segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Marina.

Ela era tímida e tinha olhos que mais lembravam jabuticabas.
Gostava de se esconder sob os caracóis negros de seus cabelos, quando todos resolviam contemplar sua beleza.
Ela era como um anjo.
Sentia que um dia iria encontrar a felicidade em algo, indefinível naquele momento.
A menina dos olhos negros e da pele macia resistia aos meus olhares nos poucos momentos em que nos víamos.
De fala mansa e doce perfume, ela sabia conquistar uma pessoa. De todas as formas possíveis.
Num momento de loucura e amor, não sei se o coração fez com que eu reunísse toda a coragem existente em mim e proferisse as três palavrinhas mágicas: "eu amo você."
Em um ano e onze meses de namoro, nunca tive motivos pra reclamar dela.
E acredito que ela também não teve motivos para reclamar da minha companhia, nem sempre constante.
Se eu pudesse, voltaria aos vinte e três meses mais intensos da minha vida. 
Marina é um sonho, que eu tive a alegria de poder sentir bem junto a mim.
Marina era a mulher da minha vida.
E Marina é o desejo que flameja dentro de mim quando tenho o desprazer de pensar em tudo o que passamos juntos, pois sei que nada irá voltar.
Porque precisamos nos dar conta do que é bom tão tarde?
Porque tudo o que é bom sempre tem um final?
E porque há a nostalgia em determinados momentos em nossas vidas.
Sinto falta dos momentos juntos com a Marina porque era o tempo em que eu sentia que a vida fazia sentido.
Eram poucas frases ditas, mas que o silêncio fazia questão de completar por si só.
Desejos, anseios, dúvidas, angústias. Sentimentos que eu não podia esconder dela. Nem ela de mim.
É preciso ser realista e entender que tudo passou, e que uma nova fase chegou, com suas devidas complicações e neuras como qualquer outra fase.

Mas que nem de longe lembra/lembrará a felicidade que vivi com a menina dos cachinhos negros e dos olhinhos também negros, como jabuticabas.


***
Desculpem, pessoas, mas foi o que saiu pra hoje. Senti uma falta imensa do tempo em que namorava, ainda mais que encontrei a Marina quando voltava da escola com o novo namorado dela... Aí me bateu o remember e resolvi postar. Meio loser, tá, eu sei. Mas enfim, eu precisava desabafar em algum lugar que eu sentia e sinto falta dos meus momentos de felicidade ao lado dela. Uni o útil ao agradável.
Curtiram o layout novo? Achei meio nada a ver comigo, mas foi um dos melhores prontos que achei. Não sou nenhuma @janakeanuloka, me viro com o que tenho. hahahaha
Enfim, espero voltar logo! Tem Tudo de Blog essa semana e muito mais. Conto com vocês com o sucesso da minha empreitada!
Até mais,


sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Depois do julgamento, a lição e a amizade.

Fevereiro de 2005, sexta série.
Onze anos e uma mentalidade já avançada pra um período que não requeria tal maturidade. Um amor reprimido e uma tristeza sem fim por estar isolado num lugar onde eu deveria estar me sentindo bem - e feliz. Tudo culpa de uma personalidade um pouco diferente da qual os demais estavam acostumados a presenciar. Esse era o meu perfil naquela época, quando era "o patinho feio" que ninguém sonhava em ficar junto. Não preciso nem dizer o quanto era triste ser julgado por aparentar ser algo completamente diferente do que todos pensavam que eu era...

A roqueira. Treze anos e dona de uma estilo que todas as outras garotas do colégio invejavam. Sexta-série, também. Só que diferente do nerd esquisito e com cara de oi-eu-sou-retardado, a Bárbara era considerada a rainha da escola. Andava com as melhores companhias, com os mais populares dos anos avançados e tinha aquela beleza surreal, digna dos filmes de cinema. Eu simplesmente odiava aquela roqueira cheia de estilo e popular, e que se achava a última bolacha do pacote - ódio esse que eu vim descobrir tempos depois que era a mais pura inveja que me motivava a falar mal da garota.

No meu antigo colégio, havia um sarau poético de língua francesa todo ano. Era minha primeira participação no evento e eu declamaria uma famosa poesia de Guillaume Apollinaire. Eu já sabia de cor todos os versos e estrofes da poesia. Só não sabia que a roqueira que eu tanto detestava também iria declamá-la, junto comigo.

Ao subir no palco, ninguém sequer virou os olhos para mim, a não ser a Luciana, minha professora de francês. Bárbara subiu a escada que dava acesso ao palco segundos depois, aplaudida por todos presentes no auditório naquele momento. Virei meu rosto, contendo a raiva. Ela, sem demonstrar o menor interesse no que eu estava sentindo por ela, dirigiu-se a mim, tirou uma rosa branca - que guardo até hoje - do bolso e entregou-a a mim, dizendo:

"- Jogue a flor com o máximo de desprezo no fim da última estrofe. Vai ajudar a dar um toque mais real à sua declamação."

