terça-feira, 22 de outubro de 2013

Musical, 3


Eu amava musicais, mas nunca tinha escutado falar de A Chorus Line. Pode parecer negligência, mas só depois fui olhar no Google sobre o espetáculo.
Às sete horas da noite, pontualmente, eu estava lá. O Teatro Municipal era lindo. Eu me culpava por só ter ido lá uma vez, mas já tinha me prometido que iria mais vezes, pois produções culturais legais aconteciam ali o tempo todo e eu não ia porque era um bocó.
Achei que seria grosseria de minha parte entrar sem esperar o Dimas. Sentei num dos banquinhos de mármore espalhados pela entrada e aguardei. Passaram dez minutos e o espetáculo estava prestes a começar e eu não sabia o que fazer. Decidi entrar, para não dizer que a noite tinha sido em vão. Já estava meio assim, mas entreguei o ticket à moça que ficava na recepção, ela me desejou um bom espetáculo e só o que eu queria era um bom Dimas do meu lado. Ou um Américo, não sei. Agradeci a ela e entrei.
Tinha gente até não querer mais. Ainda consegui sentar na sétima fileira, e havia uma cadeira vaga do meu lado esquerdo, ao  lado do corredor. Imediatamente após me acomodar na cadeira, as cortinas se abriram.
Assisti atento a cada passo dado pelos atores. No terceiro ato, eu já tinha até esquecido porque estava ali quando Dimas surge dançando sapateado e cantando, enquanto os demais cantavam. Senti todos os pelos dos meus braços se arrepiarem. Volta e meia eles desciam do palco e Dimas veio em minha direção, dançando em uma perfeita sincronia com os colegas atores. Eu não parava de sorrir. Ele deixou cair um papelzinho enrolado na cadeira vazia ao meu lado e piscou, enquanto retornava para o palco antes do número terminar. Apanhei-o, mas só o abri no final do espetáculo. Dimas retornou muitas vezes para o palco, atuando, dançando e me emocionando. A Chorus Line era um musical sobre a diversidade, pude bem notar isso. Todos bastante talentosos numa harmonia incrível. Eu era só sorrisos no último ato, que segundo uma mocinha do meu lado, se chamava "One". Todos cantaram juntos e era uma quantidade impressionante de gente naquele palco. Não cheguei a contar, mas acho que tinha mais de cinquenta pessoas. Dimas estava na fileira principal, com outros dez atores e atrizes. Ao encerrarem a canção, a plateia toda aplaudiu de pé, emocionada com o esforço e dedicação de cada um. Dimas sorriu para mim antes de ir para o backstage e só então abri o papel para ler o que estava escrito numa caligrafia impecável:
- "Obrigado por ter vindo. A lua está linda hoje. Se você for do time dos amantes dela, o musical termina às dez. Vou te esperar no Morro Verde, você sabe onde é. Se não, vai ser perfeitamente compreensível. Até! Dimas."
Eu fiquei sem reação. O Morro Verde era um ponto de encontro de casais.

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