terça-feira, 14 de maio de 2013

Free


Meu semestre na universidade encerrou quarta-feira passada e não consigo descrever de maneira plausível o quão aliviado estou por isso. Tirar o peso de tantos trabalhos, apresentações e afins das costas me foi uma mão na roda: agora, felizmente, posso pensar um pouquinho mais em mim. Coisa que eu não venho fazendo há semanas.
Nesse início de recesso (acaba dia 27. Ô DÓ.), depois de ter descansado bastante, comecei a refletir sobre a mudança drástica que afetou minha vida nos últimos meses. Sinceramente? Olho-me no espelho e não me reconheço. Sou outra pessoa, totalmente diferente. Quando começo a colocar na balança e ver que muito do que eu era já se foi, não sei dizer como me sinto. Feliz, talvez, pelo amadurecimento que chegou com tanta responsabilidade junta; ou triste, por constatar que a cada dia que passa dou adeus a um pedaço do Tiêgo que por tantos anos viveu em mim. Faz parte da vida, sendo bem clichê, crescer. Tornar-se homem. Aprender a reconhecer que existem muitas outras coisas que merecem nossa atenção além de meras superficialidades. E creio que com tudo o que tenho vivido, experimentado, sentido, este novo mundo já faz parte de mim.
Digo isso tudo porque agora sim percebo que "tudo muda o tempo todo no mundo". O que planejei há cinco anos atrás não faz mais tanto sentido hoje. Aliás, o que planejei há um ano atrás já não é mais o que penso para agora. Essa constante mutação de pensamento passou a me afetar de tal forma que não tive mais para onde fugir - só me restou acatá-la. Aceitar que essa mudança de vida me acompanhará para sempre, inevitavelmente. E que essa aceitação mudará o rumo dos meus passos. Meus passos serão guiados dia após dia, com o decorrer das experiências vividas.
Completo esta fala dizendo a você, leitor que não me abandona (e agradeço de coração por isso), que eu não prometerei mais vindas e mais vindas para cá, para o blog. Ele era uma das minhas prioridades, confesso, mas não é mais. Quando o desejo de escrever for maior do que tudo, virei para cá e despejarei meus pensamentos, angústias e reflexões para vocês. Ele continuará aqui, intacto, pois não tenho a pretensão de deletá-lo, mas não me esperem mais com a frequência de antes (já afetada há alguns anos). Sempre que possível, postarei. Até porque muito do que eu sou como escritor, devo a este blog e a vocês, que "me leem" aqui há quatro anos e ainda tem os que me acompanham há muito mais tempo.
Portanto, entendam este post como uma carta de libertação. É assim que eu me sinto agora: livre. Sem obrigações. Sem metas a cumprir ou coisas do tipo. Este blog será o reflexo do meu novo 'eu' a partir de hoje. E esse novo eu, sem sombra de dúvidas, será ainda mais sincero do que foi durante todo o desenvolvimento deste texto.

De uma nova pessoa,

Tiêgo.

domingo, 31 de março de 2013

Eu volto, eu volto!

Galera, minha vida tá num nível hard que vocês nem imaginam. Final de semestre (vocês começando e a gente da federal sofrendo com o final do 2012/2, olha que dor), início de ano das crianças no trabalho, final do curso de inglês... Muita coisa ao mesmo tempo e o vosso blogueiro está sufocando. Ainda tenho um mês todo de dor, porque meu semestre só encerra dia 2 de maio e até lá tenho mais trinta dias lindos pra penar com um monte de coisas. Não sei se passarei por aqui em abril ou não, mas em maio a produção aqui será fértil, creio! Vou tirar férias de um mês. Então não terei motivo para não me dedicar ao meu cantinho que anda tão largado... But the dog days are over. Quero voltar com um lay bem bonito e com um monte de textos novos pra vocês. Vamo que vamo!

Ah, e um PS bem rapidão: participei de um concurso de crônicas que o III Encontro Amapaense dos Estudantes de Letras promoveu semana passada e eis que vosso blogueiro levou o primeiro lugar! Fiquei deveras feliz! E é pra vocês verem que, quando não estou em atividade por aqui, estou escrevendo nos intervalos das aulas, nas noites de insônia e afins. Aqui está o resultado e minha crônica está em anexo. Fiquem com ela nesta ausência daqui. Logo, logo, estou de volta. Até mais!

Tiêgo R. Alencar

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Dos clichês que fazem sentido

[Post baseado neste texto da minha queridíssima amiga Jenny.]

