
Sou tão discreto quanto uma baleia num patinete, quando se trata de descobrir as coisas. E quando ponho uma coisa na cabeça... Por isso, a invisibilidade me cairia bem. Sei que falam muito mal de mim pelas costas (o que é um ótimo sinal, pois sou conteúdo para a vida alheia, uhul!), portanto, adoraria saber o que se passa quando não estou por perto. A verdade é uma dor necessária. É melhor conhecê-la do que escondê-la. E a santa protetora dos invisíveis poderia me dar uma forcinha, dando-me esta graça, já que tenho uma certa obsessão pela sinceridade. Posso citar algumas das coisas que eu faria, sem dó nem piedade, caso estivesse de posse da sonhada invisibilidade: sairia atrás daquele grupinho que me aponta no corredor da escola e ri de deboche da minha cara, conheceria seus podres e espalharia pela escola inteira, causando intrigas entre eles. Sim, tenho mais um defeito: sou vingativo. Para aquele boçal do terceiro ano que se acha horrores, colocaria meu pé, propositalmente, e o faria cair no meio do refeitório inteiro, cheio de gente, para ele sentir o que é ser alvo de chacota. Daria uma de ectoplasma e sairia sussurrando devagarinho, baixinho, no ouvido dos meus inimigos, para fazê-los chorar de medo.
Aí, eu já estaria satisfeito pela metade.
Só lamentaria por ser apenas vinte e quatro horas, pois meus planos seriam muitos para um espaço tão pequeno de tempo. Enfim, como aqueles rebeldes motoqueiros dos filmes da década passada, poderia sentir o gosto apimentado do proibido, misturado com o quente do impossível.
Para então eu poder me sentir satisfeiro por inteiro.

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