Fazia frio naquele dia. Caía uma chuva anormal para fevereiro, um mês tão quente em Macapá. Meus dentes batiam e parecia que eu estava num cenário de filme americano. Coberto até a alma, penetrei a chuva que caía com força e juro que teria voltado para casa na mesma hora se não gostasse tanto do clima gelado. As ruas lavadas pela grande quantidade de água assustaram-me de tal forma que cheguei mesmo a pensar se sairia dali, mas estava convicto a decidir o que seria de minha vida. A água e o vento gelado não me fariam voltar atrás. Não mesmo.
Dei os primeiros passos em direção à rua principal quando o movimento dos carros me surpreendeu. Afinal, já passava das sete horas da noite e geralmente neste horário não se veem muitos carros circulando na principal. Caminhei com cuidado pela avenida (felizmente) bem pavimentada até chegar à parada de ônibus. Aguardei a lotação que eu sabia, não demoraria a passar. E realmente, minutos depois a condução passou. Adentrei o veículo sem muitos passageiros e, à medida que ele ia freando nas paradas, a chuva aumentava. E em momento algum quis desistir do que estava fazendo.
Não demorei muito a chegar em meu destino. A chuva havia se resumido a um chuvisco agradável e aquilo me animou. Caminhei mais alguns metros até a casa de Bernardo. Ele me aguardava com um sorriso fascinante no rosto e um guarda-chuva tamanho família nas mãos. O calor que emanava de seu corpo acabou me acolhendo muito mais do que eu esperava. Ele estava só na casa que dividia com a amiga de universidade. Eu o abracei com tanta força que senti medo de quebrar seus ossos. Fazia exatos dois anos e dois meses que ele havia partido e sua volta me pegou completamente de surpresa. Seus olhos brilhavam, assim como os meus. Ainda éramos amigos, melhores amigos. Senti tanta falta daquele sorriso inocente, daquele carisma contagiante e daquela voz que fazia cada nervo do meu corpo tremer. Eu amava Bernardo muito mais do que só como amigo. Eu sabia que ele era o que faltava para minha vida ficar completa. Mas o receio, o medo do que ele ia pensar caso eu dissesse à ele tudo o que sentia me calava, deixava-me incapaz de falar o que fosse.
Naquela noite, conversamos muito. Colocamos em dia tudo o que não havíamos falado um para o outro naqueles vinte e seis longos meses. Não percebemos a hora, que voou. Quando nos demos conta, já passava da meia-noite e ainda estávamos com os ânimos à flor da pele. Eu precisava ir para casa, no outro dia trabalharia normalmente. E como Bernardo morava longe de minha casa, tratei de me adiantar. Eu não queria, obviamente, ir embora. Bernardo insistiu muitas vezes para que eu ficasse, até porque a chuva já estava engrossando novamente. Mas eu sabia que se ficasse, acabaria cometendo uma loucura. E eu não queria perder de vez o que existia de mais valioso para mim.
Bernardo me acompanhou, de má vontade, até a esquina da rua de sua casa. Estávamos mais do que encapados, tamanho era o frio. Não havia vivalma por ali. Apesar de não ser perigoso, aquele silêncio mortal juntamente com o vento cortante me fizeram tremer. Bernardo sentiu isso e, quando chegamos à esquina, ele me abraçou. Retribui o movimento, já não contendo as lágrimas por ter que me afastar do amor da minha vida. Ele não queria me largar. A última condução estava prestes a passar e eu pouco me importava naquele momento se ia ou não para casa. Bernardo me pressionou contra si, parou seu olhos nos meus e disse, fazendo meu corpo petrificar:
- Eu senti mais a sua falta do que pode imaginar. Eu te amo – completou, puxando meu rosto contra o seu. Parecia que eu iria perder o chão. O choque dos seus lábios nos meus foi o suficiente para me acordar e perceber que aquilo estava mesmo acontecendo. Nem o frio congelante nem o vento cortante me impediram de beijá-lo com todas as minhas forças. Aquele breu que envolvia a rua me pareceu um tanto sugestivo. Não me recordo de ter visto o ônibus passando por nós. Só me lembro do melhor beijo da minha vida. Com o amor da minha vida.
Pois é, bebês. Foi o que saiu pra hoje. Lembrei de umas coisas aí da minha vida que inspiraram o texto. Pode nem parecer, mas acabei chorando ao escrever o texto. SIM, eu sou patético. Não esqueci o Thales, ainda. Meu amor tá sofrendo pelo Julinho e eu sem poder fazer nada. MAZENFIM, pretendo postar amanhã de novo. Ah, e tô blogando pela primeira vez pelo Windows Live Writer! Recomendo!
Do seu escritor-aspirante,

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