Fiquei pasmo com a solidariedade da garota, que me desarmara completamente.Sorri de canto, murmurei um "obrigado" e as cortinas se afastaram. Bárbara começara a recitar a poesia com tal emoção na voz que eu não pude conter o arrepio. Logo, assumi a vez na poesia e não me atropelei no francês como sempre faço. Apenas declamei-a, frustrado com as conclusões precipitadas que havia tirado da garota e arrependido de tê-lo feito. Fomos ovacionados no fim da apresentação e ela, num gesto de humildade, estendeu a mão para mim e se apresentou, expurgando de vez toda e qualquer má impressão que eu tivesse tido dela. Uma garota da sétime série nos parabenizou pela apresentação e devolveu-me a rosa branca que eu havia jogado ao público. Naquele momento, eu prometi para mim próprio que nunca mais julgaria ninguém pela aparência, assim como não permitiria que o fizessem próximo de mim. Não é certo falar do que não se sabe e, muito pior, falar mal do que não se sabe. Pra quê perder tempo cuspindo incoveniências daquela pessoa se você sabe que tem curiosidade em saber se ela é mesmo daquele jeito? O modo de se vestir, de falar ou de andar faz com que saibamos logo de cara quem é uma pessoa de verdade? Não, não faz.

No fim das contas, Bárbara e eu estabelecemos uma amizade tão forte que mal conseguíamos estudar em salas separadas. Os julgamentos continuaram, porque não era sempre que o nerd-estranho-e-retardado conseguia se juntar à garota mais popular da escola. Mas quer saber? Não sentia a menor raiva de quem falava de mim. Até porque sei que estou tranquilo e calmo com quem sou e a primeira impressão das pessoas nunca é a que fica!




Pauta para o Blorkutando - 103ª Semana : Primeira Impressão.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Poucas palavras, grandes significados.

Eu precisava de um choque de realidade pra saber que sou capaz.

Eu precisava de um incentivo que me fizesse entender de uma vez por todas que eu posso sim realizar todos os meus sonhos e que os momentos de fraqueza existem para nos provar que somos capazes de superá-los - o que prova, ao mesmo tempo, que somos fortes o suficiente pra nos manter firmes na luta pela sobrevivência.

Ouvir um "você tem aptidão pra qualquer coisa que tentar" do meu professor de física me fez acreditar mesmo que eu devo ser bom no que faço. E a modéstia que me perdoe, mas ser inteligente é arrancar um comentário destes sem ao menos nem ter se esforçado pra tanto.

E as palavras complexas e os textos plausíveis e legíveis que eu posto aqui ficaram de lado, dando lugar à uma felicidade muito grande, capaz de me permitir repousar a cabeça no travesseiro e dormir relaxado e sem a menor preocupação com o que virá, porque eu sou divo e sou capaz de tudo, até de pular de felicidade!

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tensão + Aviso sobre o TDB.

ALGUÉM ME SALVAAAAA!


Tô tenso. Ten-são. O vestibular tá batendo na porta e eu preciso me sentir preparado pra encarar mais um obstáculo dos grandes na minha vida. Só que eu não tô preparado, pessoas lindas que leem esse blog. Eu confio em mim, sim. Só que todo mundo tá correndo na minha frente e isso tá me deixando pra baixex. Tanta coisa pra estudar, tanta coisa pra ler, reler... E eu tô me garantindo com o ensino do meu colégio - público -, que não é lá as mil maravilhas pra ainda vir um bando de filho da puta roubar dinheiro da educação prontofalei . Eu queria ter certeza de que farei uma boa prova, de que serei capaz de atravessar as exatas malditas e desgraçadas e arrasar na linguagens códigos e suas naturezas... Mas acho que esse ano será apenas um ensaio. Porque pra tudo tem que ter uma primeira vez, né? E acho que a minha será apenas uma primeira vez 'tentável'. Mesmo acreditando em mim, não posso deixar de ser realista e passar à frente de milhares de candidatos que sim, estão aptos a ocuparem um lugar que não é meu, ainda.

Quero apenas que vocês entendam meus sumiços daqui. A ficha resolveu cair agora, só agora. E eu tô muito triste em ter que me ausentar daqui sem nem poder avisar - quando estiver saturado de coisas pra fazer, claro. E avisar que ainda não atingi o número necessário de inscrições no TDB, faltam muitas! Se inscrevam, prazo prorrogado até quinta-feira! Corram, me ajudem, please!

