domingo, 30 de setembro de 2012

GREVE DOS SERVIDORES BLOGOSFÉRICOS POR TEMPO INDETERMINADO

Mentira minha, gente, o título foi só pra chamar vocês pra lerem o post, rs. É que vocês me conhecem e sabem a vida que eu levo. Agora que voltaram as aulas na minha universidade, aquela loucura diária voltou junto e estou sem o menor tempo pra nada. A greve nas federais começou quase no finalzinho do primeiro semestre e por isso estamos correndo MESMO contra o tempo e verificando um monte de coisa que ficou pendente. Aquela mágoa do artigo científico voltou, a pesquisa nas escolas, resenhas, resumos, fichamentos, atividades do inglês e do francês... Voltou TUDO junto. Estou tentando me readaptar a tudo isso e reaprendendo a conciliar tudo. Acho que vou voltar àquela rotina de posts só no final de semana quando eu estiver desocupado, porque durante a semana só penso em estudar, trabalhar e dormir. Espero que vocês me entendam MAIS UMA VEZ. 

De um atarefado,

Tiêgo

P.S: tô mais ligado no meu e-mail do que nas demais redes sociais, então qualquer coisa se alguém quiser falar comigo, pode gritar no tiegoramon@gmail.com que eu respondo logo, prometo!
P.S²: recebi uma proposta INCRÍVEL. Conto mais detalhes no próximo post, se eu puder e não esquecer. hahaha Até a próxima!

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Da série "o que foi que eu fiz?"



Lá vem mais um daqueles posts desabafo que eu sei que vocês gostam.
Vamos lá: não sei se é assim com vocês, mas eu nunca fui de ser barraqueiro nem nada do tipo, mas eu sempre gostei de deixar tudo às claras. Nunca fui de esconder nada de ninguém - quer dizer, a não ser que fosse me prejudicar, mas aí é outra história. Vivi cercado por pessoas sinceras e dificilmente topava com aquelas mais falsas do que Luís Vuitão da esquina da sua casa; mas pra tudo tem uma primeira vez. Na universidade, isso não mudou: continuei convivendo com pessoas sinceras e legais que felizmente fazem o mínimo pra me aturar todos os dias de manhã. Eu também faço o possível pra me aguentar porque sei que manhã meets eu é uma coisa complicada, mas tento esquecer isso sorrindo, o que faço de melhor.
Mas aí tem gente que não liga nem um pouco pra isso. E começa a te tratar mal, desnecessária e ridiculamente, mesmo com você usando de tudo o que pode para parecer legal. Isso sim me deixa bastante irritado.
Indiferença SEM MOTIVO.
Deixa eu contar pra vocês: uma amiga (agora ex, com certeza) minha de anos (anos mesmo, tipo cinco, seis anos) passou no vestibular junto comigo pra Letras na Unifap. Aí tá, tudo bem. Eu achando que íamos nos dar superbem como nos demos esses anos todos, quebro bonito a minha cara justo no primeiro dia de aula: me viro pra falar com a menina e ela simplesmente acena com a mão e se levanta, saindo da sala. Tá, ignorei, né, primeiro dia de aula e tudo o mais, conhecendo tudo acabei nem ligando. Porém, isso foi se agravando dia após dia e, no dia da eleição pra representante de turma semestre retrasado, percebi a tensão: éramos dois candidatos, um outro colega e eu. Ela disse que votaria no outro colega, na maior. Foi então que meu alerta mágoa deep começou a me avisar de que tinha algo de errado. Passou-se o tempo, a indiferença foi crescendo, crescendo e chegou ao ponto da menina passar por mim no corredor, esbarrar em mim e nem sequer pedir desculpas ou sei lá, dizer um "foi mal". Fiz a primeira tentativa de aproximação pra saber o que era que tava acontecendo e a menina me inventa algo pra fazer justo naquele momento, se esquivando igualmente na segunda tentativa. Parei com as investidas. Agora, depois que a greve voltou, as aulas retornaram e eu com saudades de todos (inclusive da menina que me esnobava), falei com todo mundo. Chegou na vez dela, ela simplesmente vira as costas e sai da sala, como se eu fosse contagioso ou coisa parecida. Fora que ela me excluiu do Facebook e do MSN sem pensar duas vezes. Tentei mais uma vez conversar com ela, que sumiu nas escadas do prédio onde estudo. Aí foi a gota d'água. Todo mundo percebeu que ela parece me ODIAR. E o mais engraçado é que todo mundo gosta de mim na turma. E ela se recusa a fazer parte do meio, sendo o pior de tudo o fato de eu não fazer a menor ideia do porquê dessa menina estar agindo assim. Várias pessoas já me disseram "esquece, é frescura", "ignora que isso é uma fase, essa menina é de lua" e até mesmo "com tanta gente gostando de você, você realmente se importa com o que ela pensa?", dito por uma amiga minha ontem no ônibus.
Fiquei com isso na cabeça. Eu realmente me questionei se eu fui atrás dela por gostar da menina, por consideração à nossa amizade (já morta) ou simples e puramente por obrigação. É, de tirar esse peso chato das costas de se sentir ignorado sem motivos. E cheguei à conclusão de que eu só queria saber o que aconteceu para que eu fosse tão odiado assim sem uma razão consistente. Já tentei usar esse argumento com ela, mas não adianta. Mandar a real também não vai adiantar, porque cabeças vão rolar. A única saída viável que enxergo neste momento é ignorá-la exatamente como ela faz comigo, pois não dá certo se importar com alguém que não liga a mínima para o que a gente pensa. E se é esse o jogo que ela escolheu jogar, ótimo. Problema o dela. Só sei que estou decidido e este post é testemunha: NUNCA MAIS VOU ME DIRIGIR VOLUNTARIAMENTE À ESSA MENINA. E que ela leia esse post, porque conhece meu blog e vai que ela me ame secretamente e esteja com medo de assumir, né. Tá aqui esse texto lindo pra ela quebrar a cara e nunca, nunca mais pensar em vir com hipocrisia e indiferença desnecessária pro meu lado. Tolero até onde posso (e olha que posso MUITO). Depois disso, sinto muito. Você perdeu por livre, espontânea e patética vontade um confidente, um companheiro e um amigo que poderia levar para o resto da vida.
E a propósito, eu não planejei esse post. Desculpem qualquer coisa, só precisava desabafar. Até logo, gente!