Numa roda de amigos, certa vez, jogávamos verdade ou consequência. Entre uma verdade e outra consequência, eis que a garrafa me indicou à berlinda. Meu amigo que havia girado a garrafa me desafiou a falar a verdade - eu deveria contar se eu já havia feito sexo. Virgem e conhecido pela minha sinceridade e ingenuidade, disse que não, que não tinha transado com ninguém até então. Naquele tempo, eu já era alto e tinha todo um porte de homem, mais do que tenho hoje - aí vocês imaginam a bagunça que eles fizeram comigo. Ninguém acreditava que um homem daquele tamanho ainda fosse virgem no auge da adolescência, enquanto todos se gabavam de suas experiências sexuais. Só que para mim, por incrível que pareça, aquilo era a coisa mais normal do mundo. Sempre foi.
Mas nem todo mundo pensa da mesma forma, certo?
Foi por isso que decidi iniciar o texto com esse relato - 'ilustrando' um pouquinho do que julgo ser você mesmo. Naquela situação, eu poderia muito bem ter mentido e dito que era um ás em assuntos sexuais, mas preferi agir conforme eu sempre agi: sendo o que sou. Quem me acompanha por aqui sabe que não tenho vergonha e muito menos medo de falar de mim, do que passei e passo. Não tenho a menor vergonha de dizer que gosto até hoje de RBD, que vejo BBB e adoro, que sou viciado em açaí com ovos e que choro por qualquer bobagem. Não tenho vergonha porque sei que se eu esconder tudo isso, não serei sincero, tampouco honesto comigo mesmo. E creio que não haja nada mais insuportável para alguém do que viver sob uma manta fantasiosa que só existe para si e para mais ninguém.
Ah, e antes que pedras me sejam atiradas, um aviso: acredito plenamente na personalidade mutável do ser humano. Acredito que as pessoas mudam conforme o contexto no qual elas são inseridas. Mas a personalidade delas, aquilo que as tornam únicas, não se desvencilha jamais daquilo que está incrustado na alma. É exatamente disso que eu falo: não abrir mão do que você é por qualquer coisa. Não é só porque todos estão amando uma banda que você precisa amar também. E aquele romance épico que todos amam, mas você detesta? Você leu e não gostou, e aí? É a sua opinião, foi você quem achou aquilo e não há como contestar (ou talvez até possa, mas isso é outra história).
Até agora, creio eu, ainda não inventaram uma única coisa que agrade a gregos e troianos. Nem Deus foi capaz disso, já que há pessoas que não creem em sua existência. Daí fica a reflexão: onde está o sentido de criar uma máscara para si? Agradar as pessoas? Se auto-promover? Encontrar o pote de ouro no fim do arco-íris? Não creio que valha a pena. Ainda sou mais curtir Cinquenta Tons de Cinza e não ter medo de falar do que ter Machado de Assis como ídolo e não entender uma vírgula do que ele diz. Porque afinal, como diz Preta e Gilberto Gil naquela propaganda da TV, "ser diferente é normal". E ponto final.


segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Bullying, vinganças e Facebook*




