domingo, 19 de dezembro de 2010

Um encontro no metrô (parte 4).



Ernie McWhalen.

Aquele nome martelava na cabeça de Stevie desde o momento no qual se dera conta de que estava deitado eao lado de Victor em sua cama. Stevie só se recordava de ter caído no chão duro e frio daquela plataforma desconhecida. Victor se encontrava num sono profundo, como um anjo cansado. "A inocência desse rosto me enganou direitinho", pensou Stevie, sorrindo do que parecia uma completa interrogação. Stevie Leans ainda tentava abosrver aquela chuva de revelações que caía sobre ele. E o pior de tudo era não lembrar de absolutamente nada desde a dor infernal até o despertar com o já conhecido hálito de cereja de Victor. Era como se Stevie tivesse sido dopado a ponto de não querer saber mais de nada, a não ser ficar perto de rapaz de aparência angelical que dormia ao seu lado.
E que estranhamente havia criado barba. De um dia para o outro.
E agora, como se já não bastassem enigmas o suficiente, o nome Ernie McWhalen não saía da cabeça de Stevie. Teria este alguma relação com Victor? Ou seria só mais uma neurose das que sempre apareciam eu sua vida?
O sol fora coberto totalmente pelas nuvens negras que anunciavam uma chuva daquelas. O pensamento de Stevie não parava. Cuidadosamente, ele levantou-se da cama e preparou o café da manhã como fazia sempre. O relógio marcava dez horas e aos sábados Stevie tinha folga da Global. Ao virar-se para ir ao quarto, ele escutou gritos. Victor se mexia abruptamente na cama antes de gritar por Stevie e se mostrar bastante nervoso. As feições despreocupadas do rapaz simplesmente sumiram. Ele envolveu Stevie com os braços e o ato pareceu tranquilizá-lo. Foi quando Victor soltou os braços de Stevie que ele percebeu que  Victor parecia mais adulto. A barba cerrada havia aparecido, bem como as marcas nos olhos e nas maçãs do rosto. Victor assustado com a expressão no rosto de Stevie perguntou:

- Há algo de errado comigo? Não me assuste mais do que já me assustei com este pesadelo que tive - disse ele, soando trêmulo e tenso ao mesmo tempo
Stevie, estranhando aquilo, replicou com outra pergunta:

- Você fez algo com seu rosto?

- Não! Porque teria feito? - perguntou Victor, apalpando o rosto e sentindo a pelugem que cobria-lhe o rosto.

- Até ontem você não tinha barba nem essas marcas de meia idade nos olhos e nas maçãs do rosto. Você pode me explicar por favor o que está acontecendo? - Stevie tentou parecer tranquilo, o que não era verdade em seu interior.

- Você também está diferente - disse Victor, se esquivando da resposta que teria que dar e passando a mão de leve no rosto do parceiro, tocando a barba recém-formada. Stevie odiava ter que tirá-la e ainda não havia reparado que ela se encontrava em sua face. Havia algo de errado ali.
Victor não parecia o mesmo de antes. Mesmo já calmo, parecia que algo lhe afligia. Aquilo pôs medo em Stevie sem querer.

- Eu odeio barba e até ontem eu não tinha nem vestígio dela. Quero entender isso, Victor! Pelo amor dos deuses, me explica o que está acontecendo! - e inesperadamente, lágrimas irromperam dos olhos de Stevie. Victor abraçou-o ainda mais forte e, decidido, falou:

- Eu não sei como explicar tudo isso de uma forma simples. Mas vou tentar resumir a história. Estou sentindo isso tanto quanto você. É a hora de você saber de tudo.