sábado, 15 de setembro de 2012

Adaptability

A quem perguntar, sim, tirei o nome do título do episódio cinco da segunda temporada de The Glee Project.

Em Jogos Vorazes, Katniss Everdeen e Peeta Mellark lutam pela sobrevivência se adaptando inclusive à eles mesmos

Dia desses, encontrei na parada de ônibus uma colega de ensino médio que não via há tempos e aproveitamos para colocar o papo em dia. Essa colega tinha um problema sério com namorados na vida dela: o coração da coitada só disparava por mau-caráter. Lembrando disso, eu perguntei a ela se o inconveniente persistia e a menina, rindo, disse que não. Que agora namorava um cara honesto, legal e trabalhador. O papo já ia morrer quando ela acrescentou, como quem não quer nada: "mas ele, no começo, era um mau-caráter. Com o tempo, ele se acostumou comigo e com meu novo modo de ver a vida e ele cedeu. Para melhor, né?". Sorri, realmente satisfeito com o desfecho da história. O ônibus dela passou, nos despedimos e a colega me deixou com aquilo na cabeça: pessoas conseguem de verdade se adaptar como deveriam às mais diversas situações na vida?

Tenho meus motivos para duvidar disso. Aquela lei de um fulano da biologia que diz que o ser humano se adapta a tudo nessa vida deve ser questionada. Já cansei de conviver por anos com pessoas patéticas e fúteis e nunca me acostumar com nenhuma delas, por exemplo. Passei três anos e meio no curso de francês e o cheiro de mofo das salas nunca permitiu que eu me adaptasse como deveria. E o que dizer de surpresas? São os momentos nos quais eu mais me sinto vulnerável na vida! E nunca consigo me acostumar com elas, impressionante. Tenho um monte de motivos para contestar esse papo de que o homem foi programado para se adaptar, mas quero sintetizá-los todos em um só: a vida é complexa demais para que consigamos nos manter estáveis em todas as situações dela.

Com tudo isso, ainda creio que acima de qualquer situação, desenvolver a arte da adaptabilidade sobre pessoas é o nosso maior desafio durante nossas existências. As situações são as mesmas, apenas mudam de pessoa para pessoa - como no caso do meu curso de francês e o cheiro de mofo das salas. Agora com gente... Elas mudam o tempo todo. Minha melhor amiga pode ser minha melhor amiga comigo, mas com outra pessoa ela pode ser a Carminha da vida real. Meus irmãos são uns pentelhos comigo, mas com outras pessoas são um doce de pessoa. E por aí vai; é uma gama de exemplos que eu posso citar que exemplifica isso. É muito complicado se adaptar ao ser humano. Tanto que costumamos nos apaixonar por pessoas totalmente diferentes de nós, não é verdade? "Os opostos se atraem" ou coisa assim. Pode ser fácil numa hora, mas na outra nem tanto. Adaptar-se é mais controverso do que podemos imaginar. É bom ir aprendendo a se camuflar. Vai que numa dessas a tentativa de se adaptar dá errado? Nada como a sensação de estar seguro. Para todos os efeitos, desperte o camaleão que existe em você e boa sorte na adaptabilidade!

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

A libertação: relato de uma saída (sem volta) do armário


Talvez este seja o texto mais pessoal que eu já tenha escrito em toda a história (nem tão longa assim) do blog.
Sabe, existem momentos em que você não aguenta, mesmo. Tipo quando você está num sonho tão lindo que ter que acordar às seis para ir ao colégio/trabalhar/whatever acaba sendo o pior dos castigos e você se vê sufocado por uma sensação que você poderia evitar continuando a dormir (e consequentemente, a sonhar), mas que por uma questão obrigatória, força-se a despertar. Ou até mesmo quando você está numa piscina, querendo aguentar mais tempo embaixo d'água, mas seus pulmões não aguentam nem dez segundos e você trata de submergir o mais rápido possível.
Até sábado, eu me sentia desse jeito. Preso num sonho do qual eu não queria acordar, sob a água de uma piscina querendo ficar o máximo possível lá. Porém, a vida prega peças na gente de uma forma surpreendente. Tenho que tirar o chapéu para quem escreveu o script da minha, pois estou satisfeito demais com o desenrolar do filme.
Enfim, era sábado, oito de setembro. Eu acabara de chegar de um encontro com algumas amigas da universidade, por volta de dez horas da noite. Não sei ao certo o que me ocorreu, mas algo me dizia desde o instante em que eu levantara da cama de manhã que aquele dia não seria apenas mais um dia. E assim aconteceu. Na caminhada de volta para casa, vim pensando em mim - coisa que eu não fazia há décadas. Depois de tanto refletir, constatei que eu estava me sentindo frustrado. Como bem vocês sabem, sou gay. Mas minha família não sabe disso, ou pelo menos eu acho que não. Meus amigos sabiam mas eu não conseguia contar para ninguém da minha família, o que seria o suposto 'correto'. Pois bem, cheguei em casa ainda pensando nisso, mas me desviando um pouco mais dos pensamentos por conta dos meus pais e da minha irmã que riam vendo um filme na TV. Assisti um pouco com eles, até que mamãe foi até a cozinha e eu a segui, involuntariamente. Ela iniciou um papo de que eu não ia há um tempão à missa e que queria que eu fosse na de domingo de manhã, pois era festividade de São Benedito.
Foi quando me deu um estalo. Lembrei de toda a confusão que foi tentar frustradamente mesclar igreja e sexualidade. Aquele era o momento. Hora de acordar do sonho lindo, hora de sair de baixo d'água. Hora de exterminar aquela sensação de sufoco que eu não aguentava mais sentir. Eu chamei sua atenção e comecei:

