terça-feira, 26 de abril de 2011

Todos Amam Vitória, parte final

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- RÔ! - gritei desesperada. - Não, Rodrigo, não é nada disso que você...

- ESTÁ VENDO? - interrompeu ele ainda mais alto, com a frustração escorrendo pelos olhos junto com as lágrimas grossas. Toda a galera que estava na balada paralisou para ver os momentos seguintes de nosso do desastre. Gustavo não conseguia me largar e parecia que meu corpo era seu escudo para qualquer que fosse a investida do irmão. Não vou negar que fiquei receosa, até demais, com o próximo movimento do Rodrigo. O irmão que ele tanto confiava e a suposta namorada engalfinhados como se não tivesse existido nada entre mim e ele deve ter caído como uma bomba em sua cabeça. Fiquei fragilizada! Era como se eu tivesse cortado todas as articulações das pernas e fosse desmaiar a qualquer momento. Eu senti que amava o Rodrigo ali, com aquele vexame deplorável. Mas também descobri que amava o Gustavo porque ele me fazia sentir tudo o que eu precisava pra ser feliz! Era impossível explicar de maneira plausível o que se passava em meu coração. Mas eu tinha uma certeza: os dois eram o que eu queria. De verdade, por mais controverso que possa parecer.

- Vamos conversar, cara, a gente precisa conversar - repetia Gustavo, pressionando-me contra ele e me deixando ainda mais arrepiada do que já estava.

- CONVERSAR? SOBRE O QUÊ? - disse Rodrigo, indignado. - Vocês acabaram comigo. Poderiam ter sido no mínimo um pouco mais discretos. Mas preferiram agir dessa maneira. Palmas, vocês merecem o troféu cara-de-pau do ano - finalizou, batendo palmas e correndo até a saída. Larguei Gustavo quase que instantaneamente e segui os passos do Rodrigo, correndo o máximo que pude. Escutei a galera comentar alto o que havia acontecido. Ao virar-me para trás, percebi dedos apontando em minha direção - e para minha surpresa, Gustavo também havia vindo atrás de mim.

- Não vou deixar você enfrentar essa sozinha - disse ele ao se posicionar ao meu lado. - Afinal, foi tudo culpa minha.

- Tudo culpa sua. - completei, esperando a cara feia dele. Mas me surpreendi ao ver que Gustavo carregava uma expressão séria no rosto. Ele não era assim. E nem eu era tão derretida e emotiva desse jeito. Por isso mesmo, tratei logo de ir pensando no que ia falar para Rodrigo quando o encontrasse.

O que não tardou a acontecer.

Após alguns metros depois da saída, Gustavo avistou Rodrigo sentado de costas para a rua num banco de madeira da praça próxima ao lugar da festa. Ele parecia mais calmo do que no momento do flagra e aquilo me animou para começar a falar. Toquei em seu ombro e ele não se deu ao trabalho de virar-se para ver quem era.

- O que você quer? Acabar de vez comigo, é isso? - disse ele, ainda calmo, mas com uma aspereza interminável na fala.

- Rô, você precisa me ouvir antes que eu faça uma loucura - ameacei, também tentando permanecer calma.

- Ah, é? Você não pensou na loucura que eu pudesse fazer comigo mesmo quando você beijou meu próprio irmão na frente de todo mundo, não foi? - argumentou Rodrigo, certeiramente.

- Será que você pode me ouvir? Por favor? - pedi quase suplicando e não suportando mais tanta pressão sobre meus sentimentos. Gustavo me abraçou forte antes de eu criar coragem e sentar sobre o banco em frente ao Rodrigo. Ele parou de fitar o chão por alguns segundos, olhou no fundo dos meus olhos e assentiu dizendo um 'fala', seco mas provido de uma emoção que eu não pude descrever.
E desatei a contar tudo o que sentia. Tudo o que sentia em relação a ele, em relação aoo Guto e em relação a mim. Ele continuava calado, inclusive a cada pausa que eu fazia. Ao concluir meus pensamentos, minhas explicações e minhas desculpas, ele enfim se manifestou, de maneira surpreendentemente sábia:

- Eu posso entender.

