domingo, 17 de abril de 2016

Era uma vez...

... um blog chamado Ideia Sem Acento (originalidade no ápice, reparem). Nasceu em 2008, após o boom dos blogs, que aconteceu entre 2006-2008. Na onda do momento, seu dono, um tal de Tiêgo (com T mesmo, como costuma dizer), baseou-se em um monte de meninas e meninos, blogueiras e blogueiros muito legais, que faziam parte do Tudo de Blog (TDB), uma seção da revista Capricho na qual eles escreviam sobre diversos assuntos. Tiêgo criou o Ideia Sem Acento tentou a seleção do TDB em 2008 e não conseguiu entrar. Tentou a seleção novamente em 2009 e também não conseguiu entrar. Frustrado, decidiu mudar de ares. Em 2009 mesmo, desativou o Ideia Sem Acento e após uma aula de redação (e de uma hora na lan house, vale ressaltar porque computador em casa só soube o que era mesmo em 2010), criou o Opinião Formada (que de formada não tinha absolutamente nada). Foi ali que decidiu que não precisava de um projeto ou de quaisquer outras coisas que fossem para que se sentisse à vontade para blogar. Foi quando decidiu blogar de acordo com a própria vontade e, assim, assumindo sua própria identidade. Após esse estalo, Tiêgo descobriu que Opinião Formada ainda não era o nome ideal para o seu canto na internet. Ainda faltava alguma coisa. Até que pá, outro estalo. Viu o termo "pseudociência" em uma aula de história na escola e o amor foi imediato. Aqui seria a minha falsa ciência, baseada em seu pensamento, sem métodos, sem objetivos, sem nada disso. Apenas seu saber empírico diante de tudo na vida. O batizado ocorreu em julho de 2009, há exatamente seis anos e nove meses atrás. A Pseudociência surgiu e encheu de vida seu orgulhoso dono, que cada vez mais sentia sede de escrever, e escrever e escrever. Participou de diversos projetos de incentivo à escrita na blogosfera e ganhou alguns deles, a exemplo do famigerado Blorkutando (inclusive o link marcado na palavra Blorkutando redireciona para sua última participação no projeto, falando sobre, olha que coincidência, despedidas). Tiêgo aprendeu a amar sua Pseudociência como quem ama um filho, apesar de não ter (nem querer ter) ideia do que é ser pai. Tiêgo aprendeu a escrever da sua forma, da sua maneira, sem precisar fingir ser alguém que não é. Tiêgo aprendeu a escrever com o A Pseudociência. Graças ao blog, sem dúvidas, não teria passado no vestibular das duas universidades públicas de seu estado, Amapá, tampouco teria tanta certeza de que Letras é o curso de sua vida. Foram anos e anos de dedicação a este lugar que lhe trouxe tantos amigos, tantas alegrias, tantos sorrisos ao ler os comentários, tantas portas abertas...
Porém, Tiêgo descobriu, após estes quase sete anos, que existem momentos e momentos na vida. Existem momentos que ficam cristalizados na memória (ou mesmo em posts em um blog). Momentos estes que acontecem e passam. E que, por uma razão ou outra, acabam não condizendo com a atual realidade do vivenciador destes momentos. Talvez seja por isso que, em 2016, Tiêgo tenha decidido mudar seus ares mais uma vez, assim como foi na troca do Ideia Sem Acento para o Opinião Formada, assim como foi na troca do Opinião Formada para o A Pseudociência. É hora de alçar voos novos, conhecer lugares novos, vivenciar experiências novas e, acima de tudo, escrever. Escrever sobre ambientes novos, conhecimentos novos, realidades novas. Hoje, Tiêgo é outra pessoa, diferente do adolescente que manteve o A Pseudociência por anos. Esse rapaz, que hoje já é um homem completo, criou responsabilidades, pensa no futuro e tem outros ideais em mente. É esse homem que vai começar uma nova página de sua vida daqui a alguns dias, quando finalizar seu primeiro curso de graduação e encarar uma nova etapa, um novo desafio.
Com tudo isso, resta ao Tiêgo agradecer. Agradecer de verdade por cada post, cada texto, cada comentário que este blog hospedou. Graças a ele, Tiêgo descobriu que a vida tem muito mais graça quando se eternizam histórias em palavras. E por isso, pretente continuar com estas "eternizações" em outro lugar, que já tem endereço: www.medium.com/@tiego. Ainda não começou suas atividades por lá, mas em breve iniciará esse novo momento, que deve ser eternizado assim como fez durante todos estes anos no A Pseudociência.
Tiêgo encerra suas atividades por aqui com esta imagem, do dia em que se sentiu, mais do que nunca, outra pessoa. Outro ser humano. Outro Tiêgo. 



