sexta-feira, 21 de maio de 2010

Final feliz.

Kaléo não tinha a menor ideia do que estava fazendo, mas sabia que aquilo ia lhe levar à felicidade. Seu amor por Marina era maior do que qualquer coisa no mundo e ele já havia aprendido a admitir isso. Era como se fosse uma imã, Marina era seu imã. E ele teria que sair dali a todo custo, mesmo que fugir significasse morrer caso fosse pego. Kaléo não tinha escolha: seu instinto agia contra a razão. E isso fez ele agir involuntariamente.


O rapaz conseguiu tirar discretamente a minúscula mala que estava sobre o armário, colocou dentro dela seus pertences mais necessários - uma flauta doce, um caderno, uma caneta, um bilhete de ônibus e o principal, todas as cartas que havia recebido de Marina durante todos os quinze meses em que esteve confinado. Ao virar-se pela última vez para o quadro com a pintura que ele próprio havia feito de Marina, as lágrimas escaparam de seus olhos. Só lhe restou murmurar um " estou chegando, meu amor " e partir para sua longa caminhada.


Kaléo passou horas andando em direção à rodoviária, até encontrar o prédio em que se encontrava a dita rodoviária. Era meio sombria, não havia tanto movimento como nas cidades grandes, mas ainda havia pessoas circulando lentamente pelas passarelas ao lado das vias por onde os ônibus passavam. Kaléo decidiu agir como os demais para não dar a entender que ele havia fugido. Mas a polícia foi um tanto mais esperta que ele e o pegou mesmo antes dele correr para o ônibus que ia para a cidade de Marina, Ouro Preto. Na delegacia, os agentes não deram a menor chance para Kaléo se defender, apenas o jogaram em uma das celas escuras que existiam dentro daquela casa de detenção. O rapaz pensava em Marina e chorava, relembrando os poucos dias que estiveram juntos, mas que marcaram profundamente a vida dele. A vida dele era pensar em Marina como se ela fosse o ar que ele respira.


Passadas duas horas, um dos agentes abriu a porta da cela de Kaléo e disse:


- Você foi solto. Alguém pagou sua fiança.


Com os olhos negros e fundos, Kaléo tentou entender quem o tiraria dali, se ele não conhecia ninguém que pudesse saber que ele se encontrava ali. Rapidamente, ele se levantou de sua cama de concreto improvisada e correu até a recepção da delegacia, onde se encontrava seu anjo protetor.


Marina.


Com o coração pulsando como nunca, Kaléo a abraçou como se nunca mais fosse vê-la e não pensou duas vezes antes de beijá-la, matando de vez a sede que ele tinha de possuí-la mais uma vez em seus braços. Marina sorria enquanto o beijava, e isso deixava Kaléo muito feliz também. A paixão que ele sentia por ela, de uma vez por todas, havia se transformado em amor. Um surto repentino de curiosidade fez Kaléo perguntar à Marina:


- Como você soube que eu estava aqui?


- Meu amor por você me fez cometer a maior loucura da minha vida: fugi, para lhe ver novamente.


- Se eu lhe dissesse que estava aqui pelo mesmo motivo, você...


- Acreditaria - disse ela, completando as palavras dele com uma certeza grande e encostando de leve os lábios frios e vermelhos de Kaléo.


Kaléo pôde enfim, mesmo sem o malete com as cartas de Marina e as outras coisas, partir feliz com ela, para o horizonte ou qualquer outro lugar no qual eles pudessem ser felizes.







Pauta para o Blorkutando - 86ª Semana : Cinco Palavras.

***


Vou postar agora só a história. o PS vem depois, tá dando erro no Blogger.

4 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

Que Lindo (L)
*.*

Bjs!

Erica Ferro disse...

Ah, eu gostei!
E olha que eu não tenho gostado de coisas muito românticas e com finais felizes, rs.

Beijo.

A!!ªN disse...

Finais felizes são sempre muito bons, eu acredito neles, pelo menos vivo para ter um rsrsrs

Vanessa disse...

Achei muito bonito o texto, mas sabe o que me deixou muito intrigada? O nome Kaléo! De onde veio a inspiração para batizá-lo?