quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Bullying: uma verdade inadmissível



Aos sete anos de idade, quando cursava a segunda série, comecei a perceber duas coisas no meio escolar: a primeira era que eu odiava futebol e que nas aulas de educação física eu preferia ir à biblioteca do que ser forçado a jogar; e a segunda era que ser tão diferente me traria problemas. Sérios problemas.
Algum tempo depois de ter assumido de vez que não era fã das atividades físicas, um certo grupo de garotos que sentavam no fundo da sala resolveu me apelidar. Responder as perguntas que a professora fazia era minha sentença. E responder era um verbo que a " galera do fundão ", como eram conhecidos, não havia aprendido. Logo após a professora confirmar minhas palavras, eles não perdiam tempo e começavam a sessão xingamento: " só as mariquinhas dão a resposta pra professora " , " tem uma menininha a mais na sala e ninguém sabia " e o que eu achava pior, " conta isso pra alguém e a gente te arrebenta ". No ímpeto, eu me sentia um nada. Ou pior, não conseguia sentir nada. Era como se a palavra deles me sedasse e impedisse minhas cordas vocais de se movimentar. Foram meses de torturas semanais, lágrimas no banheiro e silêncio absoluto. Em casa, minha mãe percebia meu distanciamento e me perguntava se havia algo de errado. Eu negava; por receio, por angústia, por medo. Parecia que eu estava dentro de um pesadelo, daqueles que te fazem acordar no meio da noite e chorar, de tão real. Não queria acreditar no que acontecia, mas a cada dia que passava, meus olhos não conseguiam mais esconder; eles tinham um brilho. Um brilho diferente, anormal. E graças à ele, toda a agonia que passei submetido às ameaças da " galera do fundão " teve um fim.
Era uma quarta-feira , e eu teria aula de educação física. Mais um dia em que eu teria que responder a chamada e e correr para a biblioteca. Literalmente. Neste dia, eu sofri agressões psicológicas em demasia pelos garotos. Era desesperador, e me jogar de cabeça nos livros era a única alternativa que eu tinha para esquecer. E foi o que eu fiz; corri para a biblioteca, mas o Rômulo, não satisfeito com os palavrões ditos à mim, foi além em uma de suas brincadeiras. Ele pôs o pé em minha frente enquanto eu corria e eu não pude controlar: caí com força no chão, batendo com a cabeça em uma pedra. No mesmo instante, os gritos e os risos dos outros colegas de classe desapareceram, assim como tudo em minha vista. Acordei na sala do diretor, com meus pais do meu lado esquerdo e os cinco membros da " galera do fundão " do lado do diretor, sentados e apreensivos. Meu crânio parecia ter sido rompido em vários pedaços, ocasionando uma dor insuportável. Olhei devagar para minha mãe, e ela, calmamente, perguntou-me o que havia acontecido. Respirei fundo, movi minha cabeça na direção do Rômulo, e esquecendo completamente da dor que me dominava, falei o que eles haviam feito comigo durante todos aqueles meses. Chorei, de raiva que sentia dos cinco membros da " galera do fundão " , mas falei. Tudo o que me corroía por dentro saiu de uma vez só. Meus pais ficaram chocados. O diretor, idem. Os garotos tinham fúria nos rostos marcados e eu, após um breve período falando sem parar, sorri. Como se não houvesse dor. Sorri para mostrar à eles que naquele momento, quem tinha o controle da situação era eu. E não só por isso, mas também para dizer, mesmo que mentalmente, que quem ri por último, ri melhor.
As revelações fizeram com que todos os meninos fossem remanejados para outro turno e com que eles cumprissem uma espécie de "pena" pelos atos cometidos. Até hoje não sei que punição foi essa. Mas que fez efeito, fez. Fui recebido como um herói nos dias seguintes. Sem contar que a justiça havia tirado um peso imenso de minha consciência. Toda esta história me valeu uma bela lição de moral: nunca reprimir seus sentimentos quando se está certo sobre eles. Eu tive um final feliz; porém não é sempre que se vê fins desse tipo. E não desejo o que vivi para ninguém. Mesmo.
Hoje, sou feliz e satisfeito com meus defeitos e qualidades, mesmo que ainda surjam comentários maldosos a meu respeito, principalmente quando eles vem daquele pessoal do " fundão ". Bullying é uma doença, e contagia. Eu tenho sido vacinado contra ela há muito tempo. Deste mal eu passo longe. Bem longe. De preferência, por um campo de futebol de diferença.



* História baseada em fatos reais.





Pauta para o Blorkutando - 71º Semana: Bullying Não Tem Graça Nenhuma.






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Só pra constar: um ótimo tema proposto pelo Blorkutando. Vivi isso e sei bem como é. Caso fiquem curiosos, podem perguntar mais, eu sou um exemplo de superação de bullying e não é por falar.
E falando em Blorkutando, acabei de entrar na comunidade pra postar o texto e adivinhem: EU SOU DESTAQUE DO MÊS DE JANEIRO! Quase morri! Podem conferir clicando aqui.