"- Mãe, eu amo você. E espero que a senhora continue me amando do mesmo jeito que sempre me amou durante dezoito anos de vida depois do que eu lhe falar."

Ela ficou gelada. Sorriu, mas logo ficou séria de novo pois percebeu que eu não brincava como sempre faço.

"- Fala, filho. Fala o que você tiver para falar."

E então, saltei rumo à felicidade, ao alívio:

"- Mãe, eu gosto de homens do jeito que deveria gostar de mulheres."

Não sei bem ao certo o que eu senti. Foi um misto de alívio com felicidade e satisfação. Agora ela parecia chocada. Nervosa, chocada, tensa. Eu a confortei, disse que eu era a mesma pessoa que era há cinco minutos atrás e ela me olhou, com os olhos cheios de lágrimas, dizendo as palavras que eu mais queria ouvir na vida:

"- Eu vou te amar e te apoiar do jeito que você é até o fim."

Aquele foi o momento mais feliz da minha vida. Nem tanto pra minha mãe, que depois ficou me perguntando se eu era gay desde sempre e outras coisas mais que todo mundo pergunta quando eu digo. E também confortei-a, falando que não era pra ela se preocupar porque eu não sairia na rua com um top e uma sainha coloridos e um megahair porque eu nunca me vi daquele jeito (desculpa travas lindas do meu coração, amo vocês). Na verdade, disse à ela, eu me sinto bem do jeitinho que eu sou. Com o corte de cabelo militar, com as calças largas, as camisas gola polo, o amor por livros, por jogos de luta, odiando alho e querendo ser escritor. Ela se emocionou com meu discurso e não parava de dizer que me amava, e que aquele era mais um orgulho para ela ter de mim.

E era apenas do que eu precisava. De uma fortaleza na qual eu pudesse me refugiar sem me sentir preso, incauto. E uma vez dispondo dela, não temo absolutamente mais nada. Dei adeus a uma fase minha que eu espero que não volte nunca mais. E agora é hora de continuar sonhando. Só que com os olhos bem abertos e com os pulmões cheios de ar, para que a sensação de alívio possa me invadir e me fazer esquecer que um dia fui um cara frustrado que disfarçava a dor mascarando-a sempre que podia. É hora de sonhar a realidade. A minha mais nova liberta realidade.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Cinquenta Tons de Vício

Meu exemplar de Cinquenta Tons de Cinza <3 br="br">
Ousado. Diferente, com uma sensação de "eu já vi isso antes". Sensual. Intenso. Forte. Viciante.
Em poucas palavras, é assim que defino Cinquenta Tons de Cinza, o mais novo best seller do momento que traz uma temática um pouco diversificada da qual estamos acostumados a conviver: dominação sexual. Porém, para quem acha que vai abrir o livro e se deparar com várias descrições de cenas de sexo, engana-se, e feio. Confesso que eu fui um quem imaginou que abriria o livro e logo no primeiro capítulo me depararia com mulheres amarradas em gravatas fazendo sexo com o cara que domina. E eis que eu quebro bonito a minha cara.
Cinquenta Tons de Cinza reune tudo o que um best seller tem que ter: uma história envolvente e personagens marcantes. A principal, Anastasia Steele, é uma versão madura da Isabella Swan, a mocinha de Crepúsculo, que até apresenta algumas características dela: é atrapalhada, não se acha bonita e ainda assim, consegue laçar o cara que parece perfeito, mas não é. Christian Grey. Christian-Dominador-Grey. O bam-bam-bam. Aquele que fez o coração nunca antes conquistado de Anastasia bater mais forte. No começo, o enredo parece bem simples, bem bobo, até. Só que isso para no começo. No decorrer das quatrocentas páginas do livro, somos apresentados a um universo que foge de todos os padrões. Anastasia - com a ajuda de sua "deusa interior" se mostra cada vez mais diferente depois de conhecer Christian de uma maneira que nunca imaginou conhecê-lo. E é a sequência de surpresas do livro que o faz tão sensacional. O sexo faz parte da história, tem que fazer. Porém, chegamos em determinado momento do livro em que até esquecemos dele. Acredito que não tenha sido esse o propósito de E. L. James ao escrever Cinquenta Tons de Cinza, mas que ela visou polêmicas, ah, se visou. E as alcançou sem a menor sombra de dúvidas: o que já vi de feministas condenando o livro por conta da dominação, evangélicos dizendo que o livro propaga o pecado e outras represálias ao best seller não é brincadeira. É compreensivel até certo ponto, pois a temática do livro não é exatamente a romântica de A Última Música de Sparks ou a mitológica Percy Jackson de Riordan. É algo novo, impactantemente novo. James acertou em cheio no tipo de narrativa: não chega a ser formal, nem chega a ser descolado demais. É de um equilíbrio anormal para uma época onde as narrativas e enredos costumam se assemelhar de tal maneira que chega a enjoar.
Cinquenta Tons de Cinza é um livro para se ler despreocupado. Sem estresses. Sem ser levado a sério. Em tempos de vampiros românticos e lobisomens apaixonados, um sadomasoquista e uma garota inocente levada a conviver com ele acabam se tornando intrusos, mas de uma maneira positiva. No geral, os dois tem sucesso em carregar uma trama cheia de mistérios, romance (sim, ele está presente) e sensualidade. A ousadia de E. L. James decididamente não poderia ter resultado em nada melhor. Depois de terminar a leitura, tem quem esteja atrás de um Cinquenta Tons exatamente como Christian Grey para ser, bem... amado. De um jeito nada convencional.
E eu, não mais secretamente, incluo-me neste grupo. Sem malícia.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Uma estória sobre bullying, parte final

