terça-feira, 7 de junho de 2011

“CRÍTICA: Insensato Coração, uma novela imprevisível”

 

Já faz algum tempo que comecei a acompanhar fielmente a novela das nove horas da Rede Globo e demorei propositalmente a escrever esta crítica. Com um enredo pra lá de inconstante e atores que entram e saem de cena na hora certa, “Insensato Coração” vem conquistando os telespectadores com sua trama cheia de reviravoltas e surpresas que os autores Ricardo Linhares e Gilberto Braga fazem questão de inserir a todo momento. A história dos irmãos Pedro (Eriberto Leão) e Leonardo/Léo (Gabriel Braga Nunes) e seus pais Wanda (Natália do Vale) e Raul (Antonio Fagundes) não agradou muito no começo, não. Além das brigas excessivamente chatas e desnecessárias que desvalorizavam o real potencial dos atores em questão (Antonio e Natália), não era sedutor ver sempre a mesma coisa terminar sempre do mesmo jeito. Até que Léo começa a mostrar que sua carinha de anjo é apenas um disfarce para o demônio que existe dentro dele. Todos acabam sendo vítimas de seus golpes, inclusive a própria família. O intérprete de Léo, Gabriel Braga Nunes, vem desempenhando seu papel com maestria, dedicação e é de um convencimento ímpar: a frieza e a impiedade do personagem assusta, como aconteceu semana passada na cena da morte de sua prima Irene (Fernanda Paes Leme), que morreu atropelada por Léo. A trama toda tem ambientações em diversos lugares, mas vale destacar a fotografia de todos os cenários. Em especial, no Rio de Janeiro, onde boa parte da trama vem se passando. Os núcleos “cômicos” da novela (cômicos entre aspas, pois nem sempre são tão engraçados assim) acabam roubando a cena em alguns momentos, como acontece no Horto, onde há o bar do Gabino (Guilherme Piva) e a casa da maluca Natalie Lamour (Deborah Secco) e seu irmão desmiolado Douglas (Ricardo Tozzi). Além disso, nomes de peso como Glória Pires (interpretando a vingativa Norma Pimentel), Lázaro Ramos (vivendo o designer de prestigío André Gurgel), Herson Capri (como o banqueiro e vilão história Horácio Cortez) e Camila Pitanga (como a diretora de marketing Carolina Miranda) também acrescentam um bocado à história que graças aos seus respectivos personagens tomou algum rumo apreciável. Nota dez também para os autores, para a inserção de temas atuais e que precisam ser discutidos pela sociedade, como a homofobia e o bullying. O ator Rodrigo Andrade, que vive o trabalhador e confuso Eduardo Aboim na história, está sendo de um destaque merecido, pela emoção dada ao personagem que acaba de descobrir sua atração por homens. E o núcleo jovem da novela não decepciona: Giovanna Lancellotti, a romântica e apaixonada Cecília, foi um gol de placa na seleção dos atores novatos; a atriz anda dando um show de interpretação, assim como Polliana Aleixo, a Olívia na trama. Poderia passar um tempão falando do lado bom da novela, mas tenho do que reclamar também. Certos atores, como Jonatas Faro e Paola Oliveira, são tão enfatizados e acabam nos frustrando com a automaticidade na fala e na expressão, enquanto as já consagradas Ana Lúcia Torre e Nathália Timberg não tem o prestígio devido – e garanto que não sou só eu quem pensa assim. Além do que a sucessão de mortes de algum tempo para cá foi de certo modo exagerada – posso até considerar necessária, devido aos baixos indíces de audiências registrados. E a demora no desenrolar da trama foi de uma demora assustadora – tamanha que cheguei a mudar de canal em alguns períodos. “Insensato Coração” parecia pouco promissora no começo, mas agora que todos estamos hipnotizados pelo acelerar do enredo e pelas crescentes surpresas, podemos aguardar por fortes emoções dignas de novela das nove. A imprevisibilidade de “Insensato Coração” está se mostrando uma grande aliada na busca pelo sucesso do trabalho. Já não deixo de assistir, e vocês?

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