quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Green Mount, 4


- Que grata surpresa! - ele exclamou, ao me ver sentado no topo do morro.
Não havia ninguém ali por perto e um frio percorreu minha espinha. Ele poderia me matar facilmente com um golpe na cabeça, já que eu estava de costas para ele - hoje em dia temos que pensar no pior até nas circunstâncias mais legais. Mas ele me matou mesmo foi de susto.
- Caramba, Dimas, que susto! - disse, espantado. Ele estava mais lindo do que estava no musical, com os cabelos penteados como eu o tinha visto na biblioteca, mas com uma T-shirt quadriculada de preto e branco e uma calça jeans preta, combinando com os olhos e os cabelos. No rosto, para a minha surpresa, estavam óculos novinhos em folha. Ele riu ao ver minha expressão ao reparar no acessório.
- Eu tenho mais dois reservas. Vivo perdendo todos porque de vez em quando a miopia ataca nos ensaios do musical, aí eu preciso usar, infelizmente. Não é charminho nem nada do tipo não, viu? - ele disse, com um sorrisão no rosto.
- Eu percebi. Você quase caiu ontem ao descer as escadas da biblioteca, lembra? - recordei o fato que o fez explodir em gargalhadas.
- Não precisava lembrar! Minha visão é boa para o dia-a-dia, mas como eu disse, tem horas que sinto como se tudo embaçasse. Aí preciso dos olhos extras - completou, rindo.
- Eu acho legal. Acho bonito - não sei de onde saiu a coragem pra falar isso. Ele ficou vermelho.
- Você me chamou de bonito? - perguntou, sério.
- Se você entendeu desse jeito, sim. - estava decidido. Eu já não me importava mais com nada.
- Obrigado.
Silêncio.
- E obrigado de novo, por ter ido ao musical - disse, recuperando o tom natural do rosto. Comecei a metralhá-lo de perguntas.
- E por que você não me disse que ia atuar? Por que me chamou até aqui? Por que me intimou para o café? Por que não me...
Dimas não me deixou terminar. Um beijo tão profundo e sincero me calou a boca com voracidade.
Correspondi, lógico, porque eu esperava por aquilo desde o primeiro momento em que olhei para aquele rapaz. Só não esperava que um: seria correspondido e dois: que aconteceria tão rápido. Enquanto nossos lábios não tinham a menor pretensão de se soltarem, mil e um pensamentos se passavam pela minha cabeça. E tudo o que eu menos queria era ficar longe dele. Queria ouvi-lo cantar, falar sobre o musical, sobre os livros que gosta de ler, sobre o que mais faz da vida. Sobre o que pretende fazer, os filmes que gosta de ver, as angústias e as tensões que passam pela cabeça dele. Eu queria o Dimas como eu nunca quis cara nenhum.
E ele estava ali, bem na minha frente, beijando-me os lábios com o desejo que tomou conta de mim durante esse tempo todo (grande tempo, dois dias).
Ele abriu os olhos e eu permaneci com os meus fechados. Dimas sorriu e perguntou, bem baixinho:
- Por que não abre os olhos?
- Porque é um sonho. E eu estou com medo de acordar.
- Abra os olhos.
Abri.
- Fecha os olhos.
Fechei.
- Abra de novo, Tiêgo.
Abri.
- É real - Ele me beijou de novo, só que bem mais rápido dessa vez. - E acho que era de você que eu estava precisando.
- Você parece um sonho.
- Mas eu não sou. E parece mentira que alguém tenha se interessado por mim - disse ele, deixando-me surpreso. Eu definitivamente acho que ele faz bem o tipo da maioria das pessoas. Ele é bonito. Eu é que não me sentia "à altura" dele.
- Você é lindo. Para com isso - disse. - E eu acho que você deve responder às minhas perguntas, porque eu detesto ficar sem respostas.
- Precisa ser agora? - perguntou ele, ranzinza. Até daquele jeito ele ficava lindo.
- Depende. Por que da pergunta?
- Porque eu quero ocupar a minha boca com outras coisas agora.
- Agora?
Seus lábios encontraram os meus novamente. E de novo, e de novo...

2 pseudocomentaram:

Babi Farias disse...

"- Por que não abre os olhos?
- Porque é um sonho. E eu estou com medo de acordar.
- Abra os olhos.
Abri.
- Fecha os olhos.
Fechei.
- Abra de novo, Tiêgo.
Abri.
- É real - Ele me beijou de novo, só que bem mais rápido dessa vez. - E acho que era de você que eu estava precisando."

Ai que encanto, Tiii! Estou histérica com seu conto e com a pulga atrás da orelha: isso tudo aconteceu de verdade ou não? Sei que um escritor nunca revela sua fonte, mas estou aqui a espera de mais um capítulo.

Beijo!

Tay disse...

"Enquanto nossos lábios não tinham a menor pretensão de se soltarem, mil e um pensamentos se passavam pela minha cabeça. E tudo o que eu menos queria era ficar longe dele. Queria ouvi-lo cantar, falar sobre o musical, sobre os livros que gosta de ler, sobre o que mais faz da vida. Sobre o que pretende fazer, os filmes que gosta de ver, as angústias e as tensões que passam pela cabeça dele. Eu queria o Dimas como eu nunca quis cara nenhum." <3 <3 por favor, apaixonaaada.