
Há pouco mais de uma semana, um desastre acontecia no Rio de Janeiro, na localidade do Realengo. Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, entraria na escola Tasso da Silveira e mataria, sem motivo aparente, onze crianças e adolescentes, entre meninos e meninas. O Brasil paralisou. Os brasileiros se comoveram com a tragédia e tentam entender até agora o que de fato teria feito o rapaz atirar contra tantos inocentes. Todos se solidarizaram e o país se une em meio a tamanho massacre.
Esse foi o relato resumido do desastre em Realengo, que diga-se de passagem mexeu demais comigo. Impossível compreender a frieza, a covardia e a insanidade do autor da chacina. Confesso que se eu já tinha medo de andar por aí, sinto ainda mais medo de ficar em casa ou até mesmo no trabalho, já que não se pode mais duvidar da audácia e capacidade destes seres desprovidos de humanidade. Até quando vamos parar de nos surpreender tanto com a capacidade de provocar tantas desgraças do homem? Por que essa falta absurda de sensibilidade? E como estar pronto pra receber notícias como estas, capazes de nos deixar tão sentidos? Estas questões decididamente me parecem distantes de ter algum dia uma resposta plausível.
Não estamos mais em segurança em canto algum, nem mesmo em nossos próprios lares; não podemos mais nos defender nem sozinhos, nem em grupo; não somos capazes de prever massacres e tampouco de evitá-los.
Vivemos numa sociedade onde fica cada vez mais complicado ter um sentimento de humanidade sincero e real. Tanto que fazia muito tempo que eu não parava a qualquer notícia sobre o ocorrido na TV e chorava, sem conseguir conter as lágrimas. Fiquei fragilizado, sensibilizado, emocionado. Imaginava a dor imensa que os pais das vítimas e simplesmente não podia evitar aquela sensação que me faz chorar sem querer. Ao mesmo tempo que me sentia impotente por não poder ajudar os sobreviventes da maneira como queria. Sei que pode soar estranho, mas senti sim como deve ter sido terrível a sensação de perder alguém sem estar esperando, até porque vivi situação semelhante (um amigo, em 2007, acabou sendo assassinado por reagir a um assalto). Não vou negar e não sinto vergonha de dizer que fiquei muito sensibilizado com o ocorrido e espero nunca mais me ver obrigado por forças sobre-humanas a ficar ainda mais sensível do que já sou por algo tão ruim.
Não entenderei jamais os rastros até o massacre que Wellington Menezes de Oliveira promoveu, nem pretendo quebrar a cabeça tentando decifrar a mente complexa e doentia dele. Mas as marcas do fato ficarão marcadas pra sempre não só na minha vida, mas na de milhares de outras pessoas pelo mundo. E que a tragédia do Realengo tenha servido de lição para que aprendamos a ser um pouquinho mais humanos – de verdade, sem máscaras ou qualquer coisa que nos faça duvidar que nossa capacidade de sentir realmente existe.
Pauta para o Blorkutando – 133ª Semana: Estado de choque.
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Oi, gente!
Enfim voltei, né, depois dessa viagem louca que fiz à Belém e que nunca mais esquecerei por ter sido a minha primeira pra fora do Amapá. A realidade já fez o requisito e me colocou de volta na minha velha rotina.
Sobre o post, só de lembrar meus olhos já se umedecem. Caramba, eu realmente não me lembro de ter ficado tão mexido com uma situação dessas. Agora não sei se isso é bom ou se é ruim, fica a critério de vocês me dar uma julgada básica ;D hahaha
Os livros que comprei na viagem estão rendendo. Já terminei de ler O Pequeno Príncipe e agora tô em A Garota da Capa Vermelha. APAIXONADO. Super recomendo, corram pra ler!
A língua francesa tá cada vez mais tomando conta da minha vida. Apaixonado duplamente, já que o amor da minha vida tá mostrando me amar mais do que eu mereço. SOU FELIZ?
E acho que é isso. Tô quase sem baphos, quero voltar logo mais pra postar algo pra vocês rirem um pouco sobre mim ;D
Do seu escritor-aspirante,
Tiêgo R. Alencar

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