Hoje o texto foi grande, mas foi por uma boa causa. E não vou me demorar por aqui, tenho muitas coisas pra resolver daqui a pouco. Ficarei ausente do blog até domingo, porque a escola onde trabalho iniciará as atividades segunda feira, 8, e eu estou a todo vapor para o início das aulas. Muito trabalho, pouco tempo.

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Algumas considerações:
# Tessália saiu do BBB. Tô arrasado até agora.
# O número de comentários aumentou! Que felicidade!
# Gossip Girl e Malhação estão mais imperdíveis do que nunca!
# Comecei a ler mais jornal. Todo mundo achou péssimo, mas eu adorei a ideia, já que começarei a atuar em um! Isso mesmo! Fui chamado pela minha amiga, Jeanne Cristina, para participar do Jornal da minha escola! Não é demais? Ficarei com a coluna adolescente, coisa que eu entendo muito bem, por sinal.
# Nada de começarem as inscrições pro Tudo de Blog. Não aguento mais esperar! E ainda nem saiu o aviso na revista! Acho que o TDB tá com seus dias contados. Mas não quero acreditar nisso.
# Tô mais perto do meu amor. Uma desgraça com uma foto nos uniu, mas não quero entrar em detalhes. Só pra constar, R., é a sigla da vez. Rs.
# E por fim, tô feliz demais.


É , já chega por hoje.


Beijos, abraços, apertos de mão, saudades, e até a próxima!

7 pseudocomentaram:

James Pimentel disse...

acho que nunca ninguém sofreu por isso. Eu também detestava futebol, nunca me "agrdiram" em relação a isso não sabe, pelo contrário, sempre fui "aceito" pela minha inteligência, quando tinham o que queriam, me descartavam como um lixo. Enfim...
Traumas existem pra ser superados. Só meu raiva porque vc nun fez logo isso antes, esperou a última consequência pra abrir a boca. Não faça mais isso Tiêgo.
Grande abraço, se cuida, fica com o Pai!

Erica Ferro disse...

Bullying é crueldade.
É criar traumas na mente alheia, que serão vencidos com muito esforço (isso quando são); e isso não é justo e não é bom.
É um dos pontos altos que o ser humano pode chegar em termos de crueldade.

Beijo, Tiêgo.
Parabéns pelas conquistas e superações.

Vitória Silva disse...

Eu sofro Bullyng até hoje, é a pior coisa do mundo. Mas eu nem ligo, sabe?
Enfim, você viu? A Tess saiu *-*' Sério que o TDB vai acabar? Você já notou que eu falo mais do seu ps do que do post? kk'
Beijos;

l a l a h disse...

Bullyng é uma doença terrivel que se manifesta de varias formas. Eu já sofre varios tipos: poer ser a feia, por ser a "nerd", por não gostar de esportes. Mas eu nunca me reprimi, denunciava e acabava quase isolada, mas as pessoas que ficavam do meu lado são as que eu considero amigos de verdade.

Tata disse...

Aqueles que sofrem bullying são marcados pelo resto de suas vidas, mesmo que isso não valha MESMO a pena.
Sempre fui motivo de zoação de várias partes, ou por ser a mais gordjénha da classe, ou por ser nerd, ou por ser quieta demais. Grande parte disso aconteceu por inveja e eu nunca dei muita bola.
Pior do que o bullying é o cyberbullying. Não tem como vc provar quem é o culpado pelas acusações. No meu caso, mesmo com confissões feitas pelo msn, os culpados não foram punidos ¬¬ Oi meu colégio era podre bjs.

Parabéns por ser destaque no blokurtando ^^
Tessália saiu! AEAEAEAEAEAE \\O//
Já achava que 78% era muita coisa pra paredão duplo. Quando vi que ela saiu com essa porcentagem num paredão triplo, rialto.

Clara disse...

Concordo, foi um ótimo tema!

Quando li "fim da galera do fundão", imaginei um desfecho trágico, mas gostei muito mais do que você deu. Seria bom se providências assim fossem tomadas com frequência.

Eu também me considero um exemplo de superação. Sofri constragimentos na escola, tinha poucos amigos, mas hoje sou muito amis forte e, quando posso, ajudo quem sofre bulling.

A vida é superação, neh?

Jana Barreto disse...

o tema mais 'polêmico' que já vi no BK. cara, se eu já passei por algo assim tão pesado, e passou desapercebido :p
é claro que já recebi ofensas por causa do meu 'tipinho fisico', chorei, não nego, mas depois passou.

vc tá acompnhando meu blog de templates? lá tem tuto pra fazer layout. :)
que bom que gostou da carta. Beijos!