Em tempo: aqui está a parte um. E espero que vocês curtam o desfecho do conto!


* * *
Todos os outros ficaram paralisados, sem reação. Já eu, uma vez no controle da situação, falei tudo o que deveria ter falado desde o início desta brincadeira sem a menor graça.

- Antes de mais nada, Otávio, meu nome é Cássio. E se eu quisesse, poderia te arrebentar agora dentro desse banheiro, porque sei que esses três patetas não pularão para te defender. Mas como eu não sou de bater em ninguém, espero que você crie vergonha nessa sua cara cínica e nunca mais diga nada do tipo para mim. Homem de verdade não se esconde atrás da caricatura de um moleque que fica intimidando os demais com palavras ofensivas. A "bichinha" aqui se amedrontou no começo, mas viu que você não passa de um pirralho que ainda não acordou para a vida e está fazendo outras pessoas agirem do mesmo jeito e fechando ainda mais os olhos. - Ele esboçou uma reação e eu, em ato reflexo, pressionei-o ainda mais contra a parede. - E experimente me dedurar ou coisa assim para você ver se eu vou ter coragem de te alisar de novo - finalizei, mal acreditando no que tinha acabado de fazer.

Soltei-o e parecia que o sangue tinha fugido da cara dele. Os outros três me olharam com ar de incredulidade antes de saírem do banheiro e irem embora em um silêncio absurdo para quem tanto me xingou em quase um ano. Otávio me olhou com a pior cara de arrependimento que se possa imaginar e disse algo que jamais imaginei que fosse sair da boca dele:

- Desculpa. Por tudo.

Foi a minha vez de ficar perplexo. Com a surpresa estampada no rosto, encarei Otávio e sorri. Como todo bom vencedor. E ele, como um bom perdedor, admitiu a derrota. Confesso que saboreei devagarinho a sensação de poder e vitória que me era desconhecida até então.

- Bom saber que você se arrependeu, Otávio. E eu não sou de guardar rancor de ninguém, mas não pense que vou esquecer tudo de uma hora para outra. Por mim, vamos começar do zero. E que você escreva do jeito certo dessa vez - terminei, já indo emora quando ela desatou a falar de si. Disse que os pais eram viciados em drogas e que ele sofreu com isso a vida toda na escola, pois todos sabiam daquilo e o apelidavam de coisas horríveis. A única forma que encontrou de se sair das agressões psicológicas foi agindo da mesma forma com tudo e todos. Mas que agora tinha descoberto a lição e percebido o quão ruim era praticar o bullying, tanto quanto era sofrê-lo.

Acho que eu não poderia ter ficado mais surpreso. Por um momento pensei que ele fosse chorar, mas felizmente, Otávio levantou a cabeça, pareceu ser outra pessoa depois daquilo e seguiu seu caminho. Eu já esquecera do soco que ele tinha me dado, mas me lembraria daquele instante para sempre. O momento em que descobri que cada um de nós é provido de fragilidade. E que basta acessá-la para nos tornarmos um pouco mais humanos; exatamente como o Otávio fez comigo e exatamente como fiz com ele há alguns minutos atrás.

* * *
O bullying é um transtorno comportamental que pode ser revertido a partir da conscientização acerca de suas práticas e das consequências delas. Muitas vezes, o agressor se sente intimidado por algo/alguém e, para se equiparar, intimida também. A melhor solução é o diálogo, por mais clichê que isso possa parecer. Se não conseguir falar sozinho com o agressor, que fale com alguém mais velho sobre isso e que cheguem todos a um consenso, seja no setor pedagógico do colégio, seja num encontro entre responsáves para que estes possam mediar a conversa entre ambas as partes afim de que não hajam brigas nem discussões pesadas. Praticar bullying não é legal, limita uma pessoa e traz consequências graves para o psicológico do agredido. Por isso, combata-o! DIGA NÃO AO BULLYING!



quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Uma estória sobre bullying, parte um

Em tempo: esta estória foi baseada em fatos reais e, por eu ter me empolgado demais escrevendo-a, vi a necessidade de dividi-la em duas partes, para que não fique cansativo nem para você, leitor, nem para mim. Amanhã vocês saberão o desfecho da história!


***

" - Mulherzinha!
   - Mariquinha!
   - Vai virar homem, veadinho!"

