sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sobre crescer (em diversos sentidos)


Esse ano resolvi fazer diferente.
Todos os anos, eu costumo fazer uma longa retrospectiva com tudo o que me aconteceu. Mas esse ano decidi fazer apenas um balanço do que me aconteceu de bom ou de ruim, até porque já é primeiro de janeiro, confraternização universal, e as vibes de feliz ano novo ainda estão me contagiando (e espero, de verdade, que isso continue assim por muito mais tempo). E colocando na balança os acontecimentos mais marcantes de 2015, acho que tive um ano muito bom. Não, minto, foi além disso. Foi um ano excepcional! Foi um ano para eu não esquecer tão cedo.
2015 me mostrou que a distância é relativa demais. E que ficar esperando demais por algo só me faria corroer por dentro sem necessidade. Comecei a me mexer para ir atrás de tudo aquilo que eu queria de fato. E apesar de não ter conseguido alcançar tudo, tive a prova de que vale a pena demais sair do meu lugar de conforto para alcançar um patamar que parecia distante, mas que estava apenas a alguns passos de mim.
2015 me passou a perna em muitos momentos. Achei que já iria me formar na universidade quando veio mais uma greve. O pesadelo de 2012 estava de volta. Quem me acompanhou por aqui ou pelas minhas redes sociais tanto em 2012 quanto em 2015 viu que eu fiquei extremamente agoniado, pois esse fato me impediu de fazer muitas coisas que eu pretendia ter feito. Mas em compensação, nem tudo foi ruim: ficar parado por cinco meses foi só em termos de ir pra universidade e voltar, pois comecei a fazer pesquisa e a levar a sério a ideia de ir para o mestrado. Atingi uma maturidade em termos acadêmicos que me surpreendeu. Sempre fui "bom" aluno, mas ficar no ócio por tanto tempo me fez correr atrás dos meus estudos sem precisar de ninguém. Além disso, fui sozinho defender um trabalho em Belém, na famigerada Universidade Federal do Pará (ocasião na qual eu também conheci a MARAVILHOSA, linda, fashion, rainha, deusa, gótica suave e musa Jeniffer) e foi tão incrível que antes de acabar o ano repeti o feito na minha universidade, mas falando sobre gênero e diversidade. Realmente, eu me superei. E constatar isso me deixa feliz pra caramba.
E taí uma coisa que 2015 me mostrou que poderia ser diferente e foi: ser feliz.
2015 me deu momentos de lazer que eu jamais imaginei que fosse ter. Eu tinha horror a socializar e ver gente por aí. Preferia um tiro do que mostrar para meio mundo que eu não sabia dançar. Fora que eu não bebia. Até que numa ocasião específica não havia água numa festa na qual fui e aí puff, tive que beber chopp. E nem foi de todo ruim, já que a sede falava mais alto. Daí para frente, só me aprofundei e descobri que saindo casualmente, dá para promover uma diversão digna, bebendo dignamente e se jogando na pista, coisa que fiz até demais. Ah, tomei o primeiro porre da minha vida também em 2015 e isso dificilmente será esquecido por mim - e pelos meus amigos. Da série "coisas ruins que podem se tornar boas".
2015 também me mostrou que eu ainda tenho muito o que aprender em termos de relações sociais. Desfiz amizades, afastei outras, outros se afastaram de mim, mas como há males que vem para o bem, conheci pessoas incríveis e que também me fizeram crescer. Especialmente as pessoas que me ajudaram a enxergar melhor a realidade que me cerca. Até deixo meu agradecimento mais sincero por cada um que me ajudou, direta ou indiretamente, nesse ano. Sozinho, 2015 teria sido uma bomba-relógio, pois o dia-a-dia passou a me estressar de uma forma que nem eu mesmo conseguia acreditar. Sem meus amigos, colegas e família, dificilmente eu suportaria muitas barras pelas quais passei.
E muitas dessas barras, a propósito, eu tive que enfrentar, como a homofobia escancarada. Por isso, em 2015, passei a problematizar (chegou o viciado em problematizar) questões de machismo, homofobia, racismo e muitos outros problemas que estavam visíveis, na palma do meu nariz, e eu não quis enxergar. Comecei a ver tudo por ângulos diferentes. E aprendi demais, mesmo, com os erros e com os acertos. Tanto que transformei em conhecimento científico muito do que vivi nesse ano. De fato, acho que a vida adulta me acertou em cheio.
Seria negligência minha não citar que em 2015 levei dois bailes homéricos de crushes. Tive que ser otário em 2015 só para não perder o costume. Tive uma dificuldade enorme para superar ambos, mas felizmente começo 2016 emocionado pois não tem mais um vestígio da tristeza que ambos me causaram. Cabe aqui, acho, o famoso vida que segue e em 2016 espero que crush seja sinônimo de coisa boa e não mais de imagens de dor e sofrimento na minha cabeça. Aliás, de preferência, que eles nem aconteçam.
E por fim, eu precisava deixar registrado que, raspando a cabeça no batente do box do banheiro e indo à farmácia em seguida, constatei que cresci um centímetro. Não sei mais o que pensar dos meus hormônios, do meu organismo, e do meu corpo que agora tem 1,85m.
Com tudo isso, resta agradecer a 2015 por tanta coisa boa e mesmo pelas ruins, que me possibilitaram crescer, de uma forma ou de outra. Aprendi com erros e com acertos e meu desejo maior para 2016 é que eu siga crescendo (menos pra cima porque nem eu aguento mais crescer), amadurecendo e fazendo de cada dia uma oportunidade para refletir, pensar e agir sobre o mundo que me cerca.

Some of us have to grow up sometimes  
And so if I have to, I'm gonna leave you behind. 
(Paramore - Grow Up)