TCC defendido, final de curso e uma sensação sem igual




Pois é, defendi o TCC!
Não foi nada de difícil, nada de absurdo, nada de muito mirabolante. Foi até legal! Tirei um 9 justo levando em consideração meus erros na monografia, mas é aquele ditado, eu fui aprovado então já tá maravilhoso mesmo assim. hahahaha

Com a banca

Com a minha orientadora maravilhosa <3 td="">
E gente, foi uma das experiências mais loucas da minha vida passar por uma graduação. Cresci tanto, aprendi tanto e vi que ainda tenho tanto o que conhecer da vida... Essa semana basicamente acabaram minhas aulas e já estou sentindo saudades. Tanto que estou pensando em iniciar um novo curso em breve, enquanto não tento as seleções de mestrado... Sim, eu não sossego. hahahahaha

Um pedaço da turma Letras/Francês 2011 (ainda estão faltando alguns bacuris, mas todos estão no meu coração <3 disso="" falta="" sentir="" td="" vou="">
Bem, no mais, estou realizado. De verdade. Essa graduação me custou muitas coisas e, dentre elas, o blog está no meio. No próximo (e último) post detalho melhor, mas decidi escrever meu penúltimo post no A Pseudociência falando desse final da minha graduação pois ele sintetiza bem o final de uma fase importantíssima em minha vida. E égua, finais sempre me deixam meio assim...

domingo, 27 de março de 2016

Vou defender o TCC!

Parece que foi ontem que acordei surpreendido por ligações de todos os cantos dizendo "tu passou! Tu passou no vestibular da UNIFAP!", em um momento no qual eu definitivamente achava que minha vida seguiria um caminho pelo qual, com certeza, seria infeliz. De lá pra cá, foram quase cinco anos de uma graduação que me fez crescer de tal forma que não consigo expressar em palavras tamanha gratidão por esta experiência tão engrandecedora. Apesar de ainda restarem disciplinas teóricas (que em breve se encerrarão), amanhã devo dar um passo adiante, em direção ao meu (primeiro) diploma. Amanhã é a defesa de meu trabalho de conclusão de curso (vulgo terror de todo acadêmico ou TCC) e sabe quando bate aquela sensação assustadora de que você está finalizando um ciclo essencial da sua existência? Se não sabe, deveria passar por isso, porque a sensação assusta, mas é uma das melhores que eu já senti/vivi. Foram anos e anos de lutas, batalhas e guerras que foram, aos poucos, superadas pela vontade de vencer. Amanhã, na ocasião da minha defesa de TCC e com a consequente aproximação do final da graduação em Licenciatura Plena em Letras/Francês, espero consolidar o final desta etapa tão importante em minha vida. Anseio as boas vibrações dos senhores!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Sobre crescer (em diversos sentidos)


