terça-feira, 19 de junho de 2012

Querido diário



[Extraído de um dos meus diários de 2007.]


"Macapá, 19 de junho de 2007.
  
  Engraçado como o tempo passou voando de novo. Quer dizer, se arrastou em vários momentos, principalmente nas aulas de geografia. Céus, como eu odeio aquela professora. Odeio mesmo. Quando eu for professor, juro que nunca farei como ela, de só pegar o livro e mandar os alunos copiarem e atribuir nota. Acho tão patético. Enfim, eu passei o dia todo pilhado porque hoje é 19 de junho, terça-feira (faltei à educação física porque fingi estar morrendo de dor nos pés quando na verdade só queria dormir um pouco mais), 19 de junho. Véspera do meu aniversário. Eu sei lá o que me dá quando chega a época de completar anos. Eu gosto e não gosto. Ainda vou completar treze anos e já parece que tenho uns dezesseis e o povo da escola vive me falando isso. Já estou praticamente de férias, então amanhã nem farei questão de ir à aula. E ganhar aquelas aulas insuportáveis de história e geografia como presente de aniversário? Prefiro morrer. Não, não prefiro não. Ah, não sei mais de nada. Estou tão nervoso que só estou dando voltas e voltas e voltas ao invés de escrever o que eu passei o dia todo querendo escrever. São quase onze horas da noite e eu ainda estou aqui, pensando. Meus doze anos foram bem melhores do que eu imaginava. Ganhei um monte de coisas bacanas e quebrei bacana a minha cara com um monte de coisas também. Sei que nada acontece em vão, como diz mamãe, mas foi preciso para que eu aprendesse. Ai, lá estou eu dando voltas de novo pra não falar nada. Ok, vamos organizar os pensamentos: agora, eu penso em crescer além da altura. Crescer em todos os sentidos. Eu tenho doze (quase treze) anos, mas estou na oitava série e tem gente que estuda comigo que tem praticamente dezoito anos e se porta que nem um moleque! Não quero isso pra mim. Não mesmo. Eu tenho a Marina, que acho que foi a maior conquista da minha vida. Falando nisso, só o fato de ela gostar de mim é o suficiente para esse aniversário ser melhor do que todos os outros aniversários. Sou feliz com pouquinhas coisas, com coisas simples! Acho que esse é um sinal de que eu amadureci, não é? Ou estou imaginando? Também, se eu não amadurecesse com o tanto de coisa que aconteceu... Primeiro, a Marina. Começamos a namorar. Depois, me descobriram como escritor. Eu não escrevo nada, pra falar a verdade, mas se dizem que eu escrevo bem, o que fazer? Comemoro! E ainda teve a paralisia facial, só pra finalizar. De 20 de junho de 2006 até hoje aconteceram tantas coisas que contribuíram pra que eu crescesse (pra cima também)! Me sinto feliz de estar vivo e escrevendo isso aqui, agora. Só de dispensar os presentes de aniversário e estar estipulando prioridades, sinto que minha missão em mais um ano de vida foi cumprida. Vamos ver como será daqui pra frente! Ano que vem estarei escrevendo esse "livro" narrando o dia de hoje de novo, só que com quase quatorze anos e no ensino médio. E quem sabe, com a Marina junto de mim. Mas é melhor ir com calma, não? Um dia de cada vez. Um dia de cada vez.
Opa, já passa da meia-noite. Feliz aniversário pra mim!
Tiêgo."

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Sim, galera, eu escrevi isso tudo um dia antes do meu aniversário de treze anos, há cinco anos atrás. Parece que foi ontem. Estava chorando aqui por relembrar tudo isso de novo, mas me fez um bem tão grande! Escolhi esta lembrança para mostrar a vocês por ela ser uma das mais fortes que possuo e por conter lições que sei que vou levar para o resto da vida. Foi a cada página dessas que eu fui me tornando a pessoa que sou hoje, prestes a completar dezoito anos. Abandonei os diários, confesso, e sinto a maior falta deles. Mas fiz como eu mesmo me impus naquela folha de diário: vivi "um dia de cada vez". E não me arrependo nem um pouquinho disso. Agora, olhando pra trás e percebendo que a cada ano que se passava, um Tiêgo novo ia se moldando, vejo que se eu sou feliz hoje é porque fui o Tiêgo dramático dos onze anos, o realista dos doze, o apaixonado dos treze, o encantado com o ensino médio dos quatorze e por aí vai. Todos eles moraram dentro de mim e talvez ainda estejam em algum lugar por aqui. Que eles saibam desde sempre que sou muito grato a todos eles por tudo o que eles me permitiram ser todos os anos. E que me moldem de um jeito que eu possa me lembrar todos os anos, um dia antes do meu aniversário, como eu sempre faço. É hora de crescer um pouquinho mais - só que dessa vez, com a vida adulta no controle.
Opa, já é quase meia-noite. Quase feliz aniversário de maioridade pra mim!
Até logo, gente!

Tiêgo.

4 pseudocomentaram:

Thamy disse...

Isso, joga na cara da sociedgi, vulgo eu, que tinha 16 anos e era uma completa boba e tem 20 e continua mais boba ainda! Olha só como você escrevia aos 13!!

Não quero mais viver nesse mundo!

Adeus!

Jeniffer Yara disse...

Foi como assistir um filme, com um flashback no começo. Que lindo você escrevendo aos quase 13 anos, e como já escrevia bem, Gosh. É lendo nossos diários, resgatando lembranças, pensamentos e impressões do nosso passado que vemos o quanto mudamos, e não são todas as pessoas que podem dizer que mudaram para melhor, com certeza você não é uma delas <3 Tenho certeza que a cada ano, cada novo aprendizado, você está mudando para melhor, sempre ♥ E que continue assim.

Seu lindo, feliz aniversário *O*

Beijos

Nina disse...

Também me emociono ao reler meus diários. O meu próprio blog é um diário daqueles. Afinal, comecei-o para curar uma desilusão amorosa. Hoje quero mudar o mundo.
Abraços.

Luana Natália disse...

Nostalgia gostosa, essa, né?
Parabéns pelos 18 anos, é um grande passo.
E muito legal você ter conseguido cumprir a promessa que fez a si mesmo aos (quase) 13 anos, viver "um dia de cada vez".
Todos nós deveríamos fazer isso, porque o tempo passa tão rápido que daqui a pouco nos veremos velhos e cheios de frustrações.
Eu desejo a você boa sorte nessa sua vida já adulta.
Beijos :)