Era mais ou menos assim que eu era recebido pelos colegas "carinhosos" todos os dias quando pisava em sala de aula. As agressões verbais eram tão constantes que eu até já havia me acostumado com elas - não significando que eu gostasse delas. Muito pelo contrário! Eu queria muito reunir forças para dizer "parem com isso!", mas o máximo que eu conseguia era correr para longe deles, me trancar no banheiro e chorar, numa tentativa frustrada de minimizar o sofrimento que eles me causavam. E o pior é que eu não sabia como acabar com aquilo. Era como se existisse uma espécie de bloqueio em mim sob a influência da qual eu não conseguia, de maneira alguma, reagir.
Até que um dia aconteceu.
Engraçado, eu era maior do que eles. Tanto na altura como na inteligência. E não tinha sucesso em acessar estes atributos. Com treze anos, eu já tinha praticamente um metro e oitenta, enquanto a maioria dos colegas  mal chegava a um e sessenta. Eu me sentia mal por ser tão diferente deles, mas não fazia gosto de que eles soubessem disso. Aliás, eu tentava parecer legal - mas meus colegas não eram nem um pouco legais comigo.
Essa falta de cordialidade deles estava com os dias contados, mal sabiam eles. E eu.
Era sábado letivo e chovia demais, o que era de uma anormalidade ímpar, já que em setembro nunca se veem nuvens negras no céu, principalmente no fim de semana. Cheguei no colégio encharcado e morrendo de vergonha de entrar na sala de aula. Por isso, fui ao banheiro tentar me secar. Ao abrir a porta de acesso ao primeiro dos dois banheiros masculinos, eis que me deparo com quatro meninos parados à minha frente, como se adivinhassem que eu entraria ali de presente para a zoação diária deles.

- A bicha veio molhada para escola hoje! Deveriam proibir isso. Aliás, o que é isso, a nova moda em Paris? - disse Otávio, o mais panaca de todos, apontando para o moleton que eu tirava da mochila.
- Ou será que é um capuzinho para brincar de chapeuzinho vermelho no intervalo com as amiguinhas dele? - ironizou Matias, o cachorrinho mais fiel do Otávio. João e Márcio, os outros dois seguidores se espocaram em gargalhadas mais forçadas do que vômito de bulímicos.
- Não enche - disse eu, tentando me esquivar deles. Obviamente, sem êxito.
- O que foi que você falou? A mariquinha se manifestou, ui! - bagunçou Otávio, com os olhos brilhando como sempre na hora de me azucrinar. - Pois vai aprender a respeitar seu superior. É por isso que eu odeio bichas. Raça de gente que não merece viver - completou, desferindo um soco na minha cara.

Naquele momento, alguma coisa dentro de mim despertou. E com uma fúria de titã. Nem me lembro ao certo como foi, mas larguei a mochila no chão, segurei o Otávio pelo uniforme e pressionei-o contra a parede, ato este que o fez arregalar os olhos.
De medo.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Comentários gerais: resoluções 2011-2012


Ano passado, exatamente dia 20 de julho, elaborei algumas -trinta- resoluções que tentaria cumprir até dia 20 de julho desse ano. Por motivos de férias e cansaço extremo, não passei a lista a limpo, mas agora chegou a hora. Sem mais preguiças e delongas, simbora comentar a lista com as minhas resoluções 2011-2012!

Observações para antes dos comentários:
- Eu ainda não estava na universidade quando teci estas resoluções, então ignorem certas coisas que podem parecer tolas;
- Mudei MUITO do ano passado pra cá, perceberão isso nos meus comentários e
- Não me levem a sério. Não totalmente, rs.
 