No mais, é só. Tô pobre de palavras, tô ridiculamente idiota. Mas continuo aqui, com vocês, escrevendo idiotamente, pra que vocês sejam testemunhas de que meu amor pelas palavras é maior do que qualquer outra coisa. Até mais, gente bonita.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Um pacote e suas desvantagens.

O amor vem numa caixinha, cheia de surpresas.


Admiro muito uma pessoa que ama sem medo do que possa acontecer com este amor no decorrer de um relacionamento. Já foi comprovado que mais de 80% das pessoas tem algum tipo de receio na hora de se entregar completamente à uma paixão, mesmo tendo total certeza de que se está louco para encará-la de vez. Agora eu me pergunto: esse receio por boa parte da população tem fundamento?

Arrisco-me a dizer que sim, há fundamento neste receio que pode parecer absurdo à primeira vista. Suponhamos que eu namore alguém temperamental, que odeie o purê de batatas que eu tanto gosto e que curta forró tanto quanto eu curto pop. Será extremamente difícil o convivío com uma pessoa tão controversa a mim como ela, mas não fui eu quem quis se apaixonar por esta pessoa. A vida inclui certos pacotes quando nos é concebida e um destes pacotes é o amor. E dentro deste pacote do amor estão inseridos certos obstáculos, que convenhamos chamar de "extras adicionais". E nestes "extras adicionais" é que estão diversos fatores que nos fazem repensar várias vezes se o amor vale mesmo a pena, nos fazendo sofrer de forma desleal. Posso citar como exemplo destes "extras" as estranhas mudanças quase inevitáveis no comportamento do companheiro, depois de algum tempo juntos. Nada dura para sempre e com o amor não é nem um pouco diferente.

É bom, muito bom, fazer um esforço (quando se sabe que a relação tem um futuro certo, of course) para pôr tudo nos eixos novamente. Mas 'esforço' é diferente de 'influência externa'. Eu por exemplo jamais mudaria por alguém para salvar um relacionamento, porque a pessoa ficou comigo exatamente como sou, sem mais nem menos. E não seria a beira do precipício que me faria mudar por ela. Acredito que a personalidade é uma das poucas coisas existentes que são originais e que nos acompanham pelo resto da vida. E não adianta destruir uma personalidade formada, e que você supostamente já não consegue mais ficar sem, por causa de algumas desavenças na relação. Há outro modo de resolver a situação: conversando. Um longo e saudável diálogo conserta qualquer imprevisto que possa ter ocorrido num namoro. Sem contar que nem é preciso apelar para meios tão radicais como mudar pelo outro!

Obstáculos fazem parte de toda a vida. Não há como escapar deles. Buscar o equilíbrio no amor também tem os seus, mas não é impossível de acontecer. Tudo depende da maneira com a qual se lida com os imprevistos que surgiram no meio do caminho para conturbar a relação. Mas aqui deixo a dica: não tente se forçar a pulá-los. É muito melhor superar obstáculos e se ver livre deles do que acumulá-los e depois ver que eles destruiram um romance que poderia ter um "felizes para sempre" no final!


Pauta para o Blorkutando - 103ª Semana: Amor na Balança.
 

***
E essa foi minha pauta pro Blorkutando. Espero que gostem, eu adorei abordar esse tema! Aliás, falar de amor é sempre tão legal! Poderia passar horas falando que eu nem me importaria! Mas enfim, como sei que é chato e maçante ler um texto grande demais por causa do brilho do monitor, aprendi a frear na hora certa, digamos assim. Talvez eu poste domingo, senti falta de atualizar mais aqui, tive certos imprevistos esses malditos de novo com o colégio e com o curso de francês que não deixaram o menor tempo pra racionar em algo bom pra postar. Mas taí, curtam e comentem bastante! E não esqueçam do TDB ali no cantinho superior esquerdo da página do blog! Até a próxima, divos!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Alguns selos, algumas considerações sobre mim :D

Há séculos não ganhava selos e quando ganhei, foi de uma vez só!

Esse aqui eu ganhei da Fuve , que é uma excepcional blogueira e que merece atenção com seu blog :

A regra diz que eu devo indicá-lo para outros dez blogs. Segue a lista:
  1. Cão Sem Plumas, do James (clã-destino);
  2. Meu Outro Lado, da Jeniffer (diva paraense);
  3. Complexo de Nath, da Nath (maravilhosa);
  4. Realidades Utópicas, da Jade (fashion e inteligente);
  5. Kings And Queens, da Mms (blogueira super linda e atenciosa);
  6. Minutes Of Boredom, da Nati Souza (minha diva-mor ♥);
  7. Mundo de Nati, da Nati Rosa (minha diva ♥);
  8. Things Together, do Júnior (my sweetheart more beautiful ♥);
  9. Naquela Conversa, da Fran (a melhor fotógrafa do mundo! *-*);
  10. Learn To Fly, da Lays (me acompanha sempre, queridona :D)

E eu recebi do Italo (um parente meio distante que toma juçara ao invés de açaí) dois selos mais um meme, é muita emoção pra um coração só! Todos que eu indiquei acima podem pegar o meme, presente da casa! Pois vamos aos selos e às perguntas!






