quarta-feira, 28 de julho de 2010

Aventura no museu, parte final.

( Parte um. / Parte dois.)

Uma dor lancinante.

Foi o que eu senti quando me materializei nas nuvens do plano superior. Senti como se tivessem partindo minha cabeça em duas. Doeu muito mais ter que transferir meu corpo pra um plano superior, já que não me lembro de ter feito uma loucura assim antes. Conrad Stevens fez o favor de me arrancar de mim, como havia feito no corredor do museu do Louvre minutos antes. Minha dor de cabeça estava completamente insuportável! Se já doía me transferir de um metro para outro, imaginem só a sensação de mudar de plano! No plano mediano, que é no qual habitamos, a dor é bem menos intensa na hora da desmaterialização.

Nem tive tempo pra pensar na dor quando senti aquele chão macio como algodão me acomodar na queda. Conrad Stevens sempre dizia que a eu nunca iria conseguir me transferir para lá porque eu era um fracassado que não suportava nem a dor da materialização. Mas agora eu iria provar à ele quem eu era e porque Merlin havia dito que meu potencial seria capaz de desbancá-lo. Sentia-me patético pensando naquilo agora, com toda aquela dor insuportável mais Conrad Stevens pronto pra acabar comigo, e ainda tinha aquele insuportável pesadelo que eu teria que enfrentar.

E minha forte intuição me dizia que a solução para meus problemas era eliminando meu tutor. O mais rápido possível.

Um soco forte me atingiu no rosto. Não tive nem tempo pra responder, nem nada, a única reação que tive foi cair de cara no chão. E senti um nojo tremendo do Stevens quando ele murmurou:

- Fraco.

Não sei se aquilo foi só mais um estímulo, mas o ódio que corrompia minha alma naquele momento me fez esquecer da dor. Por um segundo. Ergui-me, coloquei-me em frente ao suposto tutor e o encarei, exatamente como ele havia feito com Merlin na primeira vez em que me viu, na estação de metrô, em plena meia-noite. A pena ou qualquer outro sentimento de compaixão não me afligia. A raiva era válida naquele momento. O sentimento de vingança fazia sentido agora. Tanto que não medi esforços pra me concentrar, fechando os olhos e tentando me desmaterializar, mais uma vez.

É, desmaterializar. Parecia loucura, mas a dor que eu iria sentir ao desfalecer no chão depois de fazer aquilo seria necessária, eu sentia isso. Mas imaginei o único lugar que me faria ser alguma coisa capaz de derrotar Conrad Stevens: o templo de Merlin.

O lugar era como nos meus sonhos: azul e amplo. De um azul-celeste penetrante. O castelo no qual Merlin se encontrava todas as vezes que eu abria as portas do meu sonho estava lá. Ele, soberano como sempre, estava ali, pronto pra me receber. O calor do momento invadiu cada centímetro cúbico do meu corpo e só me recordo de sentir mais uma vez uma dor lancinante no meio da testa, e de ter escutado o grito absurdamente alto de Conrad Stevens revoltado por eu ter conseguido me livrar dele, mesmo sendo um "fraco", como ele fazia questão de me lembrar.


Quando o doce aroma de rosas do campo invadiu minhas narinas, tudo o que eu sentia simplesmente sumiu. Não lembrava que estava num intercâmbio na França, não sentia dor na cabeça, não lembrava de Conrad Stevens. Aterrissei suavemente naquele campo de grama bem aparada feliz da vida, como se nada pudesse me deter. Avistei o templo à minha frente, magnífico como em meus sonhos. Merlin estava incrível naqueles trajes de mestre que cansei de ver em meus sonhos. Ele veio em minha direção e eu o saudei, como se já o conhecesse há anos:

- Hay nox dirtie - murmurei a saudação para o mestre dos mestres. Ele apenas balançou positivamente a cabeça, pôs a mão sobre a minha e disse:

- Abençoado seja, Rafael, por ter sido escolhido para ser meu substituto. Rai-Too-Min sabiamente me pôs em seu caminho, pois ele sabia que você um dia entenderia que precisaria me substituir. Está na hora de você aprender que a vida é inevitável. Ela simplesmente acontece. E ela acaba de acontecer, mais uma vez para você. Hay nox dirtie, pewt.

Não consegui conter as lágrimas. Merlin murmurou palavras em uma língua que não compreendi e nós nois brilhamos intensamente. Uma luz azul, como tudo ali, irradiava de dentro de mim. A luz que saía de meu verdadeiro mestre era violeta. Um súbito buraco abriu-se sobre sua cabeça e sugou-o para dentro, ao mesmo tempo em que o vento cortante me lambia o rosto. Não consegui reagir, uma sensação de soberania, a mesma que Merlin me transpassava, tomava conta de mim. O buraco fechou-se e o azul foi restaurado. E fiquei sem saber o que fazer. Olhei em volta e tudo havia sumido. O templo, as rosas, os pássaros. Só havia a grama verde bem aparada e um infinito imensurável. Concentrei-me mais uma vez, fechei os olhos e desmaterializei-me daquele lugar. Mergulhei na sensação que já não doía mais e me era até prazerosa.

Agora não me pergunte onde eu parei. Porque eu ainda estou tentando responder a esta pergunta.


 ***
[Conto ridículo, eu pensei que fosse gostar do desfecho, mas me esqueci completamente de como ia terminar -.-' Improvisei tudo, ficou horrível, e eu amanhã eu já venho com um post BEM melhor do que esse. Ah, e podem crer, vou continuar com o (meu) Tudo de Blog! Que bom que gostaram!]

4 pseudocomentaram:

Italo Stauffenberg disse...

Adoro esta tua criatividade se de materializar!

*-*

Abraço.

mms disse...

aah não ficou ridiculo não, ficou bom *.*

Felipe Knight disse...

eu achei legal incluindo o final, deveria pensar em escrever um livro... poderia usar a popularidade desses temas hoje em dia...

obs: divulgando meu blog da uma passadinha la felipknight.blogspot.com
abraço...

Jeniffer Yara disse...

Ficou meio confuso,mas sua criatividade compensou essa confusão,sério,eu gostei *.*

Beijos.