sábado, 21 de abril de 2012

Da série "this is the real life?"

Hora de falar sério, galera.
Já fazia um bom tempo desde que eu não passava pela rua sem que viesse algum desocupado gritar um "viado!" ou "lá vai a mocinha" para perturbar. E há muito deixei de me preocupar com essas agressões verbais até porque não é digno da minha pessoa deixar que isso continue me abalando. Mas eis que ontem aconteceu algo para o qual eu decididamente não estava preparado. E que me deixou deveras preocupado.
Ontem à noite eu voltava para casa com meu parceiro quando passamos em frente a um palco em uma praça onde se concentram pessoas de todos os tipos. Naquele momento, em especial, os jovens evangélicos estavam em peso ali para um show que aconteceria logo mais. Para falar a verdade, eu não fazia ideia de que teria alguma programação naquela praça que geralmente é tranquila, mesmo nas sextas. Até que eu tive a infelicidade de atravessar a rua e passar pela calçada da praça, onde estava mais iluminado e menos arriscado, pois já era uma hora considerável da noite. Abracei meu parceiro, nos despedimos e cada qual seguiu seu caminho. Alguns metros à frente, um grupo de garotos que provavelmente estavam ali para o show começou a rir. E eu sem entender absolutamente nada. Foi quando passei em frente ao banco no qual eles estavam sentados que eu entendi a palhaçada. O que saiu da boca do que pareceu "o líder da gangue", com estas exatas palavras em minha direção, foi:

- "É, é por causa de gente desse tipo que o mundo está desse jeito." - soltou o rapaz que parecia estar com a língua coçando para soltar a infeliz frase.

Precisei respirar fundo, olhar bem no rosto do menino que falou e me deparar com a frase que estava na camisa dele: "Sou + Deus". Normalmente eu não discuto com gente preconceituosa de cara até porque tenho mais pena de gente que pensa assim do que vontade de gastar saliva com elas. Mas naquele instante, fiquei tão perplexo que aquilo tinha partido de um menino que se dizia tão "de Deus" que as palavras me fugiram. Fiquei com pena, senti-me constrangido por ter que explicar o mesmo be-á-ba que explico para todos os meus amigos que são evangélicos e não deixam de gostar de mim pelo o que eu sou. Apenas disparei um "não vale a pena discutir com quem tem vocação pra idiota" e virei as costas, sem medo de ser, sei lá, apedrejado, espancado ou essas coisas horrorosas que são cometidas por preconceito que vemos praticamente todos os dias nos jornais. Ainda tiraram graça com o que eu disse, distorcendo tudo em vozes finas e me xingando de coisas que prefiro nem transcrever.

Cheguei em casa e me afoguei em reflexões para tentar entender o que de fato está acontecendo com o pensamento humano.

Sério, galera, não dá para engolir tanta contradição. Como já citei ali em cima, tenho diversos amigos (inclusive melhores amigos) que são evangélicos e nossas relações não poderiam ser melhores! Ou seja, por causa de algo que supostamente creem que é o correto (no meu caso, homem e mulher), acabam cometendo um crime consigo próprios: traem a própria crença. E aquele clichê-chavão da religião evangélica que diz que "Deus é amor", aonde entra nessa história toda? O certo não seria o "amai-vos uns aos outros como eu vos amei" ou algo do tipo? Tem alguma falha de coesão e coerência acontecendo com essa fanática pela religião que segue. Tem mesmo.
Quem me acompanha no O Quanto Quiser leu este texto meu falando sobre a fé que eu tenho. Acredito em Deus e eu não vou deixar de ser quem eu sou só porque está escrito em um livro (que eu não tenho a menor vontade de ler) que a relação entre dois homens não pode acontecer. Não vou mesmo. E se ainda tem gente achando que intimidar gays falando sobre pecado e tudo o mais dá certo, é bom dar uma revisada no repertório, porque esse argumento aí já deu o que tinha que dar. Não julgo ninguém pelo o que aparenta ser, pelo o que acredita ou pelo o que curte, mas sim pelo o que a pessoa é. Não me importo em ser chamado do que for, só que não dá para acreditar que a hipocrisia ainda esteja tão estampada na cara lisa de quem se acha correto por seguir o que toda uma sociedade postula como correto. E que ninguém faça nada para reverter isso, principalmente dentro de si.
Detesto admitir que esse fato lastimável tenha servido para alguma coisa. Transformei em um texto e espero que vocês todos tenham suas doses diárias de realidade tomadas depois de lê-lo. Porque tudo pode estar perfeito para você, mas infelizmente existe mais mundo real do que a fantasia pode suportar. Você querendo ou não. Querendo eu ou não.

