terça-feira, 4 de agosto de 2015

Controvérsias


"Oh dear diary, I met a boy
He made my dull heart light up with joy." 
(Marina and the Diamonds - Bubblegum Bitch)



E foi isso mesmo que aconteceu.
Com o bônus de que eu não provocava e talvez nem vá provocar o mesmo nele.
Estive pensando no quão eu já mudei de uns tempos pra cá. Mais exatamente desde 2012, quando tive uma das desilusões mais brutais com o amor. Aprendi a ser um pouco mais resistente com relação a sentimentos - o que de certa forma também me deixou mais frio. E isso aconteceu em todos os níveis afetivos: amizades, paixões, amores. Foi uma necessidade de se fechar além do que eu imaginava. E assim passei todos esses anos, meses, dias: evitando, protegendo a mim mesmo de uma catástrofe que pudesse me desnortear como das outras vezes, nas quais eu não me sentia de outra forma se não como um nada.
Mas aí a vida prega peças na gente. Peças que nem sempre tem graça. Ou que não tem a menor graça.
Tentei escapar, confesso, tentei mesmo. Resisti. Fiz objeção. Relutei. E dei o primeiro passo. 
Não sei bem o porquê. Mas dei.
(in)Felizmente, fui imediatamente (cor)respondido.
"He made my dull heart light up with joy", como diz a Marina and the Diamonds. Sem fazer a menor ideia de que estava causando tamanha sensação intensa e arrebatadora dentro de mim.
Overdoses de "ois", "bom dias" e "como você tá" me extasiaram por semanas. Nas ausências, a dor era inevitável.
Ser fortemente ignorado por vezes não me parecia tão ruim. Muito pelo contrário, sentia até que era como se eu precisasse daquela distância a fim de que sentisse a saudade gostosa, de saber que está distante de alguém que uma hora ou outra vai estar perto de mim.
Porém, uma hora começa a doer. E a doer forte, uma dor tão forte ocasionada pela confusão dentro de mim que eu já não sabia controlar. Eu só queria poder gritar, ser sincero, abrir o jogo sobre os meus reais sentimentos antes que eu enlouquecesse.
Foi essa dor que me despertou de um transe.
O transe que me fez parecer o adolescente de alguns anos atrás.
Agindo como um moleque. Um menino que não tinha coordenação dos próprios sentimentos (pois a resistência não era criada em vão. Eu havia aprendido a lidar com o que eu sentia).
Acordei. 
Após uma semi-devastadora verdade.
A recíproca era verdadeira. Mas não tão verdadeira assim. Era uma recíproca parcial, que me satisfazia plenamente com um centímetro de coisas perto do que eu fazia.
Acordei fortemente do transe.
Lutei contra as minhas próprias insistências sentimentais até que vi. Olhei. Percebi. Constatei. Contemplei a espetacularização do meu eu-lírico amoroso sendo despedaçado ao notá-lo próximo a outro. 
E doeu. Assim como dói acordar todas as manhãs para estudar ou para trabalhar.
Assim como a dor de bater o dedo mindinho no pé da mesa da cozinha.
Assim como a dor lancinante de sofrer uma queda no meio da rua.
Era só mais uma dor.
A dor que eu, (in)felizmente, já tinha me habituado a sentir.
E a, felizmente, superar.
A ele, deixo a consideração e a felicidade de alguém que, de um jeito ou de outro, soube se manter firme depois de uma onda grande de instabilidade emocional.
E dois versos, que significam muito - tanto quanto cada palavra deste texto:

"You still mean everything to me
But I want to be free."
(Marina and the Diamonds - I'm a Ruin)

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