- Qual é seu melhor texto?
Pergunta difícil. Não que eu não ache nenhum texto meu bom, mas não é nada fácil escolher um só. Mas se fosse pra resumir no geral, um texto que praticamente mudou minha vida internáutica e que marcou a passagem de uma fase minha foi o "Novo ano, nova década, novas (e velhas) esperanças", escrito numa hora em que eu precisei reunir todas as minhas forças e desejar do fundo do coração que eu tivesse um ano melhor do que o que havia passado (e eu realmente estou tendo, amém). E para minha enorme surpresa, ele ganhou o primeiro lugar no Blorkutando na primeira semana do ano e era a minha primeira vitória! E acabei de perceber que com tudo isso, esse texto COM CERTEZA foi o melhor que já escrevi até hoje, sem comparações.

- O que te inspira a escrever?
A sensação de liberdade que as palavras me proporcionam. Começar um texto faz com eu, ao contrário do que muitas pessoas pensam, fique livre nele. Nunca me imaginei preso nas próprias letras, palavras. Eu as busco por causa da felicidade, da saciedade, dos sonhos e da realidade que elas me impõem. Tudo me inspira a escrever, porque sei que escrever é a única maneira que tenho de estar em contato comigo mesmo. E de me sentir um pouquinho mais liberto de um mundo tão racional.
- Escrever pra você é... ?
A maior verdade que existe. Eu não seria absolutamente nada sem a escrita. Ela é como se fosse o ar que eu respiro. É essencial.

- Você admira algum escritor? Qual?
Eu poderia citar uma infinidade de escritores que eu fiquei completamente apaixonado quando conheci seus trabalhos logo de cara... Mas como é só um, minhas considerações à Joanne Kathleen Rowling, A MAIOR ESCRITORA DE FICÇÃO DO MUNDO! Eu juro que se Harry Potter não tivesse cruzado minha vida, eu provavelmente não teria metade do conhecimento literário e linguístico que tenho hoje. J.K, como é conhecida, construiu a alegoria mais perfeita numa história que tinha tudo pra parar no primeiro capítulo. Acredito que você que tá lendo isso agora também já se rendeu às aventuras de Harry e companhia. Já chorei com a amizade dele com o Rony e com a Hermione, já gritei louco em Cristo por causa do Lord Voldemort e até hoje espero a coruja branca com a carta de Hogwarts. Preciso dizer mais?

- Indique um bom livro.
Recentemente li "Nada dura para sempre", de Sidney Sheldon e confesso que não imaginava que o livro pudesse ser tão envolvente e emocionante! Vocês irão se surpreender com o que é de fato a rotina de um médico residente logo após ter se formado e o que há por trás de todos aqueles jalecos brancos e máscaras cirúrgicas. Há momentos revoltantes, emocionantes, as lágrimas me fugiram dos olhos no finalzinho do livro. É incrível, ótima leitura de final de semana!

- Indique um blog.
Acho que eu não sei o que seria da blogosfera sem os blogs de humor. O blog da ungida Cleycianne é um deles. Sério, os comentários ultraconservadores, as #descontraçõesemCristo, os C.U (Colírios Ungidos)... As risadas são inevitáveis! Corram para o blog da serva do Senhor NOW (agora em inglês)!


***
Sou irresponsável, tá eu sei. Eu tive mesmo planos de blogar segunda-feira, mas tive uma série de imprevistos mais a internet nada colaborativa... Implicou na minha ausência nada legal daqui. Mas os comentários já estão respondidos e tudo está nos conformes! Quero ver todo mundo participando do Tudo de Blog, instruções ali no canto superior esquerdo da página do blog, ok? Chamem amigos de outros blogs, comentem bastante, quero muito ver o TDB bombando! Sexta-feira tô de volta pra postar a pauta pro Blorkutando, já disse que ganhei lá nas últimas semanas? Tô me sentindo maravilhoso! Participem lá também, ótimo projeto! Enfim, merchans a parte, eu fico por aqui. Espero que tenham gostado do meme, mais sobre mim, né? Rs. Até a próxima, divos!

    sexta-feira, 10 de setembro de 2010

    Dinheiro: o dono da razão.


    Não é exagero nem mentira dizer que o planeta gira (depois do sol, claro) em torno do dinheiro. E nem adianta mandar aquele velho papo de que "primeiro vem as coisas espirituais" porque não cola mais. Gente, vamos acordar? Nós conseguimos nos alimentar com ar? Nós podemos nos vestir com poeira? E como fazer pra contatar aquele parente tão querido e que mora tão longe? Pode-se afirmar com cem por cento de certeza que a sociedade está submissa sim ao poder inestimável que o dinheiro detém.