sábado, 14 de abril de 2012

Da saudade de escrever


Ontem, após um dia daqueles, felizmente pude contar com algum tempo do descanso que eu não conheci durante toda a semana; quando não era a universidade com suas mil e uma implicações em minha vida, era o trabalho ou os cursos que faço de francês e inglês, para não contar um relacionamento que está sobrevivendo (graçasadeusmente) à toda essa loucura que é minha vida. Mas sabe quando você se pega pensando em algo que você não fez e que se arrepende muito de não ter feito? Pois então, foi exatamente isso que senti quando agarrei aquela pausa noturna da loucura diária para pensar.
E pensar em como eu era feliz e não sabia (por mais clichê que isso possa parecer).
Assim que parei para pensar, lembrei de 2009. Foi um dos piores anos da minha vida, porém foi o ano em que eu mais cresci como homem. Naquele ano, eu me vi preso em algo do qual eu precisaria me libertar por minhas próprias mãos - e assim o fiz. Em 2009, depois de mil tentativas frustradas, nasceu o A Pseudociência e desde então estamos juntos numa parceria que, se depender de mim, vai longe. E foi mais ou menos aí que meus pensamentos pararam. Eu sinto falta de escrever como eu escrevia antes. Não sou mais o mesmo há muito tempo e eu entendo isso perfeitamente. Só queria nunca ter perdido aquele jeito tão singular que eu tinha de lidar com as palavras. Hoje elas já não me saem mais com tanta facilidade quanto saíam há três anos atrás e isso me dói, mesmo que seja a mais pura verdade. Não é possível que eu tenha me tornado refém da obrigatoriedade para poder escrever e me sentir livre de mais uma obrigação. Não, muito pelo contrário! No dia em que isso acontecer, podem ter certeza que eu não serei eu mesmo. Pois eu escrevo pelo simples prazer de ver grafado tudo aquilo que se passa em meu coração.
Não sei como explicar. Mas sei que não sou mais o mesmo. Cresci, adquiri responsabilidades, tornei-me gente, por assim dizer. Só que a saudade fica. A saudade de falar das vingancinhas do colégio, a saudade de falar de como foi ruim a minha nota em geografia, a saudade de falar sobre como eu enxergava o meu futuro. Tudo mudou. E bem ou mal, não tem mais volta.
O que me resta é continuar perseverando que a escrita nunca deixará de fazer parte de mim. Podem vir mais dez, vinte anos. Ela estará intacta, correndo em minhas veias junto com meu sangue. Apenas se adequando aos meus mais diversos momentos - tal como absolutamente tudo nesta vida.
Um desabafo, um relato, não sei no quê este texto se classifica. Só sei que escrevê-lo não doeu. E só confirmou as minhas suspeitas: o escritor ainda vive!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

01 mágoa: hiatus

Pode até ser que isso nem chegue a ser um hiatus, mas enfim: galera, estou completamente enrolado com a universidade, meus cursos de línguas e meu trabalho. Estou muito pendente com vocês e já tenho dois textos escritos no papel que só faltam serem passados pra cá. Mas infelizmente a falta de tempo não está colaborando. Quando eu o consigo, preciso estudar e resolver problemas, então blogar está ficando complicado. Não abandonarei o A Pseudociência, a quem interessar possa, mas preciso que vocês se acostumem com minha ausência. Fui inventar de brincar de ser adulto, deu nisso. Vejo vocês assim que eu me desenrolar. Beijão!