Ontem, após um dia daqueles, felizmente pude contar com algum tempo do descanso que eu não conheci durante toda a semana; quando não era a universidade com suas mil e uma implicações em minha vida, era o trabalho ou os cursos que faço de francês e inglês, para não contar um relacionamento que está sobrevivendo (graçasadeusmente) à toda essa loucura que é minha vida. Mas sabe quando você se pega pensando em algo que você não fez e que se arrepende muito de não ter feito? Pois então, foi exatamente isso que senti quando agarrei aquela pausa noturna da loucura diária para pensar.
E pensar em como eu era feliz e não sabia (por mais clichê que isso possa parecer).
Assim que parei para pensar, lembrei de 2009. Foi um dos piores anos da minha vida, porém foi o ano em que eu mais cresci como homem. Naquele ano, eu me vi preso em algo do qual eu precisaria me libertar por minhas próprias mãos - e assim o fiz. Em 2009, depois de mil tentativas frustradas, nasceu o A Pseudociência e desde então estamos juntos numa parceria que, se depender de mim, vai longe. E foi mais ou menos aí que meus pensamentos pararam. Eu sinto falta de escrever como eu escrevia antes. Não sou mais o mesmo há muito tempo e eu entendo isso perfeitamente. Só queria nunca ter perdido aquele jeito tão singular que eu tinha de lidar com as palavras. Hoje elas já não me saem mais com tanta facilidade quanto saíam há três anos atrás e isso me dói, mesmo que seja a mais pura verdade. Não é possível que eu tenha me tornado refém da obrigatoriedade para poder escrever e me sentir livre de mais uma obrigação. Não, muito pelo contrário! No dia em que isso acontecer, podem ter certeza que eu não serei eu mesmo. Pois eu escrevo pelo simples prazer de ver grafado tudo aquilo que se passa em meu coração.
Não sei como explicar. Mas sei que não sou mais o mesmo. Cresci, adquiri responsabilidades, tornei-me gente, por assim dizer. Só que a saudade fica. A saudade de falar das vingancinhas do colégio, a saudade de falar de como foi ruim a minha nota em geografia, a saudade de falar sobre como eu enxergava o meu futuro. Tudo mudou. E bem ou mal, não tem mais volta.
O que me resta é continuar perseverando que a escrita nunca deixará de fazer parte de mim. Podem vir mais dez, vinte anos. Ela estará intacta, correndo em minhas veias junto com meu sangue. Apenas se adequando aos meus mais diversos momentos - tal como absolutamente tudo nesta vida.
Um desabafo, um relato, não sei no quê este texto se classifica. Só sei que escrevê-lo não doeu. E só confirmou as minhas suspeitas: o escritor ainda vive!



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