W. podem vencer os obstáculos juntos. Mas que ódio dessa pessoa chantagista maldita. Por que não vai cuidar da própria vida?

Ana Seerig disse...

Acho esse negócio de imposições de religião muito errado. Somos quem somos, independente do que os outros têm por certo. Precisamos nos assumir como somos, não pelos outros, mas por nós. Fingir ser o que os outros querem que sejamos exige muito de nós, nos desgasta. Assumirmos quem realmente somos também é duro, mas pelo menos nos deixa de consciência limpa, pois estamos sendo sinceros com nós mesmos...