    Acredito que o que pode fazer o real valor do dinheiro mudar é a maneira como a pessoa vai aplicá-lo. O cheque pode ter inúmeros zeros, mas se seu uso for ilegal, seria exatamente como receber de troco uma moeda de cinquenta centavos, por exemplo. Mesmo que aqueles zeros tenham valor comercial, seu destino será ilícito. E é esse tipo de atitude que desvaloriza cada centavo gasto. Eu provavelmente não aceitaria uma maleta cheia de dinheiro se soubesse que ele provinha de algo 'sujo', fora-da-lei. Muitas pessoas nem pensariam duas vezes, mas eu prefiro milhares de vezes ganhar meu salário honesto e pouco, sabendo que fiz por merecê-lo.

    As pessoas brigam por dinheiro e são tão aficcionadas por ele que chegam ao ponto de acabar com a vida de alguém. Acompanhamos diversos casos na TV sobre isso; filhos que mataram os pais por causa da herança generosa que seria dividida entre os familiares (a Suzane von Richtöffen serve como um belo exemplo disso). Políticos corruptos que desviam dinheiro público para seus próprios prazeres não pensam nem um pouco nas outras pessoas que sairão profundamente prejudicadas com o ato nada correto. A sensação de poder, de dominação sobre os demais que o dinheiro transpassa que é o grande causador de todo este mal; até porque ninguém quer ficar por baixo de ninguém em tempos em que somos obrigados (sim, obrigados) a ser, no mínimo, apresentáveis. Nunca se prezou tanto a boa aparência como hoje. E por trás de tudo que fazemos para melhorá-la, quem se esconde? O dinheiro, não é incrível?!

    Admito que o dinheiro me é muito mais essencial do que o padrão considerado 'normal' - se é que existe um padrão considerado normal, não é? - para as pessoas. Porém, sei exatamente o que fazer com o que ganho, mesmo que nem sempre eu possa me dar ao luxo de comprar tudo o que quero. Utilizo o dinheiro da forma mais consciente possível, por mais que o capitalismo queira me arrastar para o mar da perdição dos endividados. É apenas uma questão de saber bem como e onde usar seu dinheiro. Ele traz (muita) felicidade sim, e atire a primeira pedra quem disser que não!



    Pauta para o Blorkutando - 102ª Semana: Money.

    ***

    E por aqui acaba minha postagem quase diária. Me ocuparei ao máximo esse fim-de-semana e ficarei impossibilitado de postar, volto só na semana que vem. Espero que tenham achado uma explosão de conteúdo pra pouco tempo, desculpem-me o exagero. É da minha natureza ser exagerado assim com as palavras mesmo. Espero vocês semana que vem! Até a próxima!

    quinta-feira, 9 de setembro de 2010

    Decepções e reflexões


    Voltando do colégio hoje, vivenciei uma cena no mínimo triste: enquanto atravessava a faixa de pedestres numa das ruas mais movimentadas da cidade, um motorista em alta velocidade ficou extremamente revoltado porque eu o fiz frear o carro praticamente em cima de mim. O homem desceu do carro e disse que eu não tinha o direito de provocar meu próprio atropelamento. Antes de responder qualquer coisa, e com os demais motoristas furiosos, saí da faixa de pedestres e falei ao homem que eu pelo menos sabia até aquele momento que a faixa de pedestres era para pedestres. E assim, como quem não quer nada, ele simplesmente me olhou dos pés à cabeça e disse, exatamente com essas palavras:


    "- Olha pra ti mesmo, moleque. Desde quando uma pessoa assim tem direito de alguma coisa?"


    Não tive tempo de responder nada porque os guardas de trânsito que estavam lá perto da faixa me fizeram o imenso favor de cortar o barato do homem multando ele pelo meu quase atropelamento e eu não quis sujar meu nome em delegacia porque se vocês tivessem percebido a nota de nojo na voz daquele homem, com certeza vocês teriam voado nele há muito. E pra quem não entendeu, ele por algum acaso percebeu meu lado gay. E não gostou nem um pouco de ter que parar o carro em alta velocidade numa faixa de pedestres em horário de pico pra um gay passar (não que eu seja completamente gay, girls and boys :D).


