sexta-feira, 7 de março de 2014

Da viagem para a Espanha

Em Toledo, a cidade mais incrível que conheci na Espanha depois de Salamanca.

Fantástica. Incrível. Única. Acho que eu posso definir assim a minha viagem para a Espanha. Eu não imaginava que seria tão incrível. Dos três selecionados, eu fui o único que não tinha viajado para além do Pará. E de uma vez só, conheci São Paulo e a Espanha. Antes de irmos para o país, participamos de uma cerimônia de embarque, na qual deram um kit com mochila, cadernos e afins e muitas instruções. Lá, Luã, Ranielly (os dois outros selecionados da UNIFAP) e eu nos juntamos a outros 80 acadêmicos, professores e colaboradores do Santander em prol dos estudos em espanhol. Ali mesmo eu já havia sentido que seria uma experiência para eu não esquecer nunca mais.
Luã, Ranielly e eu - representantes da UNIFAP no Top España 2013.2
Passar onze horas dentro de um avião foi traumatizante. Eu rezei para o período na Espanha demorar muito para que eu não tivesse que sentir tudo de novo. Mas quando cheguei, tudo valeu a pena. O aeroporto de Madri é imenso. Quase um bairro de tão grande, tanto que tem metrô para se deslocar entre as plataformas de embarque e desembarque. É surreal. Fomos de ônibus para Salamanca, mas antes de chegar lá ainda fizemos uma parada para almoçar em Ávila, uma cidade pequena e histórica que conserva suas raízes medievais até hoje. É um lugar extremamente frio – arrisco dizer que foi o lugar mais frio que visitei na Espanha. Fazia algo por volta de 2°, 3° quando estávamos por lá, em plenas duas horas da tarde. E pensar que frio em Macapá não é menos de 25°...




Ao chegar a Salamanca, fui tomado por uma alegria sem igual. Já havia reparado na estrada Ávila-Salamanca, mas lá eu tive o verdadeiro choque de que estava na Espanha. Ruas limpas e pavimentadas, com motoristas prudentes e pedestres igualmente respeitosos; uma vegetação bem diferente da nossa, com árvores secas e algumas (poucas) árvores altas e um ar puro, sem poluição excessiva. Assim que desci do ônibus e vi o alojamento, fiquei extremamente aliviado ao perceber que as dependências do Colegio Mayor Hernan Cortés estavam num nível muito além do que eu imaginei. Os “colegios” são moradas universitárias que abrigam os acadêmicos que vem de fora de Salamanca. O nosso, segundo a maioria, era o melhor e mais bem estruturado de todos, porque além do “comedor” universitário, tinha salas para tudo: jogos, televisão, estudos, biblioteca, lavanderia... Era bem grande. Não cheguei a vê-lo todo, mas o que eu pude conhecer do lugar me deixou impressionado. Era inevitável a comparação com o Brasil, em especial com a Unifap, que nem de alojamento dispõe.





Fomos muito bem recebidos em Salamanca. Ainda no dia da nossa chegada, fomos à outra cerimônia de boas vindas pelo pessoal da coordenação dos Cursos Internacionales da Universidade de Salamanca, uma hora depois de nos alojarmos. Lá, recebemos o material do curso, a carteira estudantil da universidade e mais instruções. Ali, comecei a perceber que o espanhol não era um idioma difícil, mas que exigiria bastante de mim. Também comecei a observar os hábitos dos espanhóis e, se há algo do qual eu vou sentir bastante falta deles, esse algo é a pontualidade. Se marcam algo às 20h, às 20h começa. Às vezes, se já estão todos lá antes do horário, eles iniciam o compromisso também. É algo impressionante quando você já está acostumado com o atraso brasileiro. Assim, em meu bilhete das classes constava aula de língua espanhola das 9h às 11h e de conversação e redação das 11h às 12h. Estranhei o horário, mas achei bom logo de cara, uma vez que 9h para mim é um atraso absurdo nas aulas. Ah, e eu também caí em uma turma de nível avançado. Quis trocar, mas preferi assistir a primeira aula para tirar minhas conclusões sobre isso.
Com medo de chegar atrasado, levantei-me às 7h e assim segui para San Boal, o edifício da Universidade de Salamanca que abrigava os cursos internacionais. Rapidamente me arrumei e desci para tomar café. O frio marcava 5° e eu achei que não fosse suportar sair da rua para chegar até a faculdade, mas era mais próximo do que eu imaginava. A priori, tudo parece próximo em Salamanca. Dá para conhecer a cidade toda a pé. Vi pouquíssima necessidade de usar carro, moto ou ônibus (que por sinal são excelentes), mas uma bicicleta seria perfeita (vemos muitas pessoas andando de bicicleta pela cidade). Enfim, para não me demorar muito, saímos em grupo para San Boal e ainda levamos um bom tempo para encontrar (tínhamos estado lá à noite, mas de dia o caminho parecia diferente) o prédio, mas as pessoas, sempre muito solícitas, nos ajudaram a encontrá-lo. E uma vez na sala de aula, faltavam poucos minutos para as nove.
A professora era pontual. Begoña estava ali pontualmente às 9h, pronta para nos ensinar o melhor dela. Era engraçada, teatral e espontânea, além de atrair nossa atenção para assuntos que pareciam difíceis. E ela não era a única estrangeira na sala: além de outros brasileiros (Luã e Ranielly também caíram na mesma turma que eu), havia coreanas e americanas. Mundos extremamente opostos unidos em nome da língua e da cultura espanhola. Foi incrível passar a maior parte dos meus dias em Salamanca ali, com todos. As aulas de Begoña eram de gramática pura, mas também eram cultura: com ela, aprendemos várias coisas sobre os hábitos dos espanhóis. Além do “pluscuamperfecto” e dos “pronombres”, mergulhamos no universo espanhol ali, nas aulas dela. Aliás, não só nas aulas dela, como também nas de conversação e redação. María era um pouco mais séria do que Begoña, mas nos entendemos bem. Aprendemos bastantes coisas úteis acerca dos usos da língua, o que seria útil em diversas ocasiões que provavelmente nos encontraríamos... As aulas foram um show à parte. Estávamos ali por conta do curso e realmente, foi demais. Eu só tinha visto algo bem breve de espanhol no ensino médio, então para mim foi uma experiência sem igual. O contato direto com a língua, com os colegas de outras nacionalidades que me obrigavam a falar espanhol também...