Há alguns anos atrás, eu era um garoto complexado. Muito complexado. Não tinha vida social, tampouco amigos e ainda menos amigos de verdade. Por conta de toda esta  ‘reclusão social’, tive muitos problemas no colégio, especialmente no ensino fundamental. Não problemas de comportamento ou coisa do tipo, muito pelo contrário: eu era bastante elogiado pelos professores por conta das médias sempre altas. Meus problemas estavam nos colegas.
Para eles, eu não era exatamente o tipo ideal de pessoa. Respondia às questões dos professores, tirava dez, não tinha muitas amizades, não sorria, não era ninguém mesmo sendo alguém. Era assim que eles me viam. Só que eu não tinha o hábito de ligar para o que quaisquer pessoas dissessem sobre mim. Mas os colegas ligavam (demasiadamente) para essa indiferença notável que me era característica – e utilizavam a raiva que sentiam despejando vários e vários xingamentos. Eu era o “viadinho”, o “filhinho de papai”, a “bichinha” e daí em diante vocês já podem ter uma noção. Era um verdadeiro inferno. Ainda mais que na época em que eu estava no ensino fundamental, pouco se falava sobre bullying. O bullying naquela época não era uma doença, não era nada – pelo menos para quem via e para quem praticava. Para quem sofria, como eu, era de uma dor inenarrável. Era mais um motivo para que eu não quisesse estabelecer nenhum tipo de contato com alguém. A desconfiança era maior do que tudo.
O Vinícius** era o galã. Alto, cabelos negros e lisos no estilo Elvis Presley, tinha a hora em que ele bem entendesse todas as meninas do colégio. Usava a sua beleza como um escudo que o protegia de tudo e de todos e que o tornava indestrutível. Apelidaram-no de Capitão América por conta disso, lembro-me bem. E ele acatou o apelido com orgulho, como se fosse mesmo um super-herói. Só que ele não era. O que ele tinha de bonito tinha de ignorante, prepotente, baixo. Agia sem dó nem piedade de quem quer que fosse, inclusive dos próprios professores que, para ele, só estavam ali de enfeite, já que ele não aprendia nada. Eu não fazia ideia de quem ele era até o destino armar a brincadeira de nos colocarmos na mesma classe. Sétima série, eu com 11 quase 12 anos (sempre fui adiantado um ano), ele com 15. Terceira vez que repetia a sétima série – fator esse ignorado pelos seus “fãs”. Por não fazer questão de notar a presença de ninguém na escola, nunca tinha parado para prestar atenção naquele cara. E no mesmo instante em que pisei na sala no primeiro dia de aula, senti aquela presença imponente. Já existia um grupo de outros cinco garotos que sentavam próximos a ele e que riam alto e viviam atrapalhando os professores enquanto eles se esforçavam para lecionar. Eu tentava evitar, mas não conseguia. Eles eram extremamente inconsequentes. E eu não podia contestar nada, porque eu tinha forças para responder aos professores – jamais teria forças para bater boca com um cara que facilmente me daria uma surra antes que eu pudesse pensar em revidar.
Com isso, Vinícius e sua trupe começaram a me azucrinar. Repararam em meu jeito calmo e sempre preparado para as questões dos professores e veio a chuva de apelidos que eu já citei acima. Era na entrada, no intervalo, na saída, entre os horários de um professor e outro, o tempo todo. Nunca conseguia revidar, nunca. Eu era muito fraco, admito. Sentia medo. Não falava disso com mais ninguém – e nem precisava, uma vez que todo mundo via o que eu passava dia após dia.
O tempo passou, eu passei de ano, Vinícius passou também e seus súditos todos ficaram na sétima série. Neste ano, vivi uma das piores sensações de toda a minha vida: tive paralisia facial. Todo o meu lado direito do rosto não se mexia e eu não sentia absolutamente nada nesse lado. Vinícius não perdoou e continuou com o bullying, sem nem pensar duas vezes.  Eu sofrendo, sempre. Mas naquele ano, eu amadureci. Foi um baque atrás do outro e eu já estava com 13 anos, não me sentia mais um moleque. Foi então que decidi acabar com isso de uma vez por todas. Como? Indo direto ao ponto.
Sempre tive curiosidade acerca da vida do Vinícius, com quem ele morava, se tinha família ou coisa do tipo. Não admitia que um menino bonito daqueles pudesse agir de um jeito tão infantil e irresponsável quando tudo conspirava a favor dele. Foi então que parti em uma missão em busca de informações sobre ele. Descobri que ele tinha uma vida incrível – morava numa casa linda, num bairro nobre aqui da minha cidade. Vivia com os pais e mais dois irmãos. Tudo parecia normal, quando cheguei numa informação crucial: Vinícius era adotado. E não aceitava isso, de nenhuma maneira. Só que ele não deixava isso transparecer e era o filho modelo quando chegava em casa: carinhoso, atencioso, amigo. Os pais relevavam as notas e as reprovações por este jeito meigo dele de ser junto deles. Foi aí que eu decidi colocar meu plano em ação.
Fui à secretaria, disse que eu estava fazendo um trabalho em grupo e que o Vinícius fazia parte desse grupo, mas que ele não tinha ido à aula e eu precisava muito falar com ele. A secretária rapidamente me passou a ficha com o número da casa dele, anotei rápido e tentei ligar na frente dela, para que ela visse que eu não estava mentindo. Ninguém atendeu. Na segunda tentativa, já fora da sala, rezei para que fosse qualquer outra pessoa, menos ele. E assim aconteceu: a mãe atendeu. Disse a ela que eu era colega do Vinícius e que ele não era nada daquilo do que ela imaginava que ele fosse. E que ela precisava muito ir até a escola verificar que o filho tão amado dela não passava de um delinquente que machucava a todos sem medo de ser feliz. Ela ficou horrorizada quando falei isso, mas eu, com medo do que ela pudesse fazer, desliguei o telefone e dei meu jeito de voltar para a sala agindo naturalmente, como se nada tivesse acontecido. Minhas mãos suavam em bicas, de tanto nervosismo. Vinícius estava sentado no fundo da classe, como sempre fazia e àquela altura já tinha “convertido” outros colegas a agirem da mesma forma que ele. Decidi focar na aula, mesmo tremendo de nervosismo. O professor começou a perguntar sobre Hitler e eu lembro bem que havia estudado bastante sobre a Primeira e Segunda Guerras Mundiais  na noite anterior. Não me recordo qual foi a questão que ele colocou, mas eu respondi e, na mesma hora em que me posicionei para responder, fui atingido na cabeça por uma bolinha de papel cheia de corretivo lançada por Vinícius. Na frente do professor e de todos os outros colegas, que começaram a rir. O professor (que já havia se acostumado com as palhaçadas de Vinícius) se dirigia até Vinícius para levá-lo à direção quando a mãe dele apareceu, chocada, na porta. Ela não fazia ideia do comportamento do filho e nunca tinha ido à escola, em cinco anos, saber como ele agia. E desvendou tudo assim, rápido e fácil. Minhas mãos gelaram e meu corpo só teve forças para ir até o banheiro e me trancar lá dentro, onde limpei meu cabelo e tentei me acalmar, com medo de que sobrasse para mim. Aquela foi uma das atitudes mais corajosas (por mais covarde que possa ter parecido) que já tomei na vida.
Ao sair do banheiro, só ouvi os burburinhos. Todo mundo queria saber quem tinha ligado para a mãe do todo-poderoso e que agora tinha passado vergonha na frente da escola toda. Revoltada, ela brigara com Vinícius desde a nossa sala até a direção, onde ele levou uma bronca ainda maior. A mãe esquecera por completo que haviam ligado para ela falando do comportamento do filho e agora só queria saber de entender o que havia de errado com o filho dela, que numa hora era o amor em pessoa e na outra era o diabo em carne e osso.
Nunca soube ao certo o que aconteceu com o Vinícius depois de toda essa confusão. Só sei que ele foi transferido, a pedido da mãe, que deixou um pedido de desculpas a todos a quem ele ofendeu  (Vinícius se recusou a pedir desculpas publicamente) e um agradecimento a quem o havia “denunciado”.  Eu continuei sendo quem sempre fui, só que pelo menos por um restinho de ano, sem ofensas, sem xingamentos e sem Vinícius para me atormentar a vida.
Contei tudo isso porque agora há pouco, olhando o Facebook como de praxe, apareceu uma solicitação de amizade. Quando cliquei no ícone, qual não foi a minha surpresa? Vinícius me encontrou. E mandou convite. Preciso dizer mais alguma coisa ou a atitude por si só já não diz muito? Eu até aceitaria, se tivesse certeza que ele mudou. Mas como sei que não terei essa certeza tão cedo, cliquei em “agora não” e vim escrever este texto, antes que a inspiração me fugisse. Talvez ele jamais leia isso, mas obrigado, Vinícius, por ter me mostrado que eu ainda sei escrever. Espero que você tenha mudado para melhor. De um cara que mudou muito do ensino fundamental pra cá,
Tiêgo.

