sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Uma estória sobre bullying, parte final

Em tempo: aqui está a parte um. E espero que vocês curtam o desfecho do conto!


* * *
Todos os outros ficaram paralisados, sem reação. Já eu, uma vez no controle da situação, falei tudo o que deveria ter falado desde o início desta brincadeira sem a menor graça.

- Antes de mais nada, Otávio, meu nome é Cássio. E se eu quisesse, poderia te arrebentar agora dentro desse banheiro, porque sei que esses três patetas não pularão para te defender. Mas como eu não sou de bater em ninguém, espero que você crie vergonha nessa sua cara cínica e nunca mais diga nada do tipo para mim. Homem de verdade não se esconde atrás da caricatura de um moleque que fica intimidando os demais com palavras ofensivas. A "bichinha" aqui se amedrontou no começo, mas viu que você não passa de um pirralho que ainda não acordou para a vida e está fazendo outras pessoas agirem do mesmo jeito e fechando ainda mais os olhos. - Ele esboçou uma reação e eu, em ato reflexo, pressionei-o ainda mais contra a parede. - E experimente me dedurar ou coisa assim para você ver se eu vou ter coragem de te alisar de novo - finalizei, mal acreditando no que tinha acabado de fazer.

Soltei-o e parecia que o sangue tinha fugido da cara dele. Os outros três me olharam com ar de incredulidade antes de saírem do banheiro e irem embora em um silêncio absurdo para quem tanto me xingou em quase um ano. Otávio me olhou com a pior cara de arrependimento que se possa imaginar e disse algo que jamais imaginei que fosse sair da boca dele:

- Desculpa. Por tudo.

Foi a minha vez de ficar perplexo. Com a surpresa estampada no rosto, encarei Otávio e sorri. Como todo bom vencedor. E ele, como um bom perdedor, admitiu a derrota. Confesso que saboreei devagarinho a sensação de poder e vitória que me era desconhecida até então.

- Bom saber que você se arrependeu, Otávio. E eu não sou de guardar rancor de ninguém, mas não pense que vou esquecer tudo de uma hora para outra. Por mim, vamos começar do zero. E que você escreva do jeito certo dessa vez - terminei, já indo emora quando ela desatou a falar de si. Disse que os pais eram viciados em drogas e que ele sofreu com isso a vida toda na escola, pois todos sabiam daquilo e o apelidavam de coisas horríveis. A única forma que encontrou de se sair das agressões psicológicas foi agindo da mesma forma com tudo e todos. Mas que agora tinha descoberto a lição e percebido o quão ruim era praticar o bullying, tanto quanto era sofrê-lo.

Acho que eu não poderia ter ficado mais surpreso. Por um momento pensei que ele fosse chorar, mas felizmente, Otávio levantou a cabeça, pareceu ser outra pessoa depois daquilo e seguiu seu caminho. Eu já esquecera do soco que ele tinha me dado, mas me lembraria daquele instante para sempre. O momento em que descobri que cada um de nós é provido de fragilidade. E que basta acessá-la para nos tornarmos um pouco mais humanos; exatamente como o Otávio fez comigo e exatamente como fiz com ele há alguns minutos atrás.

* * *
O bullying é um transtorno comportamental que pode ser revertido a partir da conscientização acerca de suas práticas e das consequências delas. Muitas vezes, o agressor se sente intimidado por algo/alguém e, para se equiparar, intimida também. A melhor solução é o diálogo, por mais clichê que isso possa parecer. Se não conseguir falar sozinho com o agressor, que fale com alguém mais velho sobre isso e que cheguem todos a um consenso, seja no setor pedagógico do colégio, seja num encontro entre responsáves para que estes possam mediar a conversa entre ambas as partes afim de que não hajam brigas nem discussões pesadas. Praticar bullying não é legal, limita uma pessoa e traz consequências graves para o psicológico do agredido. Por isso, combata-o! DIGA NÃO AO BULLYING!



2 pseudocomentaram:

Evelyne Joyce disse...

Apoiado!
Acho que o bullying por causa de orientação sexual é um dos piores que existem. Porque se uma das primeiras reações de quem sofre bullying é tentar mudar para deixar de sofrer bullying, ele não pode fazer isso, apenas fazer coisa muito pior: reprimir seu próprio jeito de ser.
=/

Evelyne Joyce disse...

*repeti várias vezes a palavra bullying, mas tá valendo.
hahaha.
beijo Tiêgo.