sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Simplesmente... imãs.

- Para com isso, Tiêgo!

Essa era a frase que atiçava o sentido "HORA DE ATAZANAR A MARINA" do Tiêgo. Todas as vezes em que íamos ao clube, Tiêgo tinha a péssima mania de atirar balões cheios d'água em mim. Principalmente se eu estiver estirada numa cadeira de praia, tentando relaxar.

Eu o conhecia há exatos onze anos. Tiêgo sempre fora o tipo de garoto que gostava de implicar com as pessoas por prazer. Ali, naquele mesmo clube, recordo-me dele com cinco anos, eu com seis, correndo um atrás do outro numa inocente brincadeira de pega-pega. Detestava correr, mas detestava ainda mais quando a presença quase hipnótica do Tiêgo se fazia real, levando-me a fazer coisas que eu normalmente não costumava fazer. Passavam meses, passavam anos, e mesmo que tenhamos crescido alguns centímetros, admito que nenhum dos dois mudou um com o outro. Aquele primeiro dia em que fui ao clube me fez acreditar, mesmo que pura e infantilmente, que a felicidade poderia ser encontrada na coisa mais detestável que pudesse existir. Eu não colocava esta felicidade toda pra fora, não.
Eu gostava de brigar com o Tiêgo.
A teimosia dele, o instinto "HORA DE ATAZANAR A MARINA", os momentos de fúria por eu esconder seu tão amado MP4, os puxões insanos de cabelo que ele me dava quando eu me recusava a aceitar suas imposições nas brincadeiras... Tudo, eu gostava de absolutamente tudo no Tiêgo. Mesmo que possa soar esquisito, amo odiar as coisas nele. É como se existisse um imã em mim e outro nele com os polos invertidos propositalmente, que ao sentirem-se revelam uma ligação fora do comum. Por mais que a idade tenha avançado de uma maneira rápida, e a amizade tenha se firmado cada vez mais, não paro de pensar na hipótese, no mínimo curiosa, de o Tiêgo gostar de mim além da amizade. Ano passado, no aniversário de 15 anos dele, senti um clima anormal entre nós quando o abracei para lhe desejar felicitações... O garotinho esperto e ágil havia se transformado num homem ainda mais esperto e ágil, só que com uma diferença: ao invés de se preocupar mais em me irritar, agora o Tiêgo tinha também se transformado num protetor bastante competente. Tudo bem que o jeito de moleque dele não havia desaparecido, mas a vida não lhe dara escolha: ou ele crescia ou ele crescia. E se tornava homem. E homem se sente muito mal quando gosta de uma garota e não pode falar.

E foi exatamente esta impressão que eu tive ao abraçá-lo em seu aniversário de 15 anos.

Eu odiava admitir, mas ele era a pessoa com quem eu sonhei ficar pelo resto da minha vida.

Olhei sonhadora para o infinito campo verde que se estendia pela vasta extensão do clube. Meus pensamentos, acelerados. Até que virei-me para o lado esquerdo da cadeira, fechei os olhos sob o óculos de sol e quis realmente sonhar com a hipótese curiosa de o Tiêgo ficar comigo. Foi justamente quando senti o 'splash' do balão de água me atingindo em cheio no rosto. Vi de relance o Tiêgo rindo como uma criança ao aprontar uma travessura.

Certas coisas definitivamente eu teria que odiar (mais do que amar) pra sempre no Tiêgo.


[História da minha relação com a Marina que foi minha namorada, que me conhece há mais de onze anos e que com certeza eu odeio e amo mais do que tudo. Te amo, Má! ♥]


Pauta para o Blorkutando - 97ª Semana: Dez coisas que odeio em você.

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