*A estória é real.
**Vinícius é um nome fictício. Decidi preservar a identidade dele, por motivos que só eu entendo.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Era uma vez uma vida social

SAUDADES FIM DE ANO.
Apenas digo isso.
Porque (não direi apenas 'saudades fim de ano', lógico) eu realmente estou ENLOUQUECENDO com tanta coisa ao mesmo tempo. Esse terceiro semestre na universidade está sendo o mais puxado até agora e estou respirando com dificuldade. O pouco tempo livre que tenho está sendo usado para dedicação única e exclusiva a uma surpresa que espero lhes revelar logo e para descansar, coisa que está ficando cada vez mais rara de acontecer. Sinto tanta falta de blogar com aquela vontade que eu tinha antes dessa mudança louca na minha vida. Para vocês terem uma noção, estou há uma eternidade tentando desenvolver esse texto mas pelo visto não vou passar de um parágrafo, assim como os outros 390239082 textos que estão ali nos rascunhos. O blog já foi prioridade em minha vida, mas infelizmente não é mais. Descobri que para amadurecermos, precisamos abrir mão de certas coisas que costumávamos considerar essenciais e o blog foi uma dessas coisas. Enfim, deixa eu parar de lengalenga pois estou dando voltas e voltas e não estou falando nada. Voltarei para o dever de Teorias Gramaticais, dez questões lindas para serem entregues na terça-feira. SO-CORRO. Até breve.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Retrospectiva 2012 [VÍDEOS]

Prometi, cumpri! Falei há alguns posts atrás que gravaria vídeos de retrospectiva e felizmente hoje concluí a gravação deles! Demorou um pouquinho por conta da loucura que está aqui em casa nesse final de ano, mas hoje eu dei meu jeito e terminei de gravar. Apenas algumas considerações antes do play:

- Não tenho nenhuma Nikon ou coisa parecida e gravei no celular mesmo, então ignorem a resolução gatínea do vídeo;

- Eu realmente fiquei nervoso na hora de gravar o vídeo, por isso também ignorem as repetições de palavras e tudo o mais porque eu ficava sem saber que palavras usar em alguns momentos e repetia as que já tinha usado. Sorry por isso, sorry pela toalhinha usada pra enxugar meu rosto (C-A-L-O-R). rs

- Eu não citei todo mundo que gostaria, mas se sintam todos abraçados e queridos por mim no último vídeo. :)

E eu acho que é só! Enjoy it e, mais uma vez, FELIZ ANO NOVO, SEUS LINDOS!

