quarta-feira, 29 de junho de 2011

Acasos do amor (ou da paixão?)

Nunca fui muito de acreditar nessas histórias de amor, não. Eu era um nerd. Aliás, ainda sou um. E como todo nerd, não havia garota que quisesse ser associada a alguém com tal rótulo, não no colégio, pelo menos. Todos os dias eram a mesma coisa: zoação, brincadeiras sem graça, pedidos de cola nas atividades… Eu precisava de algo para me sentir melhor, mas não tinha ideia do que fazer. E ainda estava importente pela paixão que me consumia em minhas jornadas, para completar.

Eu me apaixonei desde a primeira vez em que vi a Aline na aula de literatura. Ela era uma das garotas mais populares da escola; fazia parte do grêmio estudantil, era atleta do time de vôlei, participava do clube de xadrez e ainda por cima era inteligente, o requisito que me desarmava quando se tratava de paixões. Ela era maravilhosa. Todos os garotos a desejavam, muito. Eu só era mais um naquela lista infinita de garotos desejosos da Aline. Quando a vi naquele dia, na aula de literatura, fiquei me perguntando sobre que tipo de livro ela lia. Do que ela gostava. De romances policiais, terror, clássicos cultos? Dali em diante, moldei a Aline de acordo com meus pensamentos: imaginei o que ela gostava de comer, para onde saía nos finais de semana, que tipo de música ouvia. Movido por tanta paixão platônica, comecei a bater ponto todos os dias na biblioteca, onde todos os grupos da escola se reuniam e onde eu já havia tido a sorte de ver a Aline por duas vezes, sempre carregando um livro nas mãos. E lá na biblioteca, mal eu sabia, ia viver o melhor momento da minha vida.

O sol brilhava intensamente neste dia. Era uma manhã gostosa, de quinta-feira. Eu precisava ir à biblioteca devolver alguns livros de matemática que havia emprestado para estudar quando esbarrei com a Aline na porta de saída. Todos os seus livros se espalharam pelo chão, junto com os meus. Pedi desculpas várias e várias vezes para ela, que se mostrou bastante compreensiva. Ajudei-a a recolher seus livros, juntei os meus e ela, com um sorriso no rosto, agradeceu e partiu. Meu coração acelerava loucamente e por mais que eu tentasse evitar, não consegui. Era mais forte do que eu. Eu estava perdidamente apaixonado pela Aline e já não podia mais evitar.

Verificando meus livros, reparei que eu tinha um livro a mais. Não pude me contar quando percebi que Aline esquecera um exemplar antigo de “Amor em Minúscula” comigo. Algo dentro de mim dizia que algo muito bom aconteceria em pouco tempo e que eu não deveria ir atrás dela. Dito e feito: ela retornava à biblioteca na hora do intervalo, perguntando diretamente a mim se o livro estava em meu poder. Ela parecia aflita e quando assenti, ela sorriu e transpirou alívio. Admitiu que era seu livro favorito. Eu, percebendo isso, citei algumas partes do mesmo, fisgando Aline de uma vez. Conversamos por horas e horas e pela primeira vez, desisti de uma aula de literatura para discutir Tolstoi e Goethe com alguém. Com o amor da minha vida.

Em determnado momento, a conversa acabou. Estávamos quase à sós na biblioteca, apenas com mais dois alunos e a bibliotecária no recinto. Num impulso, sugeri a Aline que fôssemos até a prateleira de clássicos, para lhe mostrar meu livro favorito. Ela aceitou. Eu tremia por dentro e ela aparentava um interesse ávido pela nossa estranha conexão. Ela perguntou qual era o livro que eu queria que ela visse e, não suportando mais, beijei-a. Eu estava com seu exemplar de “Amor em Minúscula” nas mãos e, no ímpeto do momento, tampei nossos rostos com o livro para que não nos vissem, numa tentativa boba, mas cativante. Foi o instante mais lindo da minha vida. Ali, eu descobri o amor. E que para o amor, nada é impossível.

Nem mesmo beijar uma das garotas mais cobiçadas da escola, sendo um nerd nada desejado.

 

Pauta para o Blorkutando – 144ª Semana : Fotografia #02

8 pseudocomentaram:

Nati disse...

Eu sempre acreditei em histórias de amor e tentei viver algumas, em vão, porque só eu queria e a outra pessoa não, sempre tive essa má sorte... Ainda bem que tu não acredita, está poupando-se de sofrimentos. Beijo.

Leila Ice Girl disse...

Ooooh tivemos ideias parecidas essa semana Tiêgo! Gostei do seu happy end. xD

Nath disse...

Ai que indo *---*
Sou apaixonada por essas histórias em meioa ivros e romances secretos rs

Gabriela Andrade disse...

Resta-me dois comentários após ler o seu texto: 1) Quero super ler "Amor em Minúscula" e 2) Quero que essa história fofa de amor aconteça comigo! *_*
Muito fofo o seu texto, suspirei aqui!

Jeniffer Yara disse...

Que linda história Ti *-*
Amo histórias de amor,ainda mais envolvendo nerds fofos,haha
Quisera eu ter essa sorte de encontrar alguém interessante na biblioteca onde vou,rs.

Beijos

Ewerton[Thon] disse...

Que história cativante. Ela é verídica?
Obrigado pela visita. Volte sempre.

Quim Buckland disse...

Pow! De verdade, muito boa mesmo, vou publicá-la no Jpeg com os devidos créditos ok. Abraços e estamos abertos a parcerias.Falowwww galera!

Joyce C. disse...

Que lindo!
Amei o texto. O modo doce como conduziu tudo. A leitura foi leve e agradável.
Muito fofo mesmo!

Beijos, Tiêgo!