 



Salamanca se mostrou uma cidade incrível. Conheci a Universidade Antígua, que era onde ocorriam as aulas da Universidade de Salamanca e aquele lugar é fantástico. Hoje, só funciona para visitação, mas percebemos o quão grandiosa é a universidade. Oitocentos anos tornam a universidade de Salamanca a mais antiga da Espanha e uma das mais antigas da Europa, sendo referência no ensino superior para o mundo. Senti-me lisonjeado por poder ter conhecido algo tão importante. Além disso, passei pela Catedral de Salamanca, esplendorosa e imponente com sua construção impecável e repleta de histórias; a Plaza Mayor, sem dúvida meu lugar favorito dali tanto pela beleza quanto pelo valor sentimental: foi o primeiro cartão postal da cidade que visitei. E eu me sentia tão bem ali que não sentia vontade de ir embora, tamanho o aconchego daquele lugar. Tanto de dia quanto à noite, era de uma beleza inigualável. É uma das lembranças mais fortes que tenho de Salamanca. Além disso, tem diversos outros lugares interessantes, como a Ponte Romana, o rio Tormes, o centro comercial que tem de tudo, os bares e restaurantes, a Casa das Conchas, a faculdade de Filologia... São muitos. Se fosse falar de todos, levaria anos para terminar este relato.
Minúsculo perto da catedral de Salamanca


I FUCKIN LOVE THIS PHOTO




À beira do rio Tormes, que atravessa Salamanca. CONGELANDO
Ponte Romana e um dos meus lugares favoritos em Salamanca por causa dessa visão ESPETACULAR
Tinha muitas outras coisas pra falar, mas deixo as imagens falarem por si próprias. Não só Salamanca como Toledo e Madri me mostraram o lugar maravilhoso que é a Espanha. O pouco que conheci me fez ter uma impressão única e positiva do país. Acredito que nunca serei grato o suficiente ao Santander e à UNIFAP pela oportunidade de ter participado do Top España. Todas as experiências que eu vivi, as pessoas e lugares que conheci, as comidas que provei (e gostei, e detestei), os conhecimentos que adquiri serão levados para o resto da minha vida e, de alguma forma, contribuíram para que eu me tornasse um homem adulto, independente e com uma visão de mundo trezentas vezes ampliada. Foram três semanas que passaram voando, mas que duraram tempo o suficiente para que eu vivesse a melhor experiência da minha vida! Espero um dia poder retornar a Salamanca, especialmente Salamanca, o lugar que tão bem me acolheu e me mostrou que eu ainda posso chegar longe, muito longe, se eu acreditar nos meus sonhos. Como sempre acredito, como sempre acreditei, como sempre acreditarei.

4 pseudocomentaram:

Dayane Pereira disse...

Que experiência incrível!
Além de estudar, pode viajar, conhecer lugares maravilhosos.
Acho que a Espanha é um lugar para se morar!

Tay disse...

Poxa, só agora li isso!! E um dos meus maiores sonhos hoje é ganhar o mundo para estudar - e conhecer.
Beijo Tegs.

Tay disse...

Poxa, só agora li isso!! E um dos meus maiores sonhos hoje é ganhar o mundo para estudar - e conhecer.
Beijo Tegs.

Elielson Dias disse...

Que relato incrível! Irei em fevereiro para Salamanca por meio do programa Ibero-Americanas do Santander e estou morrendo de ansiedade! Obrigado por compartilhar seus momentos.