PARTE UM - Introdução


PARTE DOIS - Retrospectiva 2012 e algumas considerações


PARTE TRÊS (e final) - Agradecimentos especiais e despedida


Até  mais, queridões!

Tiêgo R. Alencar

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Tchau, 2012! Vem, 2013!


Eu não quero me prolongar muito nesse texto porque no video que postarei logo mais contarei tudo de bom e de ruim que aconteceu em 2012 e mais algumas coisinhas, mas reservei esse texto para transcrever o que minha alma sente neste momento: uma vontade inexplicável de querer fazer tudo diferente.
É, não quero mais nada estático. Quero mudar tudo em 2013. Quero mudar meus hábitos, minhas companhias, meus costumes, tudo. Quero transformar minha vida de uma forma que eu nunca vi antes. É o primeiro ano do resto da minha vida. Não quero repetir tudo o que fiz nos outros anos ou pior, repetir e gostar. Quero me surpreender. E para isso, decidi não criar expectativa alguma sobre nada que virá neste novo ano que está prestes a chegar (daqui a exatamente quatro horas, no horário aqui da minha cidade). Quero apenas sobreviver  em 2013 para poder fazer tudo diferente e me permitir viver tudo de forma diferente. Minha palavra para 2013 é MUDANÇA. Fazer a diferença. Ser mais, ser além. Quero deixar registrado neste texto que quero e vou fazer de 2013 uma revolução em mim. E tenho dito!

Que nós sejamos sempre agraciados com a força para lutar por dias melhores e que tudo mude para o mais incrível que puder mudar neste novo ano. FELIZ ANO NOVO, MEUS QUERIDOS! Até 2013!

sábado, 29 de dezembro de 2012

Anything can happen - or not

[Sobre o título: tô ouvindo neste momento Anything Could Happen da Ellie Goulding e decidi botar no título. rs]

Não sei por onde começar esse texto, mas acho que eu preciso me desculpar com vocês.

Esse ano foi meu ano de maior negligência bloguística de todos os quase quatro que já passei por aqui. Até ano passado eu ainda fui um blogueiro responsável, mesmo tendo desaparecido por algum tempinho. Mas aí veio 2012 e acabou com a minha graça. Foi tanta coisa mas tanta coisa ao mesmo tempo que as coisas saíram de controle. Vamos elencá-las para vocês terem uma ideia:

- UNIVERSIDADE. Comi o pão que o diabo amassou no primeiro semestre desse ano pra vir uma greve de quase quatro meses e me desestruturar totalmente. Quando as aulas voltaram, foi ainda pior, pois tive que pegar o ritmo da coisa de novo e demorou BASTANTE. Foram inúmeras leituras, inúmeras pesquisas, inúmeras noites em claro... Quando eu tinha algum tempo livre, só pensava em descansar e nada mais. Coitado do blog :(

- AUSÊNCIA DE COMPUTADOR: desde o final do ano passado que estou sem notebook e estou morrendo por conta disso porque o que eu consegui pra acessar e fazer as coisas da faculdade (e minhas, quando dá) se encontra em estágio terminal. Não aguenta mais duas horas ligado direto, a tela está toda rachada (tenho que ligar num monitor pra poder usar), falta uma penca de teclas, é lento demais... Meu maior plano consumista pra 2013 é comprar um notebook novo porque fica mil vezes mais fácil pra eu conseguir blogar. Acompanhemos.

- NAMORO. Que inclusive já até acabou. Foi bom enquanto durou, mas acordei pra realidade e vi que não estava vivendo o que era pra viver. Ou seja, estou dançando ALL THE SINGLE LADIES, ALL THE SINGLES LADIES no repeat porque né. rs Mas enfim, eu tive que me dedicar a esse relacionamento também e acabei deixando o blog de lado por causa disso :( todos chora.

- TRABALHO. De todos os meus quatro anos nesse emprego, esse foi de longe o mais puxado de todos! Pra quem não sabe, eu trabalho numa escola de ensino infantil como auxiliar educacional à tarde, depois da universidade. Aí vocês imaginam: pela manhã, estou estudando e exercitando meu cérebro. À tarde, estou cuidando das crianças e da parte administrativa da escola também (SEVERINO EU MAGINA?!?!?) e estou exercitando ainda mais loucamente tanto o físico quanto o mental. Chega a noite e, quando eu não tenho deveres da universidade pra fazer, tem leituras obrigatórias a serem exterminadas ou assuntos a serem revisados e adivinha quem fico sem tempo nem pra me coçar? Pois é. Isso porque eu nem estou contando com as aulas de inglês às segundas e quartas. IT'S-MY-LIFE.