    Sabem, eu nem em importo mais com o que as pessoas vão pensar. Eu fico pensando na estranha capacidade de irracionalidade do ser humano. E me desconforta muito saber que ainda existem aqueles que pensam que o homo/bissexualismo é um mal. Eu não quis brigar, eu realmente detesto brigar por esse fator, e percebi que o bom senso, citado no post passado, me ajudou bastante nessa situação. Hoje com toda a certeza do mundo apaguei qualquer vestigio que ainda existia de esperança de que o mundo ainda vai entender os LGBT. Não farei nenhum apelo pra você que não curte o manifesto e tudo o mais, até porque crença vai de cada um e eu não sou absolutamente nada pra dizer isso, mas seria bom dar uma revisada no conceito a respeito das pessoas. Elas são apenas pessoas. Independente de qualquer escolha que possa torná-las diferenciada dos demais. As divergências são inevitáveis, eu sei. Mas é preciso um pouquinho só de maturidade e noção da realidade. Afinal, o mundo já evoluiu tanto de cem anos pra cá... E é triste, bastante triste, perceber que nesta evolução, ainda haja pessoas que preferem ser retrógradas a acompanhar o processo de maturação da sociedade.


    Pelo menos esse episódio insano depois de um dia cheio serviu pra alguma coisa: descobri que por mais desafiador que alguém possa ser com você, a paz faz tudo tomar proporções completamente menores e diferentes. Tudo melhora quando somos tolerantes e sabemos bem o que falar, promovendo mesmo que não abertamente a paz entre as pessoas. Vamos fazer a nossa parte aprendendo a não ter tanta impaciência com as pessoas e sendo phynos, tratando as pessoas com classe mesmo que ela esteja soltando os cães pro seu lado. Ao exemplo da minha irmã, que sempre fazia com que eu falasse MUITA coisa ruim pra ela, e que agora sofre por não poder rebater mais nada.


    Pra vocês verem como são as coisas.

    quarta-feira, 8 de setembro de 2010

    Clichês fazem sentido, sabia?

    Fiquei um tempão aqui tentando decifrar porque que as pessoas tem o péssimo defeito de julgar o outro sem nem ter visto o coitado do outro dar UMA SÓ PALAVRA. O modo de se vestir, de falar, de andar. TUDO é motivo pra uma pessoa sair por aí, falando que a outra, que nada fez pra ela, é isso ou aquilo. Meu recado singelo e direto pra essas pessoas : VÃO TOMAR NO COOL VERGONHA NESSAS CARAS! Oras, conheça primeiro pra ficar falando o que nem sabe e pior, sobre alguém que você até gostaria de conhecer melhor. Tive uma frustração imensa hoje quando uma garota me conheceu e disse que jamais imaginava que eu era aquele alguém tão legal, tão companheiro e mimimi. WTF, V* ! Se tu nunca imaginou isso, porque diabos que tu veio falar comigo e pedir emprestado aquele lápis no meio da prova de biologia?! Detesto quando as pessoas se deixam levar pelas aparências e depois de ter quebrado a cara e contestado que havia sido totalmente estúpida com o julgamento precipitado, fazem comentários infelizes. Eu prefiro muito mais ouvir um 'eu gosto de você' ou um 'valeu pela sua amizade' do que ter que aturar um 'não sabia que tu podia ser tão legal assim, nunca te imaginei assim, nunca...' Eu acredito sim que as aparências enganam, mas que acima de um comentário bobo como esse, existe um fator que impede isso tudo e muito mais de acontecer: bom senso.

    Amanhã tem coisa melhor pra postar. Isso foi só uma coisa retardada que aconteceu comigo hoje que me deixou MUITO revoltado. Enfim, entendam o recado, volto logo pra postar a pauta pro Blorkutando. XOXOGOSSIPBOY :*

    sábado, 4 de setembro de 2010

    Estreia oficial: Tudo de Blog do A Pseudociência - Nº 1


    [Mais uma vez, explicito: todos os direitos deste projeto são reservados à revista Capricho. Grato pela compreensão.]

    E aqui estou eu, pela quarta vez, com a ideia revoltada do (meu) Tudo de Blog! Só que desta vez tem novidades: repararam que no título eu coloquei 'estreia oficial'? Pois é, é isso que você está pensando e isso que você não está pensando. Vou sim, transformar o (meu) Tudo de Blog em um projeto! Só que um projeto interno, aqui mesmo no A Pseudociência! Ele será mensal e, na última semana de cada mês, haverá uma edição, começando a contar a partir desta. Caso você queira MUUUUITO participar, mande um e-mail para tiegoramon@hotmail.com com a resposta para a seguinte pergunta: "Porque eu escrevo?", no máximo até cinco linhas. No dia 20 de setembro (segunda-feira), estarão encerrados o envio de e-mails, sendo os enviados após esta data invalidados, obviamente. Contatarei os blogueiros no mesmo dia, informando-os o tema da edição, o prazo de entrega e o dia da postagem aqui no blog. Isso tudo foi uma grande evolução em minha vida, e percebi que só postar textos, crônicas, etc. não era o bastante para mim. Precisei abrir as portas da imaginação e cá vos trago, orgulhosa e respeitosamente, a primeira edição do (meu) Tudo de Blog!