Juro que absorvi cada palavra sem saber como começar a processar a informação. Era chegada a hora de ele se explicar.

- Eu sempre soube de tudo. Gustavo suspirante ao te ver, ao tocar no meu celular e ver sua foto no papel de parede, ao cantar todas as manhãs no chuveiro. Ele nunca havia se apaixonado e quando o fez, foi pela garota que eu mais amei em toda a minha vida. Fui covarde, deveria ter dito a ele tudo, desde o princípio. Ms deixei o meu amor por você, Vitória, ultrapassar os limites da razão. Eu não sabia como lidar com esse sentimento martelando dentro de mim. E ao te ver ali, com ele, não foi absolutamente nenhum choque por vocês dois. Foi por pensar que teria te perdido pra ele, justo pro Gustavo. Fiquei furioso. Nunca pensei que fosse ficar tão chateado apenas por pensar que fosse perder o amor da minha vida. Mas depois das suas palavras, eu estou disposto a te perdoar. E a perdoar o Gustavo, porque não o culpo por sentir o que sinto por você. Só não faço ideia de como continuar com você sabendo que meu irmão te deseja tanto quanto eu desejo, Vitória. O que eu faço? O que você fará?

Parecia um sonho. Rodrigo havia perdoado não só a mim, mas ao irmão também. Porém, o que eu faria para que não magoasse o sentimento de um sem deixar a felicidade proporcionada pelo outro?

A ideia que se passou pela minha cabeça foi completamente louca. Insana. Eu já havia lido em alguns lugares sobre, mas não tinha conhecimento de relacionamentos que tivessem dado certo. Só que o meu daria. Eu faria o possível para que tudo desse certo.

Eu seria a primeira garota da face da Terra a ter dois namorados. Sérios. E irmãos.

Eu não morreria por expor meus planos ao Rodrigo e ao Gustavo. Eles dois não eram crianças. Mas poderiam rejeitar a ideia maluca. E acima de tudo, eu poderia perdê-los definitivamente! Entretanto, tenho a sorte de possuir um otimismo diferente do normal. E agradeço muito a Deus por isso.

- Guto, pode sair de trás dessa árvore que eu sei que você está aí - eu disse, convidando-o para vir até Rodrigo e mim. Percebi que o Rô estremeceu de leve ao sentir os passos do irmão se aproximando, mas manteve a postura. Ele era mais novo do que o Gustavo, mas por vezes deixei de acreditar nisso.

Gustavo chegou até o banco de madeira onde eu estava, fitou o irmão com umma seriedade incomum e antes que pudesse começar a falar, Rodrigo interveio:

- Você está perdoado. E a Vitória está prestes a decidir com qual de nós vai ficar.

Guto sorriu torto, me olhou depressa e eu confirmei com a cabeça. Ele desmorou no banco ao lado do irmão. Eu sabia que era tudo ou nada. E dei o veredicto:

- Rodrigo, eu amo você e tenho certeza do que sinto. Gustavo, eu amo você e tenho certeza do que sinto. Amo os dois e não vi outra solução que beneficiasse a todos senão uma união tripla. Só assim ninguém ficará magoado, triste ou frustrado. Sei que vocês dois vão me achar uma maluca depois disso mas...

- EU TOPO - disseram os dois em uníssono. - Tudo para não perder você, Vitória - completaram também juntos.

Eu havia conseguido!

Abracei meus mais novos dois namorados que sorriam feitos dois bobos, segurei as mãos frias dos dois e nos levantamos juntos, satisfeitos e felizes em direção a... qualquer lugar. Qualquer lugar com o Rô e o Guto estava bem. Tudo estava bem.

3 pseudocomentaram:

Vitória Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leila Ice Girl disse...

Ai que saudade Tiego, nossa você postou para valer ultimamente hein?
Olha´, eu não posso dizer que gostei do final, não, sou possessiva, não acho legal duas pessoas dividir o mesmo namorado/a, ahaha
Beijos, seu lindo

Jeniffer Yara disse...

Own que fofa e loca sua história Ti *.* Não preciso mais dizer que você escreve muuuito bem,e faz quem lê seus textos,viajarem nas histórias postadas aqui.Amei!

Beijos