E foram basicamente esses fatores que me afastaram do blog esse ano. Minha média de posts ficou bem abaixo do habitual e eu estou triste por isso, até porque o blog é uma parte de mim e é como se eu tivesse esquecido dessa parte e do quão importante ela é pra mim. Eu sempre digo que nunca abandonarei esse blog porque ele faz parte da minha história e não importa o que eu tenha feito ou deixado de fazer, ele estava presente. Está presente, quer dizer. Espero mesmo me organizar em 2013 pra não deixar mais o A Pseudociência de lado. Sei que será difícil, mas vou tentar. Torçam por mim!

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Fatos aleatórios:

  1. Lembram que eu fiz o ENEM 2012? Pois então, me fodi e me fodi feio. Se bem que pra quem não se preparou nem um pouquinho, fui bem. Bem melhor do que muita gente por aí que estudou. Fiquei decepcionadíssimo com minha nota em linguagens que não correspondeu ao que eu esperava, porque eu arrasei, e não foi pouco. E na redação, feliz por não ter zerado com aquela redação super meia boca e ainda ter ficado com mais de 600. hahaha
  2. Meu Natal foi maravilhoso. Tão maravilhoso que eu não consegui vir aqui desejar pra vocês um ótimo Natal como faço sempre e peço desculpas por isso mais uma vez :/ Só de peru e carne assada, engordei uns vinte quilos do dia 24 pro dia 25. Só estou esperando passar o réveillon pra começar a academia. SIM, ACADEMIA. Já jurei pra mim que ia fazer e vou fazer. Superar essa vergonha que existe em mim e começar a me exercitar porque isso tá começando a influenciar no meu desempenho em outras coisas na vida (A.K.A PREGUIÇA PARA TUDO).
  3. Eu prometi um vídeo de final de ano pra vocês e vou postar esse vídeo até o dia 31. Se tudo der certo, porque tô numa crise absurda com minha internet que só vocês vendo (aos leitores amados que ainda não sabem, eu moro no Amapá e não existe banda larga aqui). Hoje eu já comecei a ensaiar o que vou falar porque é uma penca de coisas, mas creio que eu vá conseguir falar tudo. Torçam por mim, seus lindos!
  4. E por fim, estou em pleno período letivo enquanto todo mundo está de férias. É assim a situação de quem estuda em universidade federal, gatos. Enquanto tá todo mundo dormindo de ressaca, tô acordando seis horas da manhã pra ir pra Unifap. Mais um motivo pra vocês entenderem a negligência com o blog. rs
E é isso. Com esse post super diário do Titi, estou indo e espero voltar logo logo pro último post do ano! Aguardem! Até mais, queridões!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Em transe

Nem sei como começar esse texto, de tão enferrujado que estou.
Sei lá o que aconteceu comigo, perdi completamente a essência blogueira que me dominava quando criei esse blog. Quer dizer, não perdi totalmente porque continuo sentindo muita vontade de blogar, mas quando chega na hora de escrever, parece que sinto um bloqueio tão forte que tudo o que eu escrevo acaba sofrendo nas mãos do backspace, o tempo todo. Todo o tempo.
Eu queria culpar alguém ou alguma coisa por isso, mas acho que não há culpado maior do que eu próprio nisso tudo. Poderia facilmente dizer "ah, vivo ocupado e não sei mais escrever" ou "a universidade está me matando!", mas seria mentira. Já aprendi a me organizar pra ter tempo pra tudo: diversão, trabalho, inglês, deveres de casa, enfim. E o blog também entrou nessa organização. Mas só que com ele é um caso a parte: as palavras não fluem mais com a facilidade que fluíam antes. Há algum tempo atrás, eu só precisava pensar num tema e escrever sobre ele era consequência disso. Agora eu preciso raciocinar uma vida pra poder desenvolver um texto (muito mixuruca, diga-se de passagem) sobre o assunto. Já aconteceu tanta coisa que me fez querer escrever aqui! Da posse do Joaquim Barbosa na presidência do STF até homofobia (da qual inclusive sofri), já anotei inúmeros temas que me agradaram e me fizeram querer escrever. E aí o maldito bloqueio vem e acaba com a minha graça. Começo os textos e eles ficam ali, estacionados. Essa barrinha piscante espera ansiosa pra que eu comece a escrever. E ela fica frustradíssima, porque geralmente não sai nada. Nadica de nada.
Mais uma hora de espera.
Estou tentando arrumar uma forma de terminar esse texto de uma maneira legal, mas não dá. Vou passar outra eternidade pensando em algo legal e vou mais uma vez quebrar a minha cara porque não arrumo uma maneira decente de organizar as palavras de modo que elas soem pelo menos compreensíveis. Ia prometer um retorno breve, só que eu não costumo prometer coisas que não vou cumprir, então direi aos lindos que eu quero (EU QUERO, JURO) retornar antes do natal com a minha retrospectiva do ano em forma de TCHAN TCHAN TCHAN TCHAN... Video! Que nem fiz ano passado! Melhor pra vocês e melhor pra mim, né? Já estou organizando meu ~~script~~ e só estou arrumando uma câmera digna pra poder gravar. Aguardem! Até breve (eu acho)!