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    Tudo de Blog                              Edição: Tiêgo Alencar

    "Socorro, salve-me"! Nossos blogueiros atacaram de heróis por um dia e contam como foi!



    Nome: Francisca Nery
    Idade: 19 anos

    Pânico no 202

    Em um mundo de tristezas e raras curas, minha função era a de trazer sorriso ao rosto de pacientes. Semanalmente eu frequentava a UTI do Hospital das Clínicas da Unicamp e, entre altas e óbitos, poucos estavam ali em visitas consecutivas. Ser atriz naqueles corredores brancos era mais do que um exercício de construção de personagem, era lidar com o mundo lá de dentro separando-o da vida “real” do lado de fora.
    Recebíamos instruções rigorosas que implicavam em sérias punições. Criar vínculo afetivo, questionar ou interferir no tratamento clínico de qualquer criança ou idoso era terminantemente proibido. Porém, imagino que não preciso nem mencionar como nem sempre isso se aplicava.
    Nino era vivaz, movia apenas suas sombrancelhas e sussurava meias palavras. Ele se comunicava de forma simples, rica e mais completa do que muitas crianças aos 7 anos de vida. Ninguém conseguia arrancar gargalhadas daquela criaturinha exigente, muitos inclusive desistiam de frequentar o quarto 202. A Panqueca, minha palhaça, insistia.
    Nossa intuição, mais do que nós mesmos, sabe quando alguém não é apenas mais um expectador de nossas piadas. Ela falou baixinho para eu ficar constantemente de olho naquele quarto, cuidando de meu único amigo num ambiente de solidões.
    Foi na tarde de uma quarta-feira que tudo aconteceu. O hospital estava mais vazio que o usual e, por não gostarem muito de nosso trabalho, médicos estavam longe dos leitos onde tinha gente fazendo palhaçada. Sozinha no 202, eu completava quase 30 minutos de brincadeiras com o Nino quando o tubo que o mantêm vivo, inexplicavelmente, escapou da faringe. A Panqueca paralizou; a Fran desesperada gritou por socorro. Juntas, sem saber como e somente sendo comandadas pela tal intuição, burlaram as leis e, em segundos, descobriram como conectar tudo novamente.
    O Nino renasceu naquele dia. Poucos minutos depois, chegaram os médicos. Bravos, mandaram que eu saísse de lá e dissesse o que havia acontecido. Antes mesmo que eu respondesse e, provavelmente, fosse proibida de lá voltar, o Nino resolveu manifestar-se. Com os olhos, chamou um dos médicos para perto; com poucas e baixas palavras, ele disse sorrindo: “tá tudo bem, a gente tá brincando; o palhaço acabou de me fazer sonhar”. Aliviada, tirei meu nariz vermelho com a certeza de que minha missão estava cumprida: mais do que salvá-la, eu trouxe a risada para a vida do Nino.



    Nome: Italo Stauffenberg
    Idade: 18 anos

    Um help, s'il vous plaît

    Era criança e como toda criança não tinha domínio do que era real ou não. Bom, não tinha mesmo era noção de perigo. É do saber de todos que onde tem criança há sinal de perigo. Portanto, quando tiverem os seus 'filhotes' lembrem-se desta dica, afinal, um dia vocês também foram uns pestinhas.
          Era para ser aquele feriadão com a família e os amigos em uma casa de praia (em frente à praia, por sinal) onde a diversão tomava conta de todas as crianças que por ali estavam. Era uma praia meio desabitada, quase ninguém a conhecia. Isso fazia dela um local perfeito, sem tormentos, sons altos e aquele povo que vai a praia só para beber. Não havia muitos carros. Era tudo perfeito. Bom, quase. Eu sempre fui um garoto que pensava muito bem antes de tomar qualquer atitude mas parece que quando a gente está no 'meio da galera' agente perde esse bom senso.
          Foi uma tarde fatídica. O mar estava violento e as ondas muito fortes. Eu sempre fui alto e talvez por isso, decidi tomar a decisão que tomei. Percebi que os 'adultos' estavam se afastando cada vez mais de mim que estava à beira do mar brincando com meus colegas. Aquilo despertou em mim à vontade de ir além. Assim pensei: eu posso ir, sou alto, forte e esse mar não vai me deter. Não, não foi bem assim. Tomei um daqueles 'caixotes' e perdi completamente a noção do chão. Entrei em desespero! O medo começara a tomar conta de mim.
          - Meeeeeeeldeeeeels! Quem vai me socorrer?
          Todos começaram a rir por que eu tinha condições de sair por si só daquele lugar. Nem era tão fundo. O 'caixote' que tomei afetou meu psicológico e fez com que eu pensasse que tubarões e coisas bem piores iriam fazer com que eu morresse. Criança inventa cada uma não é? Depois que recobrei a consciência pude notar o quão tolo fui. No final das contas, eu mesmo fui meu vilão e meu super herói. Vai saber né! Dia fadítico, atípico mas que resultou em uma bela história para se contar.