LEGENDAS:
- RISCADO: missão cumprida
- VERMELHADO: não consegui cumprir a resolução
- NEGRITADO: parcialmente cumprida
~~~
  1. Levar a sério os estudos na universidade e estudar sempre que possível: esse foi cumprido com louvor. Primeiro porque todo o tempo livre que tinha, procurava ocupar com as leituras que os professores passavam ou pesquisando mais acerca dos assuntos trabalhados. Até sumi da internet! Mereço uma estrelinha de bom aluno! haha
  2. Conhecer outro estado do Brasil (além do Pará, que eu conheci em abril de 2011): larei. Ia conhecer Florianópolis no Encontro Nacional dos Estudantes de Letras em julho passado mas acabei tendo um imprevisto com todo o dindin que guardei pra viagem. Resultado: não conheci nada. E fiquei frustradíssimo com isso. :(
  3. Ir a um show de algum artista legal e que todo mundo conheça: larei de novo. Ia no show da Maria Gadú que ADORO, mas não fui por motivos de: gripe extrema. E isso foi o mais próximo que eu cheguei de ir a um show. E quase fui no do Michel Teló, mas ele não se enquadra no perfil "artista legal", então ignorem. :(
  4. Ganhar um autógrafo de um dos meus ídolos, qualquer um deles: cumprida! Rodrigo Andrade, que atualmente faz o canalha Berto Leal em "Gabriela", me enviou uma foto autografada e o CD novo dele! Já era fã, virei ainda mais fã! Foto aqui :)
  5. Acompanhar ao menos uma série com o resto do mundo: cumprida com ainda mais louvor. Passei a acompanhar Glee, Vampire Diaries e The Secret Circle (que foi cancelada ;////), além de Smash e, recentemente, The Glee Project. Ou seja, superei BEM a resolução. hahaha
  6. Ler muitos livros e conhecer escritores novos: vou colocar como parcialmente cumprida por dois motivos: o primeiro é porque estou ignorando os autores que conheci na universidade e que se tornaram indispensáveis à minha vida acadêmica; e o segundo é porque eu sei que poderia ter me esforçado mais, mas não o fiz. Mas conheci muito autor bom! Rick Riordan (Percy Jackson), Agatha Christie (E não sobrou nenhum, Os Crimes ABC), Nicholas Sparks (A Última Música, Querido John), Ana Beatriz Nogueira (Mentes Perigosas), E. L. James (Cinquenta Tons de Cinza, meu novo namorado) e mais alguns que não me lembro agora. Foram poucos, mas aumentei minha cultura literária, sem dúvidas!
  7. Consertar a tela quebrada do meu notebook: fracassei bonito. Levei um monte de facadas nas assistências técnicas e, parando pra pensar, seria mais negócio comprar um notebook novo. E é isso que pretendo fazer daqui a um mês. Rico eu magina?!
  8. Ser publicado em algum site/revista/jornal: não só uma vez, DUAS vezes no Jornal O Globo, na seção das notas dez e zero da coluna da Patrícia Kogut. Fotos aqui e aqui. Detalhe: aqui em Macapá não tem esse jornal, fiquei sabendo totalmente por acaso pela namorada do Rodrigo Andrade no Twitter! Como não amar meus quinze minutos de fama anônima? hahaha
  9. Terminar meu novo livro: parcialmente concluída MESMO. Mas pelo menos rascunhei toda a história e concluí metade dela. Espero terminá-la daqui para o fim do ano! Quem sabe não vem um best-seller por aí? s2
  10. Fazer faxina toda semana no meu quarto por pelo menos três meses: essa deu tão certo que faço até hoje. Comecei em agosto de 2011 e desde então, faço faxina todo santo sábado. EMPREGUETE EU MAGINA?!
  11. Ver mais filmes: essa não foi cumprida por falta de vergonha na cara mesmo. Eu preferia ficar perambulando pela internet ou estudando ao invés de ficar vendo filmes e fui empurrando com a barriga. Só fui me dar conta disso em 2012. Aí que eu acordei pra ver pelo menos os filmes que todo mundo comentava, né. No cinema, não vi NEM UM FILMEZINHO. Não fui UMA vez sequer ao cinema do ano passado pra cá. Dá pra acreditar? Minhas sessões eram todinhas na minha cama, quando eu via na TV ou no meu computador. Prometo tentar reverter isso. rs
  12. Fazer um regime útil e bom por mais de uma semana: essa foi barra, mas eu consegui! Fiz uma dieta japonesa mais cheia de frescura que o cão e passei fome nessa semana, mas desintoxiquei meu organismo todo, recebendo até elogios do endocrinologista quando o visitei para os exames de rotina do meu trabalho. Dói demais fazer regime, gente, pelo amor de Deus da coisa desumana. Mas no final das contas vale a pena! :D
  13. Ir ao nutricionista antes de fazer o regime: não fui. Minha tia que indicou o regime. rssss
  14. Começar a praticar algum exercício físico nem que seja uma vez por semana: me envergonho MUITO de ter me estrepado nessa. Por vezes eu tentei, mas não consegui. Essa resolução foi a mais difícil de todas, porque quem me conhece sabe que eu sou uma toupeira pra fazer exercícios, ainda mais regularmente. Vergonha, sei lá :~~ Porém, quero reverter esta situação tão logo. Um dia eu consigo!
  15. Comprar um tênis e um sapatênis novos: semana passada fui ao centro e lavei a burra! Comprei três tênis e, antes disso, ainda tinha comprado dois sapatênis. Liquidação é uma coisa linda de viver, sério s2 Comprar faz um bem danado pra alma. Sou fútil, bjs.
  16. Não reclamar de acordar cedo por uma semana: parei de reclamar ao acordar cedo. Ir pra universidade ficou tão legal que eu nem reclamava mais. Nem pra ir à missa aos domingos, como eu sempre reclamava, faço mais. Essa foi uma vitória tremenda porque eu era UÓ quando acordava cedo. Agora não, sou lindo e sambo na cara do sono s2
  17. Parar com a mania de querer colocar tudo quanto é coisa mastigável na boca: NUNCA CONSEGUIREI PARAR. É mais forte do que eu!
  18. Ir ao dentista ao menos uma vez por trimestre: exterminada. Graças aos céus consegui me manter em dia com o dentista desde o inicio das aulas na universidade até hoje. Morro de medo de dentista, confesso. Mas mesmo assim eu vou porque né, minha boca é meu cartão de visita, já diz a médica. haha