Esse ano resolvi fazer diferente.
Todos os anos, eu costumo fazer uma longa retrospectiva com tudo o que me aconteceu. Mas esse ano decidi fazer apenas um balanço do que me aconteceu de bom ou de ruim, até porque já é primeiro de janeiro, confraternização universal, e as vibes de feliz ano novo ainda estão me contagiando (e espero, de verdade, que isso continue assim por muito mais tempo). E colocando na balança os acontecimentos mais marcantes de 2015, acho que tive um ano muito bom. Não, minto, foi além disso. Foi um ano excepcional! Foi um ano para eu não esquecer tão cedo.
2015 me mostrou que a distância é relativa demais. E que ficar esperando demais por algo só me faria corroer por dentro sem necessidade. Comecei a me mexer para ir atrás de tudo aquilo que eu queria de fato. E apesar de não ter conseguido alcançar tudo, tive a prova de que vale a pena demais sair do meu lugar de conforto para alcançar um patamar que parecia distante, mas que estava apenas a alguns passos de mim.
2015 me passou a perna em muitos momentos. Achei que já iria me formar na universidade quando veio mais uma greve. O pesadelo de 2012 estava de volta. Quem me acompanhou por aqui ou pelas minhas redes sociais tanto em 2012 quanto em 2015 viu que eu fiquei extremamente agoniado, pois esse fato me impediu de fazer muitas coisas que eu pretendia ter feito. Mas em compensação, nem tudo foi ruim: ficar parado por cinco meses foi só em termos de ir pra universidade e voltar, pois comecei a fazer pesquisa e a levar a sério a ideia de ir para o mestrado. Atingi uma maturidade em termos acadêmicos que me surpreendeu. Sempre fui "bom" aluno, mas ficar no ócio por tanto tempo me fez correr atrás dos meus estudos sem precisar de ninguém. Além disso, fui sozinho defender um trabalho em Belém, na famigerada Universidade Federal do Pará (ocasião na qual eu também conheci a MARAVILHOSA, linda, fashion, rainha, deusa, gótica suave e musa Jeniffer) e foi tão incrível que antes de acabar o ano repeti o feito na minha universidade, mas falando sobre gênero e diversidade. Realmente, eu me superei. E constatar isso me deixa feliz pra caramba.
E taí uma coisa que 2015 me mostrou que poderia ser diferente e foi: ser feliz.
2015 me deu momentos de lazer que eu jamais imaginei que fosse ter. Eu tinha horror a socializar e ver gente por aí. Preferia um tiro do que mostrar para meio mundo que eu não sabia dançar. Fora que eu não bebia. Até que numa ocasião específica não havia água numa festa na qual fui e aí puff, tive que beber chopp. E nem foi de todo ruim, já que a sede falava mais alto. Daí para frente, só me aprofundei e descobri que saindo casualmente, dá para promover uma diversão digna, bebendo dignamente e se jogando na pista, coisa que fiz até demais. Ah, tomei o primeiro porre da minha vida também em 2015 e isso dificilmente será esquecido por mim - e pelos meus amigos. Da série "coisas ruins que podem se tornar boas".
2015 também me mostrou que eu ainda tenho muito o que aprender em termos de relações sociais. Desfiz amizades, afastei outras, outros se afastaram de mim, mas como há males que vem para o bem, conheci pessoas incríveis e que também me fizeram crescer. Especialmente as pessoas que me ajudaram a enxergar melhor a realidade que me cerca. Até deixo meu agradecimento mais sincero por cada um que me ajudou, direta ou indiretamente, nesse ano. Sozinho, 2015 teria sido uma bomba-relógio, pois o dia-a-dia passou a me estressar de uma forma que nem eu mesmo conseguia acreditar. Sem meus amigos, colegas e família, dificilmente eu suportaria muitas barras pelas quais passei.
E muitas dessas barras, a propósito, eu tive que enfrentar, como a homofobia escancarada. Por isso, em 2015, passei a problematizar (chegou o viciado em problematizar) questões de machismo, homofobia, racismo e muitos outros problemas que estavam visíveis, na palma do meu nariz, e eu não quis enxergar. Comecei a ver tudo por ângulos diferentes. E aprendi demais, mesmo, com os erros e com os acertos. Tanto que transformei em conhecimento científico muito do que vivi nesse ano. De fato, acho que a vida adulta me acertou em cheio.
Seria negligência minha não citar que em 2015 levei dois bailes homéricos de crushes. Tive que ser otário em 2015 só para não perder o costume. Tive uma dificuldade enorme para superar ambos, mas felizmente começo 2016 emocionado pois não tem mais um vestígio da tristeza que ambos me causaram. Cabe aqui, acho, o famoso vida que segue e em 2016 espero que crush seja sinônimo de coisa boa e não mais de imagens de dor e sofrimento na minha cabeça. Aliás, de preferência, que eles nem aconteçam.
E por fim, eu precisava deixar registrado que, raspando a cabeça no batente do box do banheiro e indo à farmácia em seguida, constatei que cresci um centímetro. Não sei mais o que pensar dos meus hormônios, do meu organismo, e do meu corpo que agora tem 1,85m.
Com tudo isso, resta agradecer a 2015 por tanta coisa boa e mesmo pelas ruins, que me possibilitaram crescer, de uma forma ou de outra. Aprendi com erros e com acertos e meu desejo maior para 2016 é que eu siga crescendo (menos pra cima porque nem eu aguento mais crescer), amadurecendo e fazendo de cada dia uma oportunidade para refletir, pensar e agir sobre o mundo que me cerca.

Some of us have to grow up sometimes  
And so if I have to, I'm gonna leave you behind. 
(Paramore - Grow Up)