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

A horror love story

- Olá, querida Anne.

E mais uma vez eu me encontrava sozinha com Conrad naquele salão.

Ele era um verdadeiro gentleman: abria a porta para que eu pudesse atravessar, se ajoelhava e beijava minhas mãos quando me encontrava e fazia de tudo para que eu me sentisse confortável em sua presença. Quando ele me envolvia em seus braços, eu sentia a melhor sensação de segurança do mundo. A sua presença era mágica e me confortava de tal forma que eu não sabia mais como me manter longe dele por muito tempo sem sentir sua imensurável falta.

Já vínhamos nos relacionando há praticamente um ano. Lembro perfeitamente quando ele apareceu em minha vida no dia primeiro de novembro de 2011. Usava um terno branco e sapatos sociais pretos, além de um chapéu no maior estilo anos 20. Parecia um pouco triste quando o vi, mas creio que tenha sido só impressão, pois logo depois de encará-lo, ele se transformou em outra pessoa. Não sei bem o que meu olhar possui de tão chamativo, mas ele faz questão de elogiá-lo todas as vezes em que nos encontramos. Ah, e um detalhe: Conrad nunca me via na frente de pessoas. E eu também só o via quando estávamos sozinhos. Certa vez, comentei este fato com ele e eu praticamente vi o sangue fugir de seu rosto. Ele ficou estranho, porém apenas se justificou dizendo que preferia lembrar de nossos momentos juntos à sós. Desde então, não pensei mais nisso.

Até aquela noite chegar.

Estávamos prestes a completar um ano de namoro e eu me mostrava radiante por isso. Todos notavam a minha felicidade de longe e sempre perguntavam o motivo. Brincando, respondia que o meu motivo não era visível aos olhos dos demais - chamavam-me de maluca por isso, mas o que eu poderia fazer se era verdade? Ignorava, pois sabia que ao ficar sozinha, Conrad apareceria e me faria feliz como em todas as outras vezes que nos víamos. E aquela noite de Halloween seria mais uma noite para me deixar suspirante ao ser envolvida pelos braços de Conrad e beijada por aqueles lábios vermelhos e macios.

O salão de festas do colégio foi tomado pelos estudantes e seus convidados. Geralmente não há tantas pessoas assim e eu até preferia antes, sem tanto tumulto. E justo naquela noite, a noite na qual Conrad e eu comemoraríamos um ano juntos, havia mais pessoas do que o normal. Engraçado, parecia proposital. Obra do destino, como minha mãe costuma falar. Apesar de ter limite de horário, a festa de Halloween parecia encher cada vez mais e mais e eu me desesperava na mesma medida, pois Conrad fizera uma estranha exigência dois dias atrás, quando nos vimos na saída do colégio: disse que queria me ver vestida de noiva, com uma flor vermelha presa num coque nos cabelos e no centro do salão de festas, uma hora da manhã. Meia noite e meia a festa terminaria. Acreditava que ele queria me ver de noiva por conta do desejo incontrolável dele de casar comigo, mesmo sabendo que eu não aceito bem a ideia e que eu só tenho dezessete anos. Mas decidi jogar seu jogo, para ver até onde ele iria com essa sucessão de desejos estranhos.

Vesti-me com o vestido de noiva de minha irmã mais velha, arrumei-me toda e, às onze horas, fui para a festa acompanhada de uma amiga. Ela notou que eu aparentava estar nervosa, mas logo dei um jeito de reverter a situação a meu favor. Ninguém sabia do meu namoro com o Conrad e eu não pretendia contar antes de completarmos um ano - o que estava prestes a acontecer. Ele também não pretendia ser apresentado à minha família antes de termos firmado um bom tempo de compromisso, então juntamos as ideias e entramos num acordo: com um ano de namoro, assumiríamos publicamente nossa relação. E assim, foram se passando os meses até chegarmos em outubro. Final de outubro, véspera de nosso primeiro ano de namoro.

