quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Tchau brinquedos, tchau infância.


Acordei suando frio naquele dia. E não foi porque estava doente ou ansioso por alguma coisa, mas porque tive um sonho. Na verdade, aquilo nem foi um sonho. Foi um pesadelo. Mãos imensas comprimiram-me contra mim próprio e esticavam todo o meu corpo também, como se eu fosse uma simples e maleável sanfona. E não adiantava eu gritar ou berrar de dor, pois as mãos repetiam rimtadamente o movimento, sempre num vai-e-vem frenético. E num determinado momento, as mãos me soltaram no chão e desapareceram assim como surgiram: do nada. Não movia um músculo sequer, nem o dedo mindinho do pé eu conseguia mexer. Quando desfaleci no sonho, imediatamente vim à tona, suado e amedrontado com aquelas mãos horrorosas. Levantei-me, fui até o banheiro, passei rapidamente a água fria no rosto e, ao olhar-me no espelho, tive um grande susto quando vi que aquele no reflexo ainda meio embaçado do espelho não era eu.

Eu tinha barba.
Minha voz era grossa.
E eu tinha tronco, braços e pernas mais compridos do que o normal!

O que estava acontecendo comigo? Será que de tanto repetir o movimento sanfona as mãos imensas tinham conseguido me transformar? Afinal, como pode alguém se transformar por causa de um pesadelo? Era impossível descrever em palavras exatas o que se passava em minha mente naquele momento.

Retornei à cama, fechei os olhos e tentei dormir, sem sucesso. Minha aflição era tanta que não pensava na hipótese de descansar; só em entender o que se passava com meu corpo, que estava completamente modificado, e de um modo tão repentino. Ao despertar, no café da manhã, meus pais perguntaram se havia algo de errado comigo, e eu neguei, porque eu realmente estava bem. O devaneio que não me deixava agir como alguém normal, que senta à mesa e toma café da manhã.

No decorrer do dia, ocupei-me com diversas tarefas, algumas mais puxadas, outras não, mas que não conseguiram me tirar aquela quimera da mente. Quando retornei para casa, e depois de autoavaliar novamente, havia reparado que várias coisas pelas quais eu faria loucuras agora não faziam mais sentido. Os brinquedos, os desenhos, as pinturas de dedo e os doces em excesso de fim de tarde, nada mais daquele universo infantil fazia sentido. E reparei também que ouvir as pessoas e falar com elas passou a ser algo essencial em minha vida. Meus pensamentos mudaram, minha mente se alterou, minha vida começou a mostrar um pouco mais de sua impactante realidade.

Foi uma despedida dolorosa. Não foi fácil adquirir responsabilidades e deveres assim, da noite para o dia. Foi um longo ciclo de aprendizagem, mas que infelizmente chegava ao fim. Não negarei, chorei sim em determinados momentos em que pensei não aguentar mais esta nova fase, e senti muitas vezes saudade daquela época maravilhosa em que eu não tinha que me preocupar com quase nada. Dei adeus à infância e agora recebi de braços abertos a adolescência, que não perturba tanto quanto pensar que o bicho-papão se esconde no breu do armário.



Pauta para o Blorkutando - 99ª Semana : Despedidas.


***

Quando vi o tema do Blorkutando dessa semana, nem pensei duas vezes: vou falar da minha saudade da infãncia. Apesar de ter aproveitado muito, sinto falta desse tempo. E realmente as coisas mudaram do nada pra mim e quando reparei, já estava quase um homem formado. MAZENFIM, não quero me estender aqui senão vou acabar me chorando e aí vai sair abobrinhas.
Ah, e deixem eu me explicar: eu ia postar ontem. Mas aí começou meu curso de francês exatamente às 20h, na hora em que fico livre pra vir pro PC. Resultado: cheguei em casa 22h30, meus irmãos estavam no PC e eu estava morrendo de frio porque tinha pego chuva na volta pra casa. E frio me chama pra cama, ainda mais morto de cansaço como eu tava. No fim das contas, prometo que sexta-feira postarei um Top Five de livros, filmes e artistas que eu preciso indicar aqui! Já até elaborei a lista de alguns! Então fiquem tranquilos que logo mais eu volto. Responderei aos comentários amanhã!

Um beijo, um abraço e um sorriso a cada um,

Tiêgo. 

5 pseudocomentaram:

' Jαdє Amσrιm disse...

Ah, que coisa mais linda! Vou escrever o meu amanhã! okasoaksoka
Ameei, me inspirei!

Beeijos!

Allan disse...

ah que legal, eu também tenho saudades, mas o que importa é que minha infância foi boa, eu não tenho um passado ruim, esse é o melhor, tantas pessoas são traumatizadas e têm problemas por causa da infância!!

Sabia que a infância tem que é fundamental para a construção de um ser humano?!

Tiêgo, o Bk está adivinhando minha ideias kkkk. escrevi um texto sobre infância a mais ou menos 1 semana, não postei ainda porque não achei o momento conveniente, que coincidência!!! qualquer dia eu posto....

abraço e Sorte no BK!

Erica Ferro disse...

Ah! Despedidas são tristes, seja despedir-se da infância, de alguém, de algo... Sempre dói, mas a gente se acostuma aos novos ares e fases.

Quero ver só esse top five, hein?

Beijo, twitteiro.

Fuve disse...

Nossa ou, eu adoro tudo que você escreve.

Felipe disse...

Despedidas, idas e vindas. Realmente despedidas nos faz sofrer, ainda mais quando gostamos sinceramente daquilo que se vai. Mas logo algo vem para tapar o vazio que ficou depois que algo foi embora, não é mesma coisa, mas é bom.

Tenho que descordar com você, a adolescência não é o bicho papão, mas faz os mesmos estragos ou até piores. Hahaha