  19. Comprar um mouse e um pen-drive: o mouse eu ganhei da minha tia no início das aulas na UNIFAP e o pen-drive também, só que perdi esse e comprei outro pra mim. O mouse meu irmão roubou e nunca mais me devolveu e o pen-drive tá aqui do meu lado intacto como sempre, nem parece que já faz um ano que tenho. s2 CUIDADOSO EU MAGINA?! hahaha
  20. Evitar comer bobagens entre as refeições: AMÉM JESUS ME LIBERTEI DESSE MAL GLÓRIA IRMÃOS!! Essa eu tinha que comemorar porque olha, pensem no rei de comer besteiras entre uma refeição e outra. Coloquei na cabeça que isso fazia mal e logo parei com isso, ainda bem! COM ISSO, TAMBÉM PAREI DE TOMAR REFRIGERANTE <333 Sete meses sem uma gota! Orgulhosíssimo de mim!
  21. Programar saídas com os amigos no mínimo uma vez ao mês: triste. Minha vida social no segundo semestre do ano passado foi altamente comprometida pela minha rotina diária que afetava inclusive meus finais de semana. Mas em 2012 tudo mudou e passei a ver mais meus amigos, sairmos mais juntos e tudo o mais. Foi a melhor coisa que eu poderia ter feito. Foi parcialmente cumprida porque só coloquei em vigor nesse ano. Ano passado foi barra, caramba. :X
  22. Dedicar-me bastante ao curso de francês nestes últimos dois níveis (6° e 7°): me dediquei e exterminei com notas excelentes os dois níveis! No sexto, fechei tudo com 10 e no sétimo e último nível de francês, com 9,5, tirando a maior nota da turma! Terminei meu curso satisfeitíssimo!
  23. Fazer novos amigos na universidade: fiz VÁRIOS! Muitos amigos mesmo! Conheci gente que eu nem sonhava que fosse conhecer e melhor, me tornei amigo dessa gente toda! Uma das melhores coisas que poderiam ter me acontecido foi ter concebido minha vida acadêmica. Me trouxe pessoas incríveis que estarão pra sempre aqui comigo <3
  24. Fazer novos inimigos na universidade: não fiz tantos quanto gostaria, mas consegui atiçar a mágoa alheia, principalmente na fila do R.U na hora do almoço. COMO É BOM só ter amigas e os meninos darem em cima e eu estar ali pra defender s2 Acabei criando pencas de inimizades por ali. Hahaha Fora climões na minha sala, gente panaca que se revelou com o tempo, idiotas all the time... Gente cu por todos os cantos, merecendo meu desprezo. Uó.
  25. Pintar meu quarto de outra cor: pêssego s2 as fotos dele não carregaram, tô chatiadíssimo.
  26. Ir regularmente à missa: nessa eu falhei mas por motivos muito pessoais. Quem acompanhou meu drama por aqui sabe que eu vivo um confronto entre religião e sexualidade desde sempre. E isso afetou minha vida religiosa, muito. Eu passei a não me sentir bem na igreja, sabe? A fé permanece, mas não ali. E sim nas minhas preces. Anyway, só vou de vez em nunca. Que triste :~~
  27. Trocar cartas com mais gente legal desse Brasilzão: essa eu vou exterminar feliz da vida! Passei a me corresponder com o Joabe, com a Van, com a Deyse, com a Maris, com a Jenny, com a Tay, com a Seerig... Ai, só emoção essa troca de cartas. Felicidade define!
  28. Aprender a tocar um instrumento novo e/ou a cantar: queria MESMO ter conseguido cumprir essa, mas estive totalmente ocupado! Não tinha tempo pra nada! Agora que acabou o francês e que as federais estão de greve, farei de tudo pra me matricular em aulas de canto (vão me ouvir cantar aqui) e, quem sabe, de piano? Aí sim vou me sentir realizado!
  29. Ficar offline quando necessário e SEM RECLAMAR: nem precisava ter feito essa resolução. Me ocupei tanto, mas tanto que nem tinha ânimo pra ficar online. Fiquei off sem sentir nada. Prova de que eu cresci um pouquinho, né?
  30. Blogar toda semana, no mínimo uma vez: essa eu queria ter cumprido. Demais. Mas como vocês viram, era tanta loucura nessa minha vida que eu não conseguia nem dormir direito, quanto mais ter forças pra blogar. Mas este ano, jurei que ia me manter fiel ao blog ocupado ou não e cá estou, belíssimo, pelo menos uma vez na semana com posts novinhos pra vocês não sentirem mais falta de mim. Tô no caminho certo? :DDD
Saldo final: sete resoluções não cumpridas, cinco resoluções quase cumpridas e dezessete cumpridas. Acho que fui bem, não fui? Quero reformular logo esta lista e compartilhá-la com vocês, tão logo! Até a próxima, gente!

domingo, 19 de agosto de 2012

Ok, eu assumo - para maiores de 18 anos



Texto baseado na ideia (genial) de post com ideias coletivas das lindas do Volta, Mundo Blogueiro.]

Eu gosto de tanta coisa que a maioria detesta que eu tenho até medo de falar e ser apedrejado. Mas como não é típico de mim ter receio de dar a cara a tapa (ainda mais quando se fala de escrita), decidi escrever sobre algo que no começo eu me envergonhava mesmo de gostar, porém agora lido numa boa: a paixão pela temática erótica na leitura.
Não sei explicar, eu gosto. Juro que não sou um pervertido daqueles que só pensa em sacanagem. Aliás, muito pelo contrário: é algo tão maluco que eu mal consigo explanar. Mas ensaiando uma tentativa, acho que isso começou no início do ensino médio, quando um colega pediu pra eu guardar um livro pra ele. Tá, tudo bem, eu não sabia da temática do livro, tanto que nem vi quando ele foi guardado na minha mochila. Até meu colega ir embora e esquecer o mesmo comigo. Chegando em casa que eu abro a mochila, pam, lá está ele. Nem me recordo ao certo do título, mas era algo misturando "prazer" e o nome de um cara. Exemplo: "Ricardo, o boy magia do prazer" ou coisa assim. CLARO QUE NÃO ERA UMA COISA ASSIM, gente, 2008, né, nem existiam essas designações. Mas enfim, fiquei curioso e abri o livro.