Demorou um bom tempo até eu me encontrar sozinha no salão de eventos do colégio. Faltavam quinze minutos para uma hora da madrugada e eu começava a ficar com medo, ainda mais depois de ter visto tantas fantasias bizarras naquela festa. Achei um cadeira próxima ao banheiro, carreguei-a até o centro do salão e esperei Conrad aparecer. A brisa gelada da noite envolvia meu corpo de tal forma que por várias vezes me peguei arrepiada. O tempo se arrastava. Eu ficava cada vez mais apreensiva. Quatorze minutos. Doze minutos. Dez minutos. Sete minutos.

Faltando um minuto para uma da manhã, levantei-me da cadeira e comecei a olhar em volta. Não via nada e só sentia um silêncio mortificante, capaz de assustar qualquer um. Conrad levaria uma bronca quando ele aparecesse.

Fiquei de costas para a cadeira por dois segundos para olhar para fora do salão de eventos quando fui surpreendida por aquela voz extremamente rouca e nada familiar vinda de trás de mim:

- Olá, querida Anne.

Cada osso do meu corpo paralisou.

- Não reconhece a minha voz, minha amada?

Eu me recusava a olhar. Sabia que eu não deveria. O Conrad que eu esperava tinha a voz macia e envolvente e não aquele mau agouro carregado em cada palavra proferida.

- Veio exatamente como eu lhe pedi para vir. Vestida de noiva, com a flor presa num coque no cabelo. Ainda se recusa a acreditar que sou eu, doce Anne?

Era Conrad. Mas não era Conrad. Senti um ar gelado próximo à minha nuca e aquela sensação foi o ápice para que minhas pernas criassem forças para se moverem dali. Dei passos largos em direção à saída e, quando constatei, já estava correndo como uma verdadeira maratonista. A voz agourante daquilo soltou uma grande gargalhada e completou, confiante:

- Experimente destrancar o portão principal. Você terá uma bela surpresa.

Desesperada e me recusando completamente a olhar para Conrad, alcancei o portão principal e, ao puxar as travas de ferro, senti como se tivesse levado um soco carregado de mil volts no estômago. Voei com o impacto da pancada e, ainda consciente, tentava entender o que havia acontecido. E em atorreflexo, tentei me levantar e não olhei para a frente.

Conrad estava bem na minha frente. Olhando-me desejoso, como se eu fosse a coisa mais valiosa desse mundo. Ele não era o Conrad, meu namorado. Era uma figura medonha, com o rosto distorcido e com asas negras, quebradas e manchadas de algo branco. A boca era imensa e com presas ainda maiores. Nas maçãs do rosto, cicatrizes grandes marcavam aquela face tenebrosa.  E o que mais me assustava, no lugar dos olhos haviam fendas profundas e negras. Não havia nada naqueles buracos, mas eles me fitavam diretamente, como se existisse um globo ocular ali. Eu estava prestes a demaiar quando Conrad se agachou à minha frente, murmurou algumas palavras e se levantou em silêncio. Ele não desgrudava as fendas dos olhos de mim. Eu, sem reação, olhava para ele e tentava descobrir o que havia acontecido com o meu namorado. E apelando para isso, comecei a falar:

- Nada do que passamos juntos significou para você? Eu te amava e você era o homem da minha vida!

- Silêncio. É só o que eu lhe peço, Annelise.

Pela primeira vez, ele me chamava pelo nome completo. Aquilo me deixou ainda mais nervosa. Ele sussurrou mais algumas palavras e, ao proferir a última, ele sorriu. Congelei com o ato. E congelei ainda mais ao perceber que um triângulo aparecera no chão e nós estávamos em duas pontas. Ele continuava me olhando, sem dizer absolutamente nada e assim ele permaneceu por vários minutos, até que comecei a notar meu corpo aquecendo. Eu ardia e meu corpo todo estava dolorido, mais do que já estava. Gritei alto de dor e Conrad parecia se divertir com o que acontecia.

A dor me fizera perder os sentidos aos poucos. Pelo pouco que pude perceber, na outra extremidade do triângulo surgia uma outra garota, idêntica a mim. Com os mesmos trajes, com o mesmo penteado, mesmos olhos, tudo. Era uma cópia minha. A menina brotava do chão como se fosse uma árvore e emitia uma luz muito forte e eu já não aguentava mais de dor quando Conrad, que já não era mais aquela criatura bestial e sim o Conrad com quem vivi uma história de amor por um ano, sai da sua ponta do triângulo, beija a minha testa e puxa a flor presa no coque em meu cabelo, dizendo:

- Bons sonhos, Anne.

E, instantaneamente, fui abraçada pela inconsciência. Para sempre.