Vocês já sabem que eu cursarei Licenciatura em Letras com especialização em francês a partir de agosto (chega logo, primeiro de agosto!). E vocês, logicamente, sabem que estudarei para ser professor, especificamente de língua portuguesa (eu amo português, sou louco?). Tá, vocês já estão por dentro até da cor da minha alma, vamos parar de enrolação: estou pensativo. Desde agora há pouco quando cheguei do curso de francês.
Definirei o motivo que me fez pensar nisso em uma palavra: GREVE. Antes, quando eu era só um estudante retardado para ir para a faculdade, gritava feliz da vida quando os professores decretavam greve. Não fazia deia o que estava fazendo. Minha mãe, que é professora (e linda e musa e sexy), teve que paralisar suas atividades já há duas semanas com centenas de outros colegas de labuta, reivindicando seus direitos reais – e não aquilo que o governo sugere de maneira desonesta e absurda, diga-se de passagem. E é em cima desses direitos que estou pensando em meu futuro nesta profissão.
O professor é o alicerce de toda e qualquer profissão, só para começar. Vocês não acham injusto que esses profissionais tão essenciais sejam tão desvalorizados pelo poder público? E depois, como se não bastasse essa injustiça, não é qualquer um que se dispõe a exercer um papel destes. O professor é o sujeito mais corajoso que existe, falo com todas as letras. Diga lá se você se submeteria a tentar entender trinta, quarenta mentes reunidas num lugar nem um pouco favorável à esta reunião diária, correndo o risco de enlouquecer a qualquer momento!
Ok, sem pressão, Tiêgo.
Enfim, são muitas divergências. Muitas. Ao mesmo tempo que professor pode ser uma profissão alegre, dinâmica, pode ser uma profissão estagnada, sem ascensão, sem reconhecimento verdadeiro. Essa adversidade me assusta bastante. Mas sabe, eu acho que meu amor pela linguagem chega a ser maior do que qualquer indiferença que venha a surgir. Além do que se eu não gostar, posso exercer várias outras atividades, não é?
Uma observação: acabo de descobrir que não precisa ser formado em Letras para pertencer à Academia Brasileira de Letras. Então vou continuar sonhando com tudo que é possibilidade. Vai que eu descubra outra vocação sem querer?
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Post-desabafo. A greve dos professores aqui em Macapá ainda não acabou e eu acabo de ver que não é só aqui: a Bahia também parou tudo na rede estadual de ensino, nas universidades. Concordo com a atitude. O país vai parar se os professores mostrarem sua força pra aquele bando de injustos e malditos que fazem nossa política, infelizmente.
E tô com dor de garganta, tô chato, não sei como consegui escrever esse texto e vou picar a mula JÁ porque tô com tanta dor mas tanta dor que só vou blogar e capotar. Um detalhe: ainda são dez horas da noite. Isso é um milagre pour moi, risos.
Do seu escritor-aspirante,

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