Ano passado, amizade foi a palavra que melhor o descreveu. Conquistei melhores amigos, passei a confiar naqueles que me acompanharam sempre e que se mostraram merecedores da minha lealdade e também enfrentei situações pelas quais não imaginava que iria passar.
Naquele período, minha melhor amiga era a Isadora. Como todos os melhores amigos (ou não), éramos inseparáveis. Tínhamos o tipo de amizade que quaisquer outros amigos gostariam de ter. E nessa vibe “tudo-muito-certo-obrigado”, chegou o segundo semestre e, com ele, os costumeiros novatos. O “rapper” como gostava de ser chamado aterrissou como uma bomba em minha classe. Além de estilo, ele tinha TUDO o que as pessoas consideram essenciais para se ter algum tipo de relação com alguém: beleza e conteúdo. Logo, o Willian se viu cercado não só pelas meninas, mas por todos da classe. Não demorou muito tempo para que a Isa se tornasse amiga, melhor amiga do estiloso “rapper”. A Isa simplesmente me abandonou pra ficar perto dele. Eles se tornaram melhores amigos em um único mês, enquanto eu havia levado um ano e alguns meses para conseguir manter o título de melhor amigo dela. Não preciso nem dizer que me senti um lixo! Desprezado pelo novato bonitão. A admiração/inveja que as pessoas tinham da minha amizade com a Isadora tinha sido totalmente transferida para a amizade dela com o Willian. E até isso me deixou revoltado.
Um turbilhão de sentimentos e pensamentos devastava-me por inteiro. Não sabia o que fazer. A capacidade de raciocinar deixou de ser minha aliada naquele momento. Por horas a fio eu ficava pensando em algo que pudesse trazer minha melhor amiga de volta.
Até que eu tive a estúpida idéia de querer brigar com o Willian. Pisei furioso dentro da sala, habitada, coincidentemente, apenas pelo corpo do rapaz. Eu nunca havia brigado e tremia que nem uma vara de bambu por dentro. Olhei fixamente nos olhos negros do ‘rapper’ e, para minha surpresa, quem começou a falar foi ele:
- Já faz tempo que eu quero falar contigo.
Fiquei a um passo te explodir de ódio e falar tudo de uma vez. Mas ele prosseguiu, sem dar tempo para que eu pudesse me pronunciar:
- Cara, eu te fiz alguma coisa? Falei algo de errado que te ofendeu ou coisa parecida? Não entendo o porquê de a gente não se falar até agora. Eu sei que nem tu nem ninguém é obrigado a falar comigo, mas quero que tu saibas que eu não tenho absolutamente nada contra ti e que a hora que tu vieres falar comigo eu estarei pronto pra ser teu amigo também.
- E o que te faz pensar que eu quero ser teu amigo? – eu disse, petulante e prepotente.
- O fato de termos em comum a mesma garota como melhor amiga – completou ele, me deixando mudo.
Plaft.
Aquilo foi um tapa na minha cara. Porque eu nunca tinha pensado em ficar amigo dele e facilitar as coisas? Um ciúme bobo de amigo, talvez? Ou será que foi a insegurança de ver a Isa com outro garoto como amigo inseparável?
Depois de refletir rapidamente, voltei a mim. E entendi de uma vez por todas que é sim verdade que devemos fazer dos inimigos os melhores aliados. Isso fez com que eu, transpirando arrependimento num gesto solene, apertasse a mão do ‘rapper’. Daquele dia até o final do ano, fomos melhores amigos. Mesmo que não sejamos melhores amigos mais, somos amigos, acima de tudo. Porque não vale a pena abrir mão de um amigo por culpa de um ciuminho bobo do melhor amigo. O que vale a pena mesmo é ser amigo, independente de com quem ele fale, ande, coma ou namore. Vamos praticar a arte de aceitar?
Pauta para o Blorkutando – 109º Semana : Meu Novo Amigo.
***
Amanhã posto mais novidades, antes do meu sumiço. Explico direito depois.
Beijobeijo,
Tiêgo.

0 pseudocomentaram:
Postar um comentário