Após respirar fundo o rapaz, parecendo muito mais velho do que deveria parecer, começou sua história:

"No mesmo dia em que consertei a sua bicicletinah de madeira, eu já havia visitado vários lugares do mundo em diferentes épocas: a Antártida, as Américas, a Europa. E o mais estranho era que ninguém parecia se dar conta da minha existência. Perdi meus pais cedo demais e tive medo do mundo após perdas tão significativas quanto estas. Entrava e saía de hotéis, casas, mansões e ninguém parecia sequer me ver. Queria uma explicação para aquilo. E não havia nenhuma pessoa que pudesse responder às minhas perguntas. Até que um certo dia, após ter acordado no meio da noite com um sonho louco de que estava em vários lugares ao mesmo tempo, encontrei o Ernie. Depois de você ele foi o único que pareceu me enxergar. Ele era como eu: estava onde queria em todos os lugares que quisesse. Foi ele quem me explicou que o que eu, nós tínhamos era um dom, um dom dado ao ser humano que nascesse às três horas, três minutos e três segundos da manhã do dia três de março de um ano ímpar escolhido aleatoriamente num milênio apenas, um dom que poderia ser usado conforme nossas necessidades. E que se fosse aprimorado, eu poderia ir além do horizonte se  me fosse conveniente. Sabendo disso, Ernie e eu passamos a viajar pelo tempo sempre juntos: trocávamos fats de ordem e fazíamos uma bagunça na cronologia. Eu não envelheceria, muito menos ele. Então, curtíamos o máximo de tudo sem se preocupar com nada.
E no dia em que reencontrei você, saindo da Global PC's Corporation LTDA, senti uma choque dentro de mim. Há algum tempo já sentia algumas aversões às viagens no tempo e sabia que era hora de parar de brincar com algo tão sério quanto o tempo. E algo me dizia que você seria a solução para o que eu sentia. Só que Ernie McWhalen pareceu se revoltar quando eu disse isso. Disse que eu não deveria me ligar a ninguém, que isso poderia me afetar. Não dei a mínima para ele, porque você sim foi a primeira pessoa que me viu e que quis ficar perto de mim. E você é especial. Segui seus passos do início daquele dia até a hora em que recolhi seus papéis superimportantes e que salvariam mais um dia exaustivo de trabalho. Tocar seus lábios foi a sensação mais incrível que senti na vida. Foi como se mil sóis explodissem dentro de mim. Não quero mais ter este dom e o que eu quero de verdade é ficar com você. No presente, onde seremos felizes. Não suporto mais essa dor e o pesadelo que eu tive era com você sumindo no futuro enquanto eu regressava para o presente. Dói demais lidar com o tempo. Não é fácil. E o Ernie não vai me deixar em paz quando souber que seu único amigo de séculos resolveu, por causa de um homem, abrir mão dos seus poderes. Você parece estar apaixonado por mim porque o tempo que não passou pra mim passou para você e o tempo que passamos juntos te fez me amar. A normalidade na sua vida se deve a minha idiotice de ter sido amaldiçoado com o dom de lidar com o tempo. Agora neste instante, meu desejo mais profundo é ficar com você para sempre. Para sempre."

Os dois se olhavam como se estabelecessem uma união ocular - e aquilo fez Stevie se sentir o homem mais poderoso do mundo. Mesmo com toda aquela avalanche de informações sobre si.



***

Pois aí está o quarto capítulo de Um Encontro No Metrô, leitores lindos! Tive um pequeno imprevisto com o tamanho do capítulo e a leitura ia ficar MUITO cansativa pra vocês, então dividi o quarto capítulo em dois - o quinto será bem menor. Espero que tenham curtido entender um pouquinho mais do mistéiro que envolve Victor Bouvier e agora, o que envolve Ernie McWhalen. Segunda-feira tem o quinto capítulo! E logo mais estarei fazendo a Retrospectiva 2010, com os fatos, acontecimentos e tudo que me envolveu neste ano maravilhoso e marcante. Vocês terão novidades logo logo! É a minha inspiração louca em Cristo! Vamo que vamo!

Pra vocês que leem,


2 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

Ahh enfim,descobrimos,acho que pelo menos um pouco,o mistério de Victor!
Tá show o conto Ti,espero a continuação.E ah,aguardo anciosa para sua retrospectiva 2010,tenho certeza que ela será bem interessante *-*

Beijos

Italo Stauffenberg disse...

ele era tipo um jumper?

sempre surpreendendo, não é?

abraço