    Nome: Jade Amorim
    Idade: 16 anos



    De sardinha à heroína

    Nunca fui boa com atos de heroísmo, sou do tipo de pessoa que consegue cortar o pulso abrindo uma lata de sardinha. Sirvo mais para a vítima atrapalhada. Mas não naquele momento, eu sabia. Não podia deixar o garoto boiar na água da piscina até morrer afogado, e era a pessoa mais perto dele. Então, o que eu poderia fazer senão nadar?

    Mergulhei para pegá-lo por baixo, a água era funda para mim e não conseguia levantar o peso da criança. Como era de se esperar, quase me afoguei no lugar dele. Vi uma frase em algum lugar que dizia que para se salvar alguém precisava de 1/3 de coragem e 2/3 de idiotice. Acho que era algo bem assim.

    No fim, deu tudo certo, botei o meio litro d'água para fora quando conseguiram me içar também e havia aprendido uma lição muito valiosa naquele momento, nunca, em hipótese alguma, vá salvar alguém numa piscina se ela estiver num lugar onde não te dê pé que você acaba se afogando mais que ela. Isso sim que eu chamo de lição para a vida toda.




    ***
    É isso, leitores. Espero que gostem e deem um UP na minha ideia! Espalhem, divulguem, participem e me ajudem a ser um pouquinho mais feliz! :) Muito obrigado aos queridíssimos blogueiros que toparam participar desta edição, por toda a sua atenção e carinho com o qual escreveram os textos. Um beijo e um abraço forte do @tiegoalencar e até a próxima!

    sexta-feira, 3 de setembro de 2010

    La vie ce n'est pas vraie.



    A vida é uma grande mentira.

    Resolvi começar o texto com essa afirmativa porque acredito que, assim como eu, você também já foi uma grande vítima de falsos testemunhos, mentiras grotescas ou sinceridade camuflada. Não podemos mais confiar inteiramente em ninguém. Por vezes deixei de acreditar na verdade para ficar encantado pelo sedutor universo de alívio (ou satisfação, por mais absurdo que possa parecer) que a mentira nos leva. E a vida nos ilude de forma mágica, fazendo-nos cair numa armadilha planejada perfeitamente até o ponto em que passa a ter falhas propositais. Falhas estas que conhecemos basicamente como mentiras, ilusões, traições ou seja lá qual definição você quiser dar.

    Eu minto, menti e mentirei. Minto para fugir de certos convites no mínimo embaraçosos ou para explicar a meus pais porque cheguei tão tarde da balada naquele fim de semana incrível das férias. Minto para aquele colega de turma insuportável que quer as respostas do trabalho sem ao menos nem me dar um oi ao chegar na sala. Minto até em histórias sobre meu passado, já que muitas vezes elas caem em esquecimento e ele faz com que eu imagine uma situação parecida para encobrir a esquecida. Mentir faz parte da nossa rotina, por mais que tentemos escapar dela. É um ato que é praticado sem que haja um real consentimento de si próprio. É uma ação que provoca péssimas e trágicas reações. Ato inconsequente? Talvez, dependendo do contexto no qual você inserirá-la. Mas vejam bem, eu não estou incentivando vocês a mentirem só porque é algo corriqueiro e supostamente 'normal' em nossas vidas!

    Há todos os tipos de mentirosos possíveis: os que mentem para se salvar - como eu -, os que mentem para se autoadmitir num grupo, os que inventam histórias para se sentirem superiores, os que mentem compulsivamente e até os que mentem compulsivamente por prazer! Recentemente tive um sério problema com uma "amiga" que mentia sem parar e que me colocou numa saia justíssima: ela disse para o namorado que eu estaria com ela fazendo um dever de química quando na verdade ela o traía com outro. E nem eu nem o namorado dela tínhamos ideia do que ela fazia. No fim das contas, a C. ( minha "amiga") mentiu tanto que o namorado, eu e toda a galera descobriu. Ela mentiu para cobrir as outras mentiras já contadas e acabou enroladas nelas próprias, e a C. ficou sem ninguém que confiasse nela. Aliás, e dá para confiar em alguém quando se fala em uma sociedade que é, por si só, bastante hipócrita?!

    Portanto, com todos esses argumentos e fatos verídicos relatados conclui-se que a mentira não leva a lugar algum, mesmo que você consiga prolongá-la por um tempo. O ditado está aí para não nos deixar mentir (!) : mentira tem perna curta.
    Pauta para o Blorkutando - 101ª Semana : Mentiras.