Agora pensem em sexo. Multipliquem por duzentas páginas e pronto, você vai idealizar "Ricardo, o boy magia do prazer". Era basicamente isso: o cara gostosão que todos os dias pegava uma mulher diferente. E o livro narra o mês todo desse cara com as mulheres e todas as loucuras sexuais que ele fazia com elas, desde o sexo "normal" até correntes e algemas. Ficou assustado, caro leitor? Eu não. Aliás, foi uma delícia devorar aquelas duzentas e poucas páginas em uma noite. Fora os malabarismos que eu fiz pra esconder o livro dos meus pais, ainda mais que era a primeira vez que eu tinha em mãos algo com teor totalmente pornográfico. E a cara de quem pegasse aquele livro comigo? Lembro de morrer de medo de ser pego com a boca na botija, mas consegui ler o livro todo sem que ninguém me pegasse no ato, para minha alegria.
Depois disso, fui apresentado a filmes pornôs, vídeos e bububu mas nada daquilo me atraía. Eu gostava (e gosto) de imaginar o negócio lendo. SÓ lendo. Descobri isso com o passar dos anos, depois que o pornô ficou ainda mais acessível e eu quebrei a cara com tanta acessibilidade, já que o que me atraía nem sempre estava disponível. Mas volta e meia eu conseguia ler um texto ou livro sobre sexo e ficava emocionado - parem de pensar besteira que eu sei que vocês estão pensando - toda vez que terminava um deles.
Hoje, maior de idade, já tenho uma liberdade maior pra ler esse tipo de coisa - tanto que aproveitei uma promoção na Saraiva semana passada e comprei Cinquenta Tons de Cinza, o fenômeno do momento - e que tem conteúdo adulto. Pela primeira vez não me senti outlaw por estar em um relacionamento sério com a literatura erótica e a tendência é continuar assim - e o melhor é que depois de ter escrito tudo isso, a vergonha por gostar de sexo em palavras foi embora.
Só fica o apelo: caso me vejam por aí, não esqueçam de esquecer que eu sou só um guri que escreve coisas sem sentido em um blog de três anos, tá? Obrigado!

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Entre a cruz e a... bíblia?!



Não sei bem ao certo se isso é polêmico ou não, mas sabe a atração que um boi sente por uma cobra? Então, é desse jeito a minha relação com a bíblia, o livro escrito pelos profetas de Deus (é isso mesmo?). Não sinto a menor vontade de lê-lo. Nem de ouvir falar sobre nem nada parecido. É como se alguém tivesse jogado um feitiço nesse livro para que eu não tivesse jamais pretensão de segurá-lo com as mãos e apreciá-lo como os best-sellers que costumo ler.
Posso até ir pro inferno ao dizer isso, mas eu decididamente não acredito na bíblia. Simples assim. É basicamente nisso em que eu apoio a não-vontade de ler a palavra de Deus. Antes que alguém pergunte, não, não sou ateu. Acredito em Deus, inclusive, e no céu e no inferno. Na morte e na ressurreição e tudo o mais. Mas quando começam a citar Lucas, Mateus, Jorge, Aluísio, Benedito, Baltazar ou sei lá mais que nomes tem na bíblia, não me sinto confortável. Entra por um ouvido e sai pelo outro, com a mesma facilidade com a qual entrou. Quer dizer, com a qual não entrou, porque né. O que ainda consigo absorver são as reflexões feitas a partir dos ensinamentos propostos pela bíblia - ensinamentos estes que inclusive precisam ser revistos porque olha, o que tem de coisa louca ali não é brincadeira. Mesmo não tendo lido, depois de me descobrir melhor fui atrás de respostas na religião acerca de sexualidade e eis que parei na bíblia. E ela condena os gays, as lésbicas e todo o povo colorido. Agora me respondam: como eu vou tirar proveito de algo que me condena? Sei que não é a bíblia toda e que muitas passagens ali são interessantes para pensar, mas do mesmo jeito me senti ameaçado. Não, não é nem essa a palavra. Senti-me de uma forma que eu não deveria me sentir. Excluído. Proibido. Interditado.
A suposta "palavra de Deus", com a qual eu estaria feliz e despido de temores acabou me deixando fragilizado. Não fui mais a mesma pessoa depois de constatar o conteúdo dela. Gostaria tanto que o Lucas, o Mateus e o resto dos apóstolos viessem aqui me explicar como pregar o amor com um livro tão controverso! É estranho. No mínimo, contraditório. E ainda assim, há quem acredite totalmente nela. Vai entender essa galera.
Depois de ter quebrado a cara com a bíblia, passei a levar menos em consideração o que ela diz e mais o que as reflexões acerca dela me dizem, por me acrescentarem lições que milhares de palavras reunidas em um livro esquisito não conseguem fazer. Afinal de contas, a fé ainda existe. O que falta são pessoas para ajudarem a semeá-la pelo mundo.
De preferência, sem se basearem na bíblia. Obrigado.

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Oi, gente! Pois é, voltei. Depois de ter feito a mudança de layout! Pelos comentários, vocês gostaram! Que leitores lindos! s2 Eu devia ter postado esse texto ontem, mas a internet da vivo anda uma desgraça aqui em Macapá desde quinta-feira passada. Um absurdo! Por isso demorei a mudar o layout e a postar, mas prometo fazer um esforção pra voltar mais vezes e turbinar o blog atualizando tudo, da blogroll às páginas pessoais. E a propósito, ainda não voltei totalmente pro blog porque minha vida continua uma muvuca só, mesmo com a greve na minha universidade e sem o francês. Halp! Ah, e sobre o post, a inspiração veio depois que uma tia evangélica ardente veio louca atrás de mim depois que abracei um dos meus melhores amigos que é gay se despediu de mim. Disse que eu "precisava me libertar ouvindo a palavra do Senhor". Olhei pra cara dela e perguntei: "me libertar de quê, tia? Acorda pra vida e aceita as pessoas como elas são! E a propósito, esse cara é meu amigo e eu não tenho vergonha de dizer isso não!". Quem acabou ouvindo foi ela e eu dei as costas pra velha like a king, que é o que eu sou. As pessoas não respeitam mais umas às outras e isso me entristece num grau... Anyway, vou pegar o beco porque estou morrendo de tossir e espirrar e prevejo que essa vai ser uma longa luta contra a gripe de novo :( Remédio pra que te quero! Até logo, crianças!