“Querido diário,
Acordei sentindo algo estranho. Parecia que eu estava num lugar onde eu não deveria estar. Ou mais estranho ainda, onde eu nunca havia me imaginado estar. Minhas impressões foram confirmadas após o despertar: eu estava numa época totalmente diferente da qual estava antes de repousar a cabeça no travesseiro ontem! A atmosfera estava diferente. Ao meu redor, eu sentia as coisas diferentes. A começar pelo banheiro: desde quando minha escova de dentes faz o serviço completo só com o clique de um botão? E o que dizer do chuveiro, cuja temperatura se adapta à minha necessidade no momento, sem eu ativar qualquer coisa?Fiquei completamente abismado com tais invenções! Seria interessante também dizer que meus dentes estão branquíssimos e minha pele com um aspecto ótimo! E não muito depois disso, ao tomar café, reparei que existia uma máquina que faz pão na hora, assim como o café, de todas as formas possíveis. Imaginem só se eu, assim como metade da população, não amei! Estranhei um pouco o fato de tudo parecer perfeito demais, mas ignorei, só podia ser coisa da minha cabeça. Já estava me acostumando com a ideia de estar num lugar longe do meu distante presente quando abri a porta da minha casa (que só abre única e exclusivamente com o meu comando de voz) para ir ao trabalho. O que era o tráfego de veículos pela rua?! Mininaves flutuavam próximas ao meio-fio e as bicicletas tinham uma espécie de acelerador que as deixavam como as motos, mas sem poluir. Aliás, não existia poluição por nenhum canto; nada de dióxido de carbono, nada de lixo nas ruas, nada de nada. Por todo o trajeto onde caminhei, lixeiros metálicos me acompanhavam. Experimentei jogar um pedaço de papel dentro de uma delas e raios laser a desintegraram em questão de segundos! Quase não acreditei naquilo… Estaria o mundo pornto pra aguentar mais um milênio? Tudo gritava sustentabilidade, aquela que eu acreditava lá no presente que seria a salvadora da humanidade… E assim foi até eu chegar ao trabalho. Tudo mudado. Agora existia um prédio imenso, muito bonito e cheio de gente correndo apressada de um lado para o outro. E logo descobri porque eu tinha que usar aqueles sapatos altos com rodinhas supersônicas. Não me recordo de ter muitos momentos de descanso após pisar lá dentro. E eu notei que muitos colegas de departamento estavam tristes… Depressão. É, eu bem que imaginei que ela seria inevitável e cada vez mais frequente numa população cada vez mais solitária… O resto do meu dia seguiu-se com o impacto da realidade daquele futuro. E ao chegar em casa e pesar os prós e contras, vi que não era aquilo que eu gostaria para mim. Apesar de toda aquela comodidade, eu não via o sorriso das pessoas, só as via sozinhas, tudo automático demais! Não é suportável viver assim, nção é? Prefiro continuar no presente, com minha escova de dente de cerdas tortas e com meu banho frio no inverno porque eu sei que as coisas são bem menos robóticas assim. Praticidade é legal, mas em demasia chega a dar náuseas de tão comodista. Acho que está na hora de repousar no travesseiro e acordar onde eu não deveria ter saído! Até mais!
Tiêgo.”
Pauta para o Blorkutando – 143ª Semana: Diário #01.
PS: Só pra vocês saberem, tô bem tristinho que só eu esteja participando nessa semana do Blorkutando. Tô vendo a blogosfera morrer aos poucos, é isso? Vamos nos juntar e arrasar! Já diz o ditado, a união faz a força! Bora, lindos, venham comigo!

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