sexta-feira, 15 de abril de 2011

Humanidade, a gente vê por aqui

 

Há pouco mais de uma semana, um desastre acontecia no Rio de Janeiro, na localidade do Realengo. Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, entraria na escola Tasso da Silveira e mataria, sem motivo aparente, onze crianças e adolescentes, entre meninos e meninas. O Brasil paralisou. Os brasileiros se comoveram com a tragédia e tentam entender até agora o que de fato teria feito o rapaz atirar contra tantos inocentes. Todos se solidarizaram e o país se une em meio a tamanho massacre.

 

Esse foi o relato resumido do desastre em Realengo, que diga-se de passagem mexeu demais comigo. Impossível compreender a frieza, a covardia e a insanidade do autor da chacina. Confesso que se eu já tinha medo de andar por aí, sinto ainda mais medo de ficar em casa ou até mesmo no trabalho, já que não se pode mais duvidar da audácia e capacidade destes seres desprovidos de humanidade. Até quando vamos parar de nos surpreender tanto com a capacidade de provocar tantas desgraças do homem? Por que essa falta absurda de sensibilidade? E como estar pronto pra receber notícias como estas, capazes de nos deixar tão sentidos? Estas questões decididamente me parecem distantes de ter algum dia uma resposta plausível.

 

Não estamos mais em segurança em canto algum, nem mesmo em nossos próprios lares; não podemos mais nos defender nem sozinhos, nem em grupo; não somos capazes de prever massacres e tampouco de evitá-los.

 

Vivemos numa sociedade onde fica cada vez mais complicado ter um sentimento de humanidade sincero e real. Tanto que fazia muito tempo que eu não parava a qualquer notícia sobre o ocorrido na TV e chorava, sem conseguir conter as lágrimas. Fiquei fragilizado, sensibilizado, emocionado. Imaginava a dor imensa que os pais das vítimas e simplesmente não podia evitar aquela sensação que me faz chorar sem querer. Ao mesmo tempo que me sentia impotente por não poder ajudar os sobreviventes da maneira como queria. Sei que pode soar estranho, mas senti sim como deve ter sido terrível a sensação de perder alguém sem estar esperando, até porque vivi situação semelhante (um amigo, em 2007, acabou sendo assassinado por reagir a um assalto). Não vou negar e não sinto vergonha de dizer que fiquei muito sensibilizado com o ocorrido e espero nunca mais me ver obrigado por forças sobre-humanas a ficar ainda mais sensível do que já sou por algo tão ruim.

 

Não entenderei jamais os rastros até o massacre que Wellington Menezes de Oliveira promoveu, nem pretendo quebrar a cabeça tentando decifrar a mente complexa e doentia dele. Mas as marcas do fato ficarão marcadas pra sempre não só na minha vida, mas na de milhares de outras pessoas pelo mundo. E que a tragédia do Realengo tenha servido de lição para que aprendamos a ser um pouquinho mais humanos – de verdade, sem máscaras ou qualquer coisa que nos faça duvidar que nossa capacidade de sentir realmente existe.

 

 

Pauta para o Blorkutando – 133ª Semana: Estado de choque.

***

Oi, gente!

Enfim voltei, né, depois dessa viagem louca que fiz à Belém e que nunca mais esquecerei por ter sido a minha primeira pra fora do Amapá. A realidade já fez o requisito e me colocou de volta na minha velha rotina.
Sobre o post, só de lembrar meus olhos já se umedecem. Caramba, eu realmente não me lembro de ter ficado tão mexido com uma situação dessas. Agora não sei se isso é bom ou se é ruim, fica a critério de vocês me dar uma julgada básica ;D hahaha
Os livros que comprei na viagem estão rendendo. Já terminei de ler O Pequeno Príncipe e agora tô em A Garota da Capa Vermelha. APAIXONADO. Super recomendo, corram pra ler!
A língua francesa tá cada vez mais tomando conta da minha vida. Apaixonado duplamente, já que o amor da minha vida tá mostrando me amar mais do que eu mereço. SOU FELIZ?
E acho que é isso. Tô quase sem baphos, quero voltar logo mais pra postar algo pra vocês rirem um pouco sobre mim ;D

Do seu escritor-aspirante,

Tiêgo R. Alencar

4 pseudocomentaram:

Jeniffer Yara disse...

O massacre de Realengo mecheu com todos mesmos,e duas semanas após,a mídia já mudou de assunto,e não mostra mais nada sobre isso,depois de tanto sensacionalismo.Infelizmente só alguns se tocaram para a realidade brasileira,de que temos que voltar á ser realmente humanos,e prestar atenção ás pessoas que nos rodeiam.

Gostei do texto Ti *-* E achei legal a dica do livro,vou tentar ler!

Beijos

Laís Pâmela disse...

É impossível não se sensibilizar com tamanha brutalidade Tiêgo.
Doe meu coração só de lembrar, fiquei tão em choque que não abri nenhum site de noticias nem assistir tv pra não ficar mais sabendo de nada, porque só uma noticia fazia meu coração chorar de desespero. Eu nunca perdi um amigo, e não quero jamais imaginar como seria perder, porque com certeza deve ser uma dor interminável. Estou em crise com meu melhor amigo e já estou desesperada, imagine ficar sem eles, sem meus pais ou meus irmãos? Não, nem quero pensar.

Sobre os livros, O pequeno Principe é o meu livro favorito, li quando criança, li quando adolescente e tive várias histórias em uma só. É um livro fantástico, é um livro que pra mim diz tudo sobre a vida. A garota da capa vermelha não li ainda, mas estou louca pra tal.
Beijos.
Vamos brincar de ser feliz!

Vanessa disse...

Muito triste isto que aconteceu.
Mas as noticias deste ano esta arrasadoras primeira aquela sobre o Japão (sim, eu sou apaixonada pelo Japão) e agora esta que só te lembrar me deixa muito triste.
Ótimo texto e parabéns pela premiação do blorkutando.

Natália disse...

O massacre não marcou só tu e sim todo mundo que soube, porque isso nunca tinha acontecido por aqui. Estamos acostumados a ver esse tipo de coisa fora do Brasil. São coisas que temos que 'aprender' ou tentar ficarmos preparados. A cada dia a